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Mechelen (Malinas, em português, e Malines, em francês) é a cidade da Bélgica que fica no meio do caminho entre Bruxelas e Antuérpia e que quase todo mundo vê só pela janela do trem. No começo do século 16, foi uma das capitais dos Países Baixos, sob a regente Margarida da Áustria, e ainda guarda palácios, igrejas com Rubens e uma torre de catedral de 97 metros.
É uma cidade compacta, com o centro histórico praticamente fechado para carros durante o dia, cais ao longo do rio Dyle e a escola de carrilhão mais antiga do mundo. Fica a cerca de 11 minutos de trem do Aeroporto de Bruxelas.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Mechelen, quantos dias ficar, onde se hospedar, a melhor época e como chegar.
Onde fica Mechelen
Mechelen fica na província de Antuérpia, na região de Flandres, a parte da Bélgica onde se fala holandês. Está no eixo Bruxelas–Antuérpia, a cerca de 25 km de cada uma, e é cortada pelo rio Dyle, por isso o apelido de “cidade do Dyle”.
A ferrovia faz parte da história local: em 1835, uma das primeiras linhas de trem do continente europeu ligou Bruxelas a Mechelen, que virou o ponto central da rede belga. Até hoje, a cidade fica a cerca de 20 minutos de trem de Bruxelas, Antuérpia e Lovaina.
Vale a pena para quem gosta de história, arte flamenga e cidades tranquilas, e para famílias com crianças.
O que fazer em Mechelen
Torre da Catedral de São Rumoldo
A Torre de São Rumoldo (Sint-Romboutstoren) tem 97 metros e 538 degraus. Lá em cima, o skywalk tem vista sobre a cidade e dois visores de realidade virtual que mostram palácios e monumentos próximos. A torre nunca foi terminada: a flecha alta que estava prevista nunca saiu do papel.
O ingresso inteiro custa €8 (valores de 2026; podem mudar), e jovens de 4 a 26 anos pagam €3. A torre abre das 13h às 18h, e aos sábados a partir das 10h, com última entrada às 17h. Compre pelo Visit Mechelen.
A catedral, do século 13, é a sede do arcebispado da Bélgica e mistura gótico e barroco. Mechelen virou arquidiocese em 1559.
Os carrilhões de Mechelen
Mechelen é uma cidade de sinos. A torre de São Rumoldo tem dois carrilhões de 49 sinos cada, e o carrilhão municipal, instalado em 1981, pesa 40 toneladas e é o mais pesado da Bélgica.
Ali funciona a Escola Real de Carrilhão Jef Denyn, fundada em 1922 e descrita como a primeira do gênero no mundo. Há concertos ao vivo da torre o ano todo, aos sábados às 11h30 e aos domingos das 15h às 16h. Em 2014, a Unesco reconheceu a cultura belga do carrilhão como patrimônio imaterial.
Grote Markt e a Prefeitura
A Grote Markt tem a torre de São Rumoldo de um lado e a Prefeitura do outro, cercadas por casas que vão do renascimento do século 16 ao rococó do século 18. Aos sábados de manhã, a praça recebe uma feira movimentada.
O campanário da antiga casa dos tecidos, que faz parte da Prefeitura, ficou inacabado quando o comércio de tecidos entrou em declínio no século 14. Recebeu um telhado provisório no século 16, que está lá até hoje, e é patrimônio mundial da Unesco. O pátio interno abre ao público todos os dias.
Museu Hof van Busleyden
O Hof van Busleyden ocupa o palácio urbano que Hieronymus van Busleyden construiu há cerca de 500 anos, com jardim. O museu conta a era borgonhesa de Mechelen com arte do Renascimento do Norte.
Abre de quarta a domingo, das 10h às 17h, e os jardins são gratuitos no mesmo horário. Até 11 de abril de 2027, a exposição temporária Burgundian Dining trata da comida e da bebida nos Países Baixos dos séculos 15 e 16.
Palácio de Margarida da Áustria
Margarida da Áustria governou os Países Baixos dos Habsburgo como regente de 1507 a 1530 e morou em Mechelen. Seu palácio, o Hof van Savoye, é apontado pelo turismo oficial como o primeiro edifício renascentista dos Países Baixos. De 1616 a 1796, abrigou o Grande Conselho, o tribunal mais alto dos Países Baixos do Sul.
Ainda hoje é um tribunal, então a visita é discreta: o jardim abre de segunda a sexta, das 8h às 16h, e no sábado, das 9h às 16h.
Kazerne Dossin
O Kazerne Dossin é memorial, museu e centro de pesquisa sobre o Holocausto e os direitos humanos. Na Segunda Guerra, os nazistas usaram o antigo quartel como centro de detenção de judeus, sinti e roma: mais de 25 mil pessoas passaram por ali antes de ser deportadas, entre 1942 e 1944.
O prédio atual do museu, do arquiteto bOb Van Reeth, abriu em 2012. No memorial, do outro lado da rua, é possível ouvir os nomes das 25.843 pessoas deportadas do quartel. O museu fecha às quartas-feiras.
Grande Beguinário
O Grande Beguinário é patrimônio mundial da Unesco. Por volta de 1560, o beguinário que ficava fora das muralhas foi destruído, e as beguinas se reinstalaram dentro da cidade, comprando prédios e construindo novas casas.
O acesso é livre a qualquer hora, mas as casas são habitadas: respeite a privacidade dos moradores. As pedras grandes do calçamento dificultam a passagem de cadeira de rodas e carrinho de bebê.
Igrejas com Rubens
Mechelen tem sete igrejas históricas, todas com entrada gratuita; a maioria abre só à tarde e fecha às segundas. Na Igreja de São João, o altar tem um tríptico barroco de Rubens com a Adoração dos Magos no painel central.
A Igreja de Nossa Senhora de Hanswijk, de Lucas Faydherbe, é uma das primeiras com cúpula nos Países Baixos.
Vismarkt, IJzerenleen e o passeio de barco pelo Dyle
O Vismarkt, onde se vende peixe desde 1531, hoje é uma praça de cafés, restaurantes e terraços. Perto dali, a IJzerenleen, apelidada de Champs-Élysées de Mechelen, tem lojas e cafés.
Para ver a cidade pela água, o passeio de barco pelo Dyle dura cerca de 45 minutos e sai todos os dias de 1º de abril a 31 de outubro; em março e novembro, só nas tardes de sábado e domingo.
Cervejaria Het Anker
Fundada em 1471, a Het Anker é uma das cervejarias mais antigas da Bélgica e produz a Gouden Carolus. Há tours em inglês ao longo da semana; o percurso tem cerca de 100 degraus e não é acessível para cadeira de rodas. Reserve pelo site da cervejaria.
Para ir com crianças
- Museu do Brinquedo: brinquedos da Idade Média até hoje, todos usados na Bélgica. Abre de terça a domingo, das 10h às 17h.
- Technopolis: centro de ciências com mais de 350 experiências interativas, aberto todos os dias.
- ZOO Planckendael: zoológico em Muizen, com coalas, bonobos, girafas e orangotangos. A estação de Muizen fica a uma caminhada do parque.
Quantos dias ficar em Mechelen
Um dia dá conta do centro: torre, catedral, Grote Markt, Hof van Busleyden, Grande Beguinário e Vismarkt. Reserve dois dias se quiser incluir o Kazerne Dossin com calma, a cervejaria e uma das atrações para crianças.
Mechelen também é uma base prática e central. Antuérpia e Bruxelas ficam a cerca de 20 minutos de trem, e Lovaina, a menos de meia hora. Gante e Bruges também cabem num bate-volta de trem, com viagem mais longa.
Onde ficar em Mechelen
- Centro histórico (Grote Markt e arredores): para quem quer sair a pé direto para a torre, os museus e os restaurantes. Durante o dia, o centro é praticamente fechado para carros.
- Vismarkt e IJzerenleen: a área dos cafés e terraços, boa para casais e para quem quer jantar perto de onde dorme.
- Entorno da estação Mechelen (Centraal): prático para quem vai usar Mechelen como base de bate-voltas ou chega do aeroporto com mala. A Grote Markt fica a cerca de 15 minutos a pé.
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Quando ir a Mechelen
Mechelen tem clima oceânico, com chuva distribuída ao longo do ano (cerca de 812 mm anuais). Leve guarda-chuva em qualquer estação.
- Primavera e verão (abril a setembro): a melhor época para terraços, beguinário e passeio de barco, que funciona todos os dias de abril a outubro. Na primavera acontece a procissão de Hanswijk.
- Outono e inverno: menos gente e mais frio. É a época do Het Kunstuur, uma exposição de obras-primas belgas de 1850 a 1950 apresentadas com narração em fones de ouvido, de 19 de setembro de 2026 a 13 de junho de 2027, com reserva obrigatória.
Como chegar a Mechelen
Do Brasil, a porta de entrada mais prática é o Aeroporto de Bruxelas (Zaventem). Desde junho de 2026, a LATAM opera voo direto de São Paulo (Guarulhos) para Bruxelas, três vezes por semana; outra opção é conectar num hub europeu.
- Do Aeroporto de Bruxelas: trem expresso direto em cerca de 11 minutos até a estação Mechelen, por cerca de €11 (valores de 2026; podem mudar). Também há ônibus, que leva de 45 a 50 minutos e custa cerca de €3.
- De trem de Bruxelas ou Antuérpia: cerca de 20 minutos, com saídas frequentes.
- De trem de Lovaina: de 20 a 30 minutos, com trem direto.
- De carro: Mechelen fica na rodovia E19, entre Antuérpia e Bruxelas (saídas 9 e 10).
Confira horários e preços no site da SNCB antes de viajar.
Como se locomover em Mechelen
A pé é o melhor jeito: o centro é compacto e tem pouco trânsito. A cidade tem duas estações: da Mechelen (Centraal) até a Grote Markt são cerca de 15 minutos a pé, e da Mechelen-Nekkerspoel, cerca de 10 minutos, mas nem todos os trens param nesta.
Os ônibus urbanos da De Lijn passam a cada 15 minutos, em média, com menos horários nos fins de semana e nas férias escolares. A bicicleta também é prática, numa cidade compacta e de trânsito calmo.
De carro, não entre no centro histórico: o tráfego motorizado não é permitido ali entre 11h e 18h. Deixe o carro num estacionamento da periferia, geralmente mais barato, e use o M-shuttle gratuito que liga alguns deles ao centro.
Dicas práticas
- Moeda: euro (€).
- Idioma: holandês, falado em toda a região de Flandres.
- Tomada e voltagem: tomadas dos tipos C e E, 230 V e 50 Hz. O plugue brasileiro de três pinos não encaixa; leve um adaptador.
- Documentos: a Bélgica faz parte do Espaço Schengen, e brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja a política de vistos do Schengen.
- EES e ETIAS: o EES, registro biométrico na fronteira do Schengen, está em operação plena desde 10 de abril de 2026. O ETIAS, autorização eletrônica prevista para quem é isento de visto, ainda não tem data para entrar em vigor; confira no site oficial do ETIAS antes de viajar.
- Centro de informações turísticas: o Visit Mechelen fica na Vleeshouwersstraat 6, no antigo Schepenhuis, e abre de segunda a sábado, das 10h às 16h, e no domingo, das 12h30 às 16h.
- Dias de fechamento: Kazerne Dossin fecha às quartas; Hof van Busleyden, às segundas e terças.
Perguntas frequentes
Vale a pena conhecer Mechelen?
Sim. Mechelen junta torre de 97 metros, beguinário da Unesco, igrejas com Rubens e museus sobre a era borgonhesa e o Holocausto. E fica a 11 minutos de trem do Aeroporto de Bruxelas.
Mechelen e Malines são a mesma cidade?
Sim. Mechelen é o nome em holandês, usado nas placas e nos trens; Malines é o nome em francês, e Malinas, a forma em português.
Quantos dias ficar em Mechelen?
Um dia cobre o centro histórico. Com dois, dá para incluir o Kazerne Dossin com calma, a cervejaria Het Anker e as atrações para crianças.
Brasileiro precisa de visto para ir a Mechelen?
Não, para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, e o ETIAS ainda não tem data para entrar em vigor.
Qual a melhor época para ir a Mechelen?
De abril a outubro, quando o passeio de barco pelo Dyle funciona todos os dias e os terraços estão abertos.
Seguro viagem para Bélgica
Na Bélgica, como em todo o Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, e um atendimento médico sem cobertura pode sair caro. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para a Bélgica.
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