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Comillas é uma vila pequena da costa da Cantábria, no norte da Espanha, que reúne num punhado de ruas algo raro: uma obra de juventude de Antoni Gaudí, palácios neogóticos, um cemitério modernista e uma praia de areia dourada com montanha ao fundo.
Esse conjunto nasceu no fim do século XIX, quando o primeiro marquês de Comillas, filho da vila que fez fortuna em Cuba, trouxe o rei Alfonso XII para veranear ali e chamou arquitetos catalães para transformar o lugar. O resultado é um dos destinos mais elegantes do litoral cantábrico.
Por isso, montamos este guia com o que ver em Comillas, quantos dias reservar, onde ficar, quando ir e como chegar a partir de Santander ou Bilbao.
Onde fica Comillas
Comillas fica no litoral ocidental da Cantábria, a cerca de 48 km de Santander, a capital regional. De carro, o trajeto leva por volta de 40 minutos. Entre Comillas e a fronteira com as Astúrias estão San Vicente de la Barquera e o Parque Natural de Oyambre.
A vila se encaixa bem num roteiro pela Costa da Cantábria, combinada com Santander e Santillana del Mar, ou numa viagem maior pelo norte da Espanha que siga para Bilbao e o País Basco.
Vale a pena para quem gosta de arquitetura, de cidades pequenas e caminháveis e de praia sem prédios altos. Quem procura vida noturna ou grandes museus vai achar Comillas tranquila demais fora de julho e agosto.
O que fazer em Comillas
El Capricho de Gaudí
O El Capricho, ou Villa Quijano, foi construído entre 1883 e 1885 como casa de veraneio de Máximo Díaz de Quijano, um indiano ligado ao marquês de Comillas. É contemporâneo da Casa Vicens, em Barcelona, e é um dos únicos três edifícios que Gaudí projetou fora da Catalunha, ao lado da Casa Botines, em León, e do Palácio Episcopal de Astorga.
Repare na fachada de tijolo e cerâmica com girassóis repetidos e na torre cilíndrica de cerca de 20 metros, parecida com um minarete. O dono era pianista e amante da botânica, e a casa brinca com música e natureza nos detalhes. Máximo morreu em 1885, ano em que a obra terminou, e quase não usou a casa. O edifício virou museu em 2009.
O horário divulgado varia por temporada: das 10h30 às 17h30 de novembro a fevereiro, até as 20h de março a junho e em setembro e outubro, e até as 21h em julho e agosto, com último acesso meia hora antes do fechamento. Compre o ingresso no site oficial do El Capricho, principalmente no verão.
Palácio de Sobrellano e Capela-Panteão
Vizinho do Capricho, o Palácio de Sobrellano é um palácio neogótico projetado pelo catalão Joan Martorell e erguido entre 1881 e 1888 para Antonio López y López, o primeiro marquês de Comillas. Lá dentro há móveis desenhados por Gaudí, e o palácio é citado como o primeiro edifício da Espanha com iluminação elétrica.
Ao lado fica a Capela-Panteão, onde está enterrada a família do marquês. Os dois são declarados Bem de Interesse Cultural e pertencem ao governo da Cantábria. O interior só se visita com guia, então confira os horários das visitas ao chegar.
Antiga Universidade Pontifícia
No alto da colina de La Cardosa, o antigo seminário que deu origem à Universidade Pontifícia Comillas é um dos maiores conjuntos modernistas da vila. A universidade mudou-se para Madri, e os edifícios e jardins foram declarados monumento histórico-artístico em 1985.
Hoje o prédio abriga a Fundação Comillas e um centro de ensino de espanhol ligado à Universidade da Cantábria. A fachada e os jardins já justificam a subida; para ver o interior, procure as visitas guiadas oferecidas na vila.
Cemitério de Comillas e o Anjo Exterminador
O cemitério ocupa as ruínas de uma igreja gótica do fim do século XV, no bairro de Velecio, o mais antigo da vila. A partir de 1881, o arquiteto Lluís Domènech i Montaner integrou a ruína a um novo cercamento com cruzes e pináculos.
No alto de uma das paredes fica o Anjo Exterminador, escultura de mármore de Josep Llimona, de 1895, que virou símbolo de Comillas. É uma parada curta e gratuita, mas lembre que é um cemitério em uso.
Centro histórico e a fonte dos Tres Caños
O centro gira em torno da Fonte dos Tres Caños, outra obra de Domènech i Montaner, construída quando a água encanada chegou à vila. Na mesma praça fica a Casa Ocejo, onde Alfonso XII reuniu o Conselho de Ministros em 1881, o que rendeu a Comillas o apelido de “capital da Espanha por um dia”.
Perto dali estão a igreja barroca de San Cristóbal, construída entre 1640 e o fim do século XVIII, e o parque com o monumento ao marquês, também de Domènech i Montaner. Tudo se percorre a pé em pouco tempo.
Praia e porto de Comillas
A praia de Comillas, de areia dourada e fina, fica junto ao porto, construído entre 1603 e 1716. No fim do século XIX, ela atraía a nobreza para os “banhos de ondas”, a moda de veraneio da época.
Os penhascos de El Cabrero e La Garita, nas pontas da vila, rendem boas vistas do mar. Em julho e agosto, quando a população da vila se multiplica, a praia fica bem mais cheia.
Parque Natural de Oyambre
A oeste da vila começa o Parque Natural de Oyambre, criado em 1988, com 5.758 hectares divididos entre Comillas, San Vicente de la Barquera e outros municípios. Ele protege estuários, falésias, bosques e um dos sistemas de dunas mais importantes da costa cantábrica.
A praia de Oyambre vai de Trasvía, em Comillas, até o cabo de Oyambre. Da praia de Gerra, os Picos de Europa aparecem ao fundo. As rias recebem aves aquáticas no inverno e nas migrações.
Quantos dias ficar em Comillas
Um dia inteiro basta para o Capricho, Sobrellano, o cemitério, o centro e a praia. Com dois ou três dias, dá para incluir Oyambre com calma e fazer bate-voltas na região.
Os bate-voltas mais óbvios são curtos:
- Santillana del Mar: a cerca de 17 km, uns 20 minutos de carro. Ali fica o Museu de Altamira, com a Neocueva, uma reprodução da caverna de pinturas pré-históricas. O museu fecha às segundas e abre de terça a sábado das 9h30 às 18h (novembro a abril) ou às 20h (maio a outubro), e aos domingos até as 15h.
- San Vicente de la Barquera: a cerca de 11 km, vila de porto na beira do Parque de Oyambre.
- Santander: a cerca de 40 minutos de carro, para quem quer cidade, museus e mais opções de transporte.
Onde ficar em Comillas
Comillas é pequena, e quase tudo fica a uma caminhada de distância. Separamos as áreas pelo tipo de viagem:
- Centro histórico: em volta da praça dos Tres Caños. Serve para quem está sem carro e quer sair a pé para restaurantes e monumentos.
- Bairro do porto e da praia: para quem vai em julho ou agosto e quer o mar perto. É a área mais concorrida no verão.
- Entorno de Sobrellano: onde ficam o Capricho, o palácio e as antigas casas dos marqueses. Bom para quem quer ficar ao lado dos principais monumentos.
- Localidades rurais do município, como Trasvía e Ruiseñada: pedem carro, mas deixam você mais perto de Oyambre e das praias a oeste.
Quem viaja sem carro e quer mais estrutura pode usar Santander como base e visitar Comillas num bate-volta de ônibus.
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Quando ir a Comillas
O clima é oceânico: verões amenos, invernos suaves e chuva bem distribuída pelo ano. Na estação da AEMET no aeroporto de Santander, a mais próxima com série longa, a média das máximas vai de cerca de 14 °C em janeiro a 24 °C em agosto, e chove em mais de 120 dias por ano.
Julho e agosto são a alta temporada: dias mais longos, mar menos frio e a vila cheia, com muitos negócios que só abrem no verão. Reserve hospedagem com antecedência.
Maio, junho e setembro costumam ser o melhor equilíbrio para passear sem multidão. De novembro a março, há mais chuva e alguns restaurantes fecham, mas o Capricho segue aberto em horário reduzido.
Duas festas locais marcam o calendário: a de San Pedro, com fogueira na noite de 28 de junho e procissão no dia 29, e a do Santo Cristo del Amparo, padroeiro dos pescadores, em 16 de julho.
Como chegar a Comillas
Não há voo direto do Brasil para a Cantábria. O caminho mais simples é voar até Madri e seguir para o aeroporto de Santander (Seve Ballesteros), que tem voos de Madri pela Iberia e pela Volotea e de Barcelona pela Vueling, além de rotas para Paris-Orly e Londres-Stansted.
Outra opção é o aeroporto de Bilbao, que recebe voos de vários hubs europeus. De lá até Comillas são cerca de 142 km, por volta de 1h45 de carro.
Do aeroporto de Santander sai um ônibus até a rodoviária da cidade, em horários ligados aos voos. Da rodoviária, a Autobuses La Cantábrica faz a linha até Comillas em cerca de 1h10, com poucas saídas por dia; confira os horários no site da empresa.
De carro, Comillas fica fora da autovia do Cantábrico: a estrada CA-135 liga a vila a Cabezón de la Sal, onde se pega a via rápida.
Como se locomover em Comillas
Dentro da vila, a pé. As distâncias entre o centro, a praia, o cemitério e o conjunto de Sobrellano são curtas, embora haja ladeiras, como a subida para a antiga universidade.
Para Oyambre, para as praias a oeste e para os bate-voltas, o carro dá muito mais liberdade. Há ônibus da La Cantábrica para Santillana del Mar e San Vicente de la Barquera, mas com poucas saídas por dia. Há ponto de táxi junto à fonte dos Tres Caños.
Dicas práticas para Comillas
- Moeda: euro (€).
- Idioma: espanhol.
- Tomada: 230 V e 50 Hz, tipos C e F. Leve um adaptador.
- Documentos: brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. O passaporte deve valer pelo menos três meses após a data prevista de saída, e a imigração pode pedir comprovante de hospedagem, passagem de volta e meios para a estadia (veja os requisitos do Consulado da Espanha em São Paulo).
- ETIAS: a autorização eletrônica de viagem está prevista, mas ainda sem data em vigor. Confira o status no site oficial da União Europeia.
- Verão: em julho e agosto, a população da vila se multiplica. Reserve hospedagem e ingressos com antecedência.
Perguntas frequentes sobre Comillas
Vale a pena visitar Comillas?
Sim, principalmente se você gosta de arquitetura. Em poucas ruas há uma obra de Gaudí, palácios neogóticos e peças de Domènech i Montaner, além de praia e do Parque Natural de Oyambre ao lado.
Quantos dias ficar em Comillas?
Um dia basta para os monumentos e a praia. Com dois ou três dias, dá para incluir Oyambre, Santillana del Mar e San Vicente de la Barquera.
Comillas tem obra de Gaudí?
Tem: o El Capricho, construído entre 1883 e 1885. É um dos três únicos edifícios de Gaudí fora da Catalunha e pode ser visitado por dentro, com ingresso.
Como ir de Santander a Comillas?
De carro, são cerca de 48 km, por volta de 40 minutos. De ônibus, a Autobuses La Cantábrica faz o trajeto em cerca de 1h10, com poucas saídas por dia.
Qual a melhor época para ir a Comillas?
De maio a setembro, quando os dias são mais longos e amenos. Julho e agosto são os meses mais cheios; maio, junho e setembro equilibram tempo bom e menos gente.
Brasileiro precisa de visto para ir a Comillas?
Não, para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. Leve passaporte válido e esteja pronto para mostrar hospedagem, passagem de volta e meios para a estadia.
Seguro viagem para Espanha
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