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Borðoy: o que fazer, onde ficar e dicas de viagem

Por Flávio AntunesAtualizado em 03/11/2026

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Borðoy é a ilha de Klaksvík, a segunda maior cidade das Ilhas Faroé, e o centro das Ilhas do Norte, o grupo de seis ilhas no nordeste do arquipélago. É um porto de pesca encaixado entre montanhas íngremes, de onde saem os ônibus, as estradas e as balsas para as ilhas vizinhas.

Por isso, Borðoy funciona como base para explorar o farol de Kallur, em Kalsoy, os penhascos de Viðoy e ilhas remotas como Svínoy e Fugloy. Montamos este guia com o que fazer na ilha e nos arredores, onde ficar, quando ir, como chegar e as regras de entrada, que são diferentes das do resto da Dinamarca.

Onde fica Borðoy

As Ilhas Faroé ficam no Atlântico Norte e são uma região autônoma do Reino da Dinamarca. Borðoy tem cerca de 96 km², pouco mais de 6 mil moradores e montanhas que passam de 700 m, como o Lokki, com 755 m. Além de Klaksvík, a ilha tem vilarejos pequenos como Norðdepil, Norðtoftir e Árnafjørður.

Desde 2006, um túnel submarino liga Borðoy à ilha de Eysturoy e, de lá, ao resto do arquipélago. Por estrada, a ilha também se liga a Kunoy e a Viðoy. Vale a pena para quem quer ver o lado mais selvagem das Faroé sem abrir mão de uma cidade com mercado, restaurante e banco.

O que fazer em Borðoy

Klaksvík e o porto

Klaksvík tem pouco mais de 5 mil habitantes e um porto movimentado, com indústria pesqueira e uma frota moderna. Caminhar pela beira do porto e pelo centro é o primeiro programa, e é dali que sai a balsa para Kalsoy.

No centro, a Spinnaríið, casa dedicada à lã faroesa, faz oficinas, e há cafés onde esperar a chuva passar.

Christianskirkjan

A Christianskirkjan (Igreja do Rei Christian) é de 1963, em estilo nórdico, e homenageia os marinheiros mortos na Segunda Guerra. Dentro, um barco a remo de oito lugares fica pendurado nas vigas do teto, e há dois retábulos, um de 1827 e outro do pintor dinamarquês Peter Raadsig.

Atenção: segundo o Visit Faroe Islands, a igreja está fechada para visitas em 2026 por causa de uma reforma. Fora desse período, ela abre de 1º de maio a 15 de setembro, exceto durante casamentos e enterros.

Norðoya Fornminnissavn

O museu histórico das Ilhas do Norte ocupa um dos prédios mais antigos de Klaksvík, uma antiga casa de comércio do monopólio real dinamarquês. Mostra o dia a dia, o comércio e o trabalho na cidade de antigamente, e conserva a farmácia original de Klaksvík nas salas onde ela funcionava.

Abre de 30 de maio a 15 de setembro, de segunda a sexta, das 11h às 15h. Domingos e feriados, só com agendamento.

Árnafjørður e a trilha de Katlarnir

O vilarejo de Árnafjørður, em Borðoy, tem a única praia das Ilhas do Norte, que vira refúgio nos dias bons de verão. Dali sai uma trilha de cerca de 2h30 ida e volta até Katlarnir, antigo local de assembleia e julgamento no centro geográfico das Ilhas do Norte.

O Visit Faroe Islands recomenda essa trilha só para quem tem experiência e não tem medo de altura.

Múli, o vilarejo abandonado

No extremo norte de Borðoy fica Múli, um dos lugarejos mais isolados das Faroé. A estrada só chegou lá em 1989, e os últimos moradores saíram em 1994. A ida de carro mostra bem como era a vida nessas ilhas antes dos túneis.

Farol de Kallur, em Kalsoy

O passeio mais famoso a partir de Borðoy. A balsa Sam sai do porto de Klaksvík e chega a Syðradalur, em Kalsoy, em cerca de 20 minutos, várias vezes por dia. De lá, uma estrada de 17 km com quatro túneis leva a Trøllanes, e o ônibus 506 faz o trajeto. O Visit Faroe Islands recomenda o ônibus, porque a estrada é estreita e há pouco estacionamento.

De Trøllanes, a trilha até o farol de Kallur é moderadamente fácil e leva de 1h30 a 2h ida e volta. Há uma taxa obrigatória de DKK 200 por adulto para fazer a trilha sem guia, DKK 100 de 13 a 17 anos e grátis para menores de 13, com cartão aceito no local (valores informados em 2026; podem mudar). Em Mikladalur, também em Kalsoy, fica a estátua da Kópakonan, a mulher-foca da lenda local.

Viðoy, Viðareiði e Enniberg

Ligada a Borðoy por um aterro entre Norðdepil e Hvannasund, Viðoy tem Viðareiði, o povoado mais ao norte das Faroé, com uma igreja de pedra de 1892. No extremo norte da ilha fica o Enniberg, penhasco de cerca de 750 m sobre o mar, um dos mais altos da Europa. A linha de ônibus 500 liga Klaksvík a Viðareiði.

A subida do Villingadalsfjall, perto de Viðareiði, cobra DKK 200 por pessoa, pagos numa caixa no portão da trilha. Para ir até o Enniberg, é preciso contratar guia.

Svínoy e Fugloy

Para sentir o isolamento de verdade, pegue a balsa Ritan em Hvannasund. Ela chega a Svínoy em 30 minutos e segue para Kirkja e Hattarvík, em Fugloy, ilhas onde a graça é caminhar por vilarejos minúsculos. A balsa só para onde há passageiros reservados, e algumas saídas dependem de pedido por telefone. Veja os horários na Strandfaraskip Landsins.

Kunoy

Ligada a Borðoy por um aterro em Haraldssund, Kunoy é a vizinha mais fácil de visitar. O Visit Faroe Islands destaca o vilarejo de Kunoy, com um pequeno bosque, montanhas altas e trilhas com vista.

Quantos dias ficar

Reserve dois ou três dias: um para Klaksvík e Viðoy, outro para Kalsoy e o farol de Kallur e, se der, um terceiro para Svínoy e Fugloy ou uma trilha em Borðoy. Como o tempo muda rápido e balsas podem ser canceladas, um dia de folga ajuda.

Borðoy costuma ser parte de uma viagem maior pelas Faroé. Quem fica em Tórshavn pode vir de bate-volta, mas vai perder tempo na estrada todos os dias.

Onde ficar em Borðoy

  • Klaksvík: a escolha natural, com mercados, lojas, restaurantes, banco, ponto de ônibus e a balsa para Kalsoy na porta. Serve para quem está sem carro.
  • Vilarejos de Borðoy e Viðoy: para quem está de carro e quer sossego e paisagem. Ficar perto de Hvannasund ajuda se o plano é pegar a balsa para Svínoy e Fugloy cedo.
  • Tórshavn como base: mais opções de hospedagem e restaurante, para quem vai passar só um dia nas Ilhas do Norte.

Veja as hospedagens em Klaksvík e Borðoy no Booking.

Quando ir a Borðoy

O clima é ameno o ano todo, graças à Corrente do Golfo, mas muda muito rápido: dá para ter sol, vento, chuva e até neve no mesmo dia. No verão (junho a agosto), as médias ficam entre 10 °C e 13 °C. No inverno (dezembro a fevereiro), entre 3 °C e 7 °C, com dias curtos.

A melhor época é de junho a agosto, quando os dias são longos, o museu de Klaksvík está aberto e as balsas têm mais horários. Evite planejar trilhas entre 2 de novembro e 31 de dezembro, temporada de caça à lebre nas montanhas, quando o Visit Faroe Islands desaconselha caminhadas. No inverno, prefira passeios fáceis ou com guia.

Como chegar a Borðoy

Do Brasil: não há voo direto para as Faroé. O caminho mais comum é chegar a Copenhague e seguir para o aeroporto de Vágar, que recebe pelo menos dois voos diários da Atlantic Airways o ano todo, além de voos da SAS. Também há voos da Widerøe a partir de Bergen e voos da Atlantic Airways a partir da Escócia e da Islândia. Os voos costumam durar até 2 horas.

Do aeroporto a Klaksvík: de ônibus, pegue a linha 300 e troque para a linha 400 na parada do túnel de Kollafjørður. A 400 liga Tórshavn a Klaksvík em cerca de 1h30, com cerca de oito saídas nos dias úteis e menos nos fins de semana. De carro, pelo túnel de Eysturoy, Klaksvík fica a cerca de 45 minutos de Tórshavn.

De navio: a balsa Norröna, da Smyril Line, sai de Hirtshals, no norte da Dinamarca, e chega a Tórshavn em cerca de 30 horas, o ano todo.

Como se locomover

Klaksvík se faz a pé. Para o resto, os ônibus e as balsas da Strandfaraskip Landsins cobrem as Ilhas do Norte: linha 500 para Viðareiði, balsa Sam para Kalsoy com o ônibus 506 até Trøllanes, e balsa Ritan para Svínoy e Fugloy. Existe um cartão de viagem de vários dias para ônibus e balsas.

De carro, você ganha liberdade para ir a Múli, Árnafjørður e Viðoy no seu ritmo. Os túneis submarinos são pedagiados e, em carro alugado, o pedágio é cobrado pela locadora. Cuidado com as ovelhas na pista e com as estradas estreitas; se atropelar uma, avise a polícia pelo +298 351448.

Dicas práticas

  • Moeda: coroa faroesa, atrelada à coroa dinamarquesa na proporção de 1 para 1. As notas faroesas e dinamarquesas valem igualmente, e as moedas são dinamarquesas. Cartão é aceito na maior parte dos lugares, principalmente Visa; American Express quase não é aceito.
  • Idioma: faroês, com o dinamarquês tendo o mesmo status oficial.
  • Tomada: padrão europeu (tipos C, E, F e K, como na Dinamarca), 230 V e 50 Hz. Leve adaptador de dois pinos.
  • Documentos: as Faroé ficam fora da União Europeia e do Espaço Schengen. O brasileiro não precisa de visto para a Dinamarca, e quem é isento na Dinamarca também é isento nas Faroé, para visitas de até 90 dias. O passaporte deve ter validade de pelo menos três meses além da data de saída. Confira no serviço de imigração da Dinamarca.
  • Trilhas: várias rotas cobram taxa ou exigem guia. Antes de sair, confira a lista oficial de taxas.
  • Emergência: 112. Para orientação médica fora do horário, 1870.

Perguntas frequentes

Vale a pena ir a Borðoy?

Vale, principalmente como base para as Ilhas do Norte. É de Klaksvík que saem a balsa para Kalsoy, onde fica o farol de Kallur, e os ônibus para Viðoy.

Brasileiro precisa de visto para as Ilhas Faroé?

Não, para visitas de até 90 dias. O Brasil é isento de visto na Dinamarca, e essa isenção vale também para as Faroé. Lembre que o arquipélago fica fora do Schengen, então o visto Schengen, para quem precisa dele, não dá direito de entrar.

Qual a moeda das Ilhas Faroé?

A coroa faroesa, que vale o mesmo que a coroa dinamarquesa. Notas das duas circulam normalmente, e o cartão resolve quase tudo.

Quantos dias ficar em Borðoy?

Dois ou três dias, para incluir Kalsoy, Viðoy e, se o tempo ajudar, Svínoy ou Fugloy.

Precisa pagar para fazer a trilha do farol de Kallur?

Sim. Sem guia, a taxa é de DKK 200 por adulto e DKK 100 para jovens de 13 a 17 anos, segundo o Visit Faroe Islands em 2026. Os valores podem mudar com a nova legislação de turismo.

Qual a melhor época para ir a Borðoy?

De junho a agosto, com dias longos, temperaturas entre 10 °C e 13 °C e mais horários de balsa. No inverno, as trilhas são desaconselhadas.

Seguro viagem para as Ilhas Faroé

O Visit Faroe Islands orienta que todos os visitantes de fora dos países nórdicos e do Reino Unido tenham seguro saúde de viagem válido antes de embarcar. Como o arquipélago fica fora da União Europeia, confira se a apólice cobre destinos fora da UE: um seguro contratado só para “Europa Schengen” pode não valer ali. A cobertura de €30.000, a mesma exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos.

Confira as opções de seguro viagem para as Ilhas Faroé.

Chip internacional para as Ilhas Faroé

Internet no celular ajuda a acompanhar a previsão do tempo, os horários das balsas e os cancelamentos. Só que as Faroé não fazem parte da UE nem do Espaço Econômico Europeu, e a regra de roaming da UE (“roam like at home”) vale apenas nesses países, além de Moldávia e Ucrânia. Ou seja, um chip ou eSIM europeu pode não funcionar ou cobrar à parte no arquipélago: antes de comprar, confira se o plano inclui as Ilhas Faroé. A cobertura 4G e 5G funciona no país todo, e há chip pré-pago local à venda em lojas, postos e no aeroporto de Vágar.

Confira os planos de chip para as Ilhas Faroé.

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