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Lanzarote é a ilha dos vulcões nas Ilhas Canárias: campos de lava negra, crateras ocres, vinhedos plantados em cinza vulcânica e casas brancas baixinhas espalhadas pela paisagem. Tudo isso com praia e clima ameno o ano inteiro.
Boa parte dessa identidade tem a assinatura de César Manrique (1919-1992), artista nascido em Arrecife que transformou tubos de lava, pedreiras e falésias em espaços de visita. O modelo de turismo que ele defendeu pesou na declaração da ilha como Reserva da Biosfera pela UNESCO, em 1993.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Lanzarote, quantos dias reservar, em que área se hospedar (Puerto del Carmen, Playa Blanca, Costa Teguise ou Arrecife), como funcionam as entradas do Timanfaya e como chegar a partir do Brasil.
Onde fica Lanzarote
Lanzarote faz parte das Canárias, arquipélago da Espanha no oceano Atlântico. Ao norte fica o pequeno arquipélago Chinijo, com a ilha de La Graciosa; ao sul, a poucos minutos de barco, está Fuerteventura.
A ilha combina bem com as vizinhas: há voos diretos para Gran Canaria e para os dois aeroportos de Tenerife. Vale a pena para quem quer sol e praia fora do verão europeu, paisagem vulcânica e arte integrada à natureza.
O que fazer em Lanzarote
Parque Nacional de Timanfaya e Montañas del Fuego
O Timanfaya é o único parque nacional da rede espanhola de caráter eminentemente geológico. A paisagem nasceu das erupções do século XVIII, que duraram até 1736, e de uma nova em 1824.
A visita é feita pelas Montañas del Fuego, com acesso pela estrada LZ-67. Não é permitido explorar o parque livremente de carro ou a pé: você dirige até o estacionamento do Islote de Hilario, assiste às demonstrações geotérmicas e embarca no ônibus da Ruta de los Volcanes, um percurso de cerca de 14 km que leva de 35 a 40 minutos, com saídas a cada 20 minutos.
Atenção: o ingresso, de €30 (valores de 2026; podem mudar), só é vendido on-line, no site dos Centros de Arte, Cultura y Turismo, com dia e horário marcados. Chegue 15 minutos antes, porque fora do horário o ingresso perde a validade. O funcionamento é das 9h às 15h45. Ali fica o restaurante El Diablo, de Manrique, com grelha aquecida pelo calor do subsolo.
Centro de Visitantes de Mancha Blanca e trilhas guiadas
O Centro de Visitantes de Mancha Blanca tem exposição e audiovisual com entrada gratuita, das 9h às 16h45. É lá que se agenda a Ruta de Tremesana, caminhada guiada de cerca de 2 km dentro do parque. Fora das trilhas, não se anda sobre a lava nem se recolhe pedra ou planta.
Jameos del Agua
No norte da ilha, os Jameos del Agua ocupam um trecho do tubo vulcânico do vulcão La Corona, formado há cerca de 5 mil anos. Onde o teto desabou, Manrique criou seu primeiro centro de arte, cultura e turismo, aberto em 1968 e concluído em 1977.
O destaque é um lago interior de água do mar, que sobe e desce com a maré e abriga um pequeno caranguejo cego que só existe ali. Do outro lado, o Jameo Grande se abre para um jardim com uma piscina branca entre o basalto. A entrada custa a partir de €17 (valores de 2026; podem mudar), e o horário é das 10h às 18h.
Cueva de los Verdes
No mesmo tubo de lava, que se estende por mais de 7 km e chega a passar por baixo do oceano, a Cueva de los Verdes tem cerca de 1 km visitável a pé. A visita guiada dura uns 50 minutos, com iluminação do artista Jesús Soto e uma surpresa no trecho final.
Como no Timanfaya, o ingresso de €17 (valores de 2026; podem mudar) só é vendido on-line, com hora marcada.
Mirador del Río e a vista para La Graciosa
No alto do Risco de Famara, o Mirador del Río foi escavado no terreno e coberto de pedra vulcânica para quase sumir na paisagem. Inaugurado em 1973, tem janelões que enquadram El Río, o estreito entre Lanzarote e La Graciosa, e o arquipélago Chinijo.
A entrada custa €9 (valores de 2026; podem mudar), com funcionamento das 10h às 17h.
Casas de César Manrique em Tahíche e Haría
A casa onde Manrique viveu em Taro de Tahíche, a Casa del Volcán, é hoje a sede da Fundación César Manrique. No norte, em Haría, outra casa do artista virou a Casa-Museo César Manrique.
Cada uma custa €10, e o ingresso combinado sai por €17, com prazo de 15 dias para visitar a segunda (valores de 2026; podem mudar). Abrem todos os dias, inclusive feriados, exceto em 1º de janeiro. Confira horários no site da fundação.
Jardín de Cactus e Casa Museo del Campesino
Em Guatiza, uma antiga pedreira de material vulcânico virou o Jardín de Cactus, com quase 500 espécies de cactos dos cinco continentes e um moinho tradicional no alto, onde se moía o gofio. A entrada custa €9 (valores de 2026; podem mudar).
Mais ao centro, em Mozaga (San Bartolomé), a Casa Museo del Campesino homenageia o trabalho rural da ilha, com restaurante de cozinha canária e o Monumento à Fecundidade, de Manrique. A entrada é gratuita, todos os dias das 10h às 18h.
La Geria, El Golfo e a costa sudoeste
La Geria é a paisagem protegida dos vinhedos plantados no lapilli, a cinza vulcânica que segura a umidade. Várias bodegas no caminho oferecem degustação.
Seguindo para a costa, o Charco de los Clicos, o “lago verde”, fica dentro de uma cratera aberta para o mar, ao lado da vila pesqueira de El Golfo. No caminho ficam Los Hervideros, costão de cavernas esculpido na lava, e as Salinas de Janubio, de 1895.
Praias de Papagayo e o Museu Atlântico
Perto de Playa Blanca, as enseadas de Papagayo, dentro do Monumento Natural de Los Ajaches, estão entre as praias mais bonitas da ilha, com areia dourada e mar calmo. Leve água e lanche, porque a estrutura é limitada.
Perto dali, em Las Coloradas, as esculturas submersas de Jason deCaires Taylor, a 12 a 14 metros de profundidade, podem ser vistas em mergulho ou com snorkel.
Teguise, a antiga capital, e o mercado de domingo
A Villa de Teguise foi a capital de Lanzarote do começo do século XV até 1852 e é considerada o primeiro núcleo urbano das Canárias. Todo domingo, das 9h às 14h, o centro histórico recebe um mercado de artesanato, produtos locais e lembranças.
Bate-volta a La Graciosa
Do porto de Órzola, no norte, saem barcos regulares para La Graciosa, com partidas a cada 30 minutos aproximadamente. A ilha é um dos últimos lugares da Europa sem ruas asfaltadas e integra a Reserva Marinha do Arquipélago Chinijo.
Em Caleta de Sebo, a vila principal, há aluguel de bicicletas para chegar às praias.
Quantos dias ficar em Lanzarote
Nossa sugestão é de quatro a cinco dias. Um dia para Timanfaya, La Geria e a costa de El Golfo; um para o norte (Jameos del Agua, Cueva de los Verdes, Mirador del Río e Jardín de Cactus); um para as casas de Manrique e Teguise, num domingo; e pelo menos um para praia em Papagayo.
Com uma semana, entram La Graciosa e um bate-volta a Fuerteventura: o ferry Playa Blanca–Corralejo leva de 25 a 35 minutos.
Onde ficar em Lanzarote
Uma base só resolve, mas cada área tem um perfil:
- Puerto del Carmen: a zona turística com mais hospedagem da ilha, no litoral de Tías. Tem a Avenida de las Playas, com Playa Grande, Los Pocillos, Matagorda e Playa Chica. Para quem quer praia urbana, restaurantes e ônibus direto do aeroporto.
- Playa Blanca: no extremo sul, perto das praias de Papagayo, da Marina Rubicón e do porto dos barcos para Fuerteventura. Boa para quem quer as praias mais bonitas por perto e um ritmo mais tranquilo.
- Costa Teguise: resort na costa leste, com as praias Bastián, Las Cucharas e Jablillo. Fica mais perto do norte, de Teguise e das obras de Manrique.
- Arrecife: a capital, com o Charco de San Ginés (lagoa de água do mar cercada de bares e restaurantes), a praia urbana de El Reducto, com 500 metros. Para quem prefere vida de cidade, a 10 minutos do aeroporto.
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Quando ir a Lanzarote
Lanzarote funciona o ano todo. A temperatura média anual fica em torno de 21 °C, com chuva escassa e sol em praticamente todos os meses. As médias mensais vão de cerca de 17 °C em janeiro a 25 °C em agosto.
O mar é fresco: varia de cerca de 18 °C, entre fevereiro e abril, a 23 °C, em setembro e outubro.
Como o clima quase não muda, a escolha depende mais de preço e de disponibilidade. Em qualquer época, garanta cedo os horários do Timanfaya e da Cueva de los Verdes, já que os dois só vendem ingresso on-line.
Como chegar a Lanzarote
Do Brasil
Não há voo direto do Brasil. O caminho mais simples é conectar em Madri, que tem voos diretos para o Aeroporto César Manrique-Lanzarote (ACE) pela Iberia, Air Europa e Ryanair, segundo a lista de destinos da Aena. Barcelona também tem rota direta.
Se o seu roteiro passa pelo norte da Espanha, Bilbao tem voos para Lanzarote pela Vueling e pela Air Europa.
Entre as ilhas
De avião, Lanzarote tem voos para Gran Canaria (Binter Canarias e Canaryfly) e para Tenerife Norte e Tenerife Sul. De barco, há linhas regulares para Gran Canaria, Tenerife, Fuerteventura (saindo de Playa Blanca) e até Cádiz, no continente.
Do aeroporto
A linha 22 liga o aeroporto a Arrecife em cerca de 10 minutos, de segunda a sexta; nos fins de semana, a 23. A linha 161 vai do aeroporto a Puerto del Carmen e Playa Blanca, a cada 30 a 60 minutos. Horários no site da rede de ônibus da ilha.
Como se locomover em Lanzarote
Carro é a forma mais prática de visitar a ilha: os centros de Manrique, o Timanfaya, La Geria e o norte ficam espalhados, e o acesso ao parque nacional é feito com o próprio veículo até o Islote de Hilario. Há locadoras no aeroporto.
Sem carro, a rede IntercityBus Lanzarote liga Arrecife, o aeroporto e as zonas turísticas, e há táxi. Dentro de cada zona turística, quase tudo se faz a pé.
Dicas práticas para Lanzarote
- Moeda: euro (€).
- Idioma: espanhol.
- Tomada: na Espanha, 230 V e 50 Hz, tipos C e F. Leve um adaptador.
- Ingressos: no Timanfaya e na Cueva de los Verdes, só on-line e sem troca ou reembolso. Crianças de até 6 anos não pagam nos Centros de Arte, Cultura y Turismo (CACT).
- Documentos: brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias em cada 180 no Espaço Schengen, do qual as Canárias fazem parte. O passaporte deve valer até três meses após a saída prevista, e a imigração pode pedir comprovante de hospedagem, passagem de volta e meios para a estadia (veja os requisitos do Consulado da Espanha em São Paulo).
- ETIAS: a autorização eletrônica de viagem está prevista, mas ainda sem data em vigor. Confira o status no site oficial da União Europeia.
Perguntas frequentes sobre Lanzarote
Lanzarote vale a pena?
Vale, principalmente para quem quer paisagem vulcânica, praia com clima ameno o ano todo e a arte de César Manrique.
Quantos dias ficar em Lanzarote?
Quatro a cinco dias resolvem o essencial: vulcões, norte, casas de Manrique e praia. Com uma semana, dá para incluir La Graciosa e Fuerteventura.
Precisa reservar o Timanfaya com antecedência?
Sim. O ingresso das Montañas del Fuego só é vendido on-line, com dia e horário marcados, e é preciso chegar 15 minutos antes.
Precisa alugar carro em Lanzarote?
Não é obrigatório, mas facilita muito. As atrações ficam espalhadas, e o ônibus atende sobretudo o aeroporto, Arrecife e as zonas turísticas.
Brasileiro precisa de visto para ir a Lanzarote?
Não, para turismo de até 90 dias em cada 180 no Espaço Schengen. Leve passaporte válido e comprovantes de hospedagem, volta e meios para a estadia.
Qual a melhor época para ir a Lanzarote?
Qualquer mês, já que a média anual fica em torno de 21 °C e quase não chove. Para mar mais quente, prefira setembro e outubro, quando a água chega a cerca de 23 °C.
Seguro viagem para Espanha
As Canárias seguem as regras do Espaço Schengen: a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, e a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para a Espanha.
Confira as opções de seguro viagem para Espanha.
Chip internacional para Espanha
Internet no celular faz falta em Lanzarote: os ingressos do Timanfaya e da Cueva de los Verdes são digitais, com hora marcada, e o GPS ajuda nas estradas entre os vulcões e o norte. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para a Espanha.
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