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Oviedo: o que fazer, onde ficar e dicas de viagem

Por Flávio AntunesAtualizado em 03/11/2026

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Oviedo é a capital das Astúrias e a cidade onde nasceu boa parte da história medieval da Espanha: foi a corte do primeiro reino cristão da Península Ibérica, e dessa época sobram igrejas do século IX que hoje são Patrimônio Mundial da UNESCO. Tudo isso numa cidade compacta, de centro histórico para pedestres, mercado de ferro e vidro e muita sidra.

É também o ponto de partida do Caminho Primitivo, a rota de peregrinação mais antiga a Santiago de Compostela. Por isso, montamos este guia com os monumentos pré-românicos, a catedral, o museu de arte gratuito, quantos dias reservar, onde se hospedar, a melhor época e como chegar a Oviedo vindo do Brasil.

Onde fica Oviedo

Oviedo (Uviéu, em asturiano) fica no centro das Astúrias, no norte da Espanha, no interior da região. O município tem cerca de 226 mil habitantes, segundo o Turismo de Asturias, e é o segundo mais populoso da região, atrás de Gijón.

Pela posição central, Oviedo é uma boa base: Gijón fica a meia hora de trem, e de ônibus se chega a Llanes e aos Picos de Europa. Para o oeste, o Caminho Primitivo cruza as montanhas até Lugo, já na Galícia.

Vale a pena para quem gosta de história, para peregrinos e como contraponto urbano às praias da Costa da Cantábria.

O que fazer em Oviedo

Catedral de San Salvador e Cámara Santa

A Catedral de Oviedo é gótica, com obras iniciadas em 1382 e uma torre de cerca de 80 metros, erguida entre 1508 e 1587. É dedicada ao Salvador, e um velho ditado popular diz que quem vai a Santiago e não visita o Salvador honra o criado e esquece o Senhor.

O tesouro está na Cámara Santa, capela pré-românica do século IX que guarda a Cruz dos Anjos, a Cruz da Vitória, a Caixa das Ágatas e a Arca Santa, onde fica o Santo Sudário. Dinamitada em 1934, foi reconstruída com o material original e é Patrimônio Mundial desde 1998.

A visita ao conjunto inclui a catedral, a Cámara Santa, o museu e o claustro, por €8 o adulto, €7 acima de 65 anos e €4 para peregrinos com credencial; menores de 12 acompanhados não pagam (valores consultados em 2026; podem mudar). Às terças, o bilhete sai €1 mais barato. A subida guiada à Torre Gótica é à parte, por €10. Em novembro e dezembro, a bilheteria abre de segunda a sábado das 10h às 13h e das 16h às 17h; confira no site da catedral.

Santa María del Naranco e San Miguel de Lillo

Na encosta do Monte Naranco, a cerca de 3 km do centro, ficam as duas joias do pré-românico asturiano, inscritas na UNESCO em 1985. Santa María del Naranco é conhecida como o palácio de Ramiro I; o Turismo de Asturias lembra que até hoje não se sabe ao certo para que servia: palácio, igreja, pavilhão real ou salão de corte.

A uns 100 metros dali, San Miguel de Lillo foi erguida em 848, também por Ramiro I. Cerca de dois terços dela desabaram no século XII, mas o vestíbulo, a tribuna de onde o rei assistia à missa e quatro gelosias de pedra originais se conservam.

A entrada custa €5 (valores de 2026; podem mudar), com visita guiada que parte de Santa María, e é gratuita às segundas de manhã, sem guia. De outubro a março, abre de terça a sábado das 10h às 14h30 e no domingo até 12h30; de abril a setembro, há também turno à tarde. Atenção: Santa María del Naranco fechou para obras em 1º de abril de 2026, com reabertura prevista para o fim de setembro, segundo a imprensa local. Confirme antes de subir.

San Julián de los Prados (Santullano)

Mais perto do centro, Santullano foi mandada construir por Alfonso II, o Casto, entre 812 e 842, e é a maior e uma das mais antigas igrejas do pré-românico asturiano. As pinturas murais, só com motivos geométricos, vegetais e arquitetônicos, estão entre os conjuntos altomedievais mais relevantes da Europa, segundo o Turismo de Asturias.

A visita custa €4 o adulto e €1 de 7 a 12 anos (valores de 2026; podem mudar), e é gratuita na primeira segunda-feira de cada mês, sem guia. De outubro a abril, há saídas de segunda a sábado às 10h, 10h45 e 11h30; não abre aos domingos.

Centro histórico, Foncalada e as estátuas

O casco antigo se percorre a pé entre a praça da catedral, onde fica a escultura de La Regenta, a Plaza del Ayuntamiento e a igreja de San Isidoro. Fora do traçado antigo, a Foncalada é uma fonte do século IX, do tempo de Alfonso III, considerada a única obra civil pré-românica conservada; também faz parte do bem da UNESCO.

Pelas ruas há várias esculturas; uma das mais visitadas é a de Woody Allen, em tamanho natural, instalada em 2005 depois que o cineasta elogiou a cidade ao receber o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes.

Mercado de El Fontán

O Mercado de El Fontán ocupa um edifício de ferro e vidro de 1882 a 1885, junto à igreja de San Isidoro. O nome vem da vizinha Plaza del Fontán, antigo corral de comédias e lugar do mercado tradicional. Aos domingos, a região recebe o rastro, a feira de rua do bairro.

Museu de Belas Artes das Astúrias

No centro histórico, perto da catedral, o Museu de Belas Artes das Astúrias tem entrada gratuita. Entre as obras-primas destacadas pelo próprio museu estão um São Paulo de El Greco, uma Coroação da Virgem de Pedro Berruguete e um Santo Estêvão de Luis de Morales. Abre de terça a domingo, com pausa no almoço, e fecha às segundas.

Sidra, Campo de San Francisco e Teatro Campoamor

O Turismo de Asturias põe o Bulevar da Sidra entre os programas típicos da cidade: uma rua de sidrerias, na Gascona, onde a sidra natural é servida “escanciada”, despejada do alto.

Para descansar, o Campo de San Francisco é o grande parque central, com cerca de 9 hectares. O Teatro Campoamor recebe uma temporada anual de ópera, e é em Oviedo que a fundação entrega, desde 1981, os Prêmios Princesa de Astúrias.

O início do Caminho Primitivo

O Caminho Primitivo liga Oviedo a Santiago e é considerado a primeira rota de peregrinação: no início do século IX, o rei Alfonso II foi de Oviedo até o túmulo recém-descoberto do apóstolo, tornando-se o primeiro rei peregrino. Em 2015, a UNESCO incluiu o Primitivo na lista do Patrimônio Mundial, e a Cámara Santa entrou como um dos bens da rota.

Com a credencial, a catedral sai pela metade do preço. Só o trecho galego tem cerca de 167 km, pelas contas da Xunta; para o fim da rota, veja o guia de Lugo.

Quantos dias ficar em Oviedo

Dois dias é o ideal: um para a catedral, o casco antigo, o Fontán e o museu; outro para o Naranco e Santullano, com a noite para a sidra. Com um dia só, priorize a Cámara Santa e o Naranco.

Bate-voltas a partir de Oviedo

  • Gijón: praia urbana e o bairro de Cimavilla, a cerca de meia hora de trem. Veja o guia de Gijón.
  • Santa Cristina de Lena: o terceiro monumento pré-românico inscrito pela UNESCO em 1985, no concelho de Lena, a cerca de 35 km ao sul. Melhor de carro.
  • Cangas de Onís e Covadonga: porta dos Picos de Europa, a cerca de 73 km, ou 1h35 de ônibus da ALSA. Os Lagos de Covadonga têm acesso restrito em boa parte do ano; veja o plano oficial de acesso.

Onde ficar em Oviedo

  • Casco antigo: para quem quer sair a pé para a catedral, o Fontán e os restaurantes. É a área mais charmosa, com ruas de pedestres.
  • Entorno do Campo de San Francisco e da rua Uría: a área de comércio do centro, junto ao parque. Boa escolha para quem quer um meio-termo entre o casco antigo e os pontos de ônibus.
  • Perto da Gascona: para quem quer jantar nas sidrerias e voltar a pé. Pode ter mais movimento à noite.

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Quando ir a Oviedo

O clima é oceânico e, por ficar no interior, um pouco mais fresco que o litoral. Nas médias de 1991 a 2020, janeiro vai de cerca de 5 °C a 12 °C e agosto, de 15 °C a 24 °C. Julho é o mês mais seco e novembro, o mais chuvoso; neve na cidade não é rara, uma ou duas vezes por ano.

De maio a setembro os dias são longos e chove menos, a melhor janela para o Naranco e para o Caminho. O inverno é úmido, mas bom para museus, ópera e sidrerias.

  • Setembro: festas de San Mateo, uma semana de festa em torno do dia 21, com comida de rua, shows na praça da catedral e fogos na véspera. Dentro delas acontece o Día de América en Asturias, Festa de Interesse Turístico Nacional, e a romaria do Cristo de las Cadenas fecha a programação no domingo seguinte.

Como chegar a Oviedo

Do Brasil: conecte em Madri, que tem voos diretos de várias capitais brasileiras, e siga de avião até o aeroporto das Astúrias (OVD), em pouco mais de uma hora, ou de trem até o centro.

  • Do aeroporto das Astúrias: fica a 47 km de Oviedo. O ônibus direto da ALSA leva cerca de 40 minutos até a rodoviária, com saídas a cada meia hora, segundo o agregador Rome2Rio.
  • Trem de Madri: a Renfe liga Madri a Oviedo em cerca de 3h15 a 3h30, com algumas saídas por dia. Consulte em renfe.com.
  • De Gijón: Cercanías Renfe (linha C-1) em cerca de 30 a 36 minutos.
  • De Santander: ALSA em cerca de 2h45, ou carro em cerca de 2 horas (uns 194 km). Para seguir pela Cantábria, veja os guias de Santander e de Potes, porta cantábrica dos Picos de Europa.

Horários mudam por temporada; confira sempre em alsa.es e no site da Renfe antes de viajar.

Como se locomover em Oviedo

O centro e o casco antigo se fazem a pé, e Santullano fica a uma caminhada mais longa ou a um ônibus urbano.

Para o Naranco, há ônibus urbano da TUA até as proximidades do Centro de Interpretação do Pré-românico; confira a linha e os horários em tua.es. De carro, deixe o veículo no estacionamento do centro e siga a pé até os monumentos. Carro só compensa para Santa Cristina de Lena e os Picos de Europa.

Dicas práticas para Oviedo

  • Moeda: euro (€).
  • Idioma: espanhol. O asturiano aparece nos nomes oficiais, como Oviedo/Uviéu.
  • Tomada e voltagem: 230 V e 50 Hz, tomadas tipo C e F. Leve adaptador.
  • Monumentos às segundas: o Naranco abre de graça na segunda de manhã, sem guia, e Santullano na primeira segunda de cada mês. O Museu de Belas Artes fecha às segundas.
  • Documentos: brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen (lista oficial de isentos). Leve passaporte válido por pelo menos três meses após a saída e tenha à mão reserva de hospedagem, passagem de volta e comprovante de recursos, como indica o Consulado da Espanha em São Paulo.
  • EES e ETIAS: desde 10 de abril de 2026, o EES coleta digitais e foto do rosto na fronteira externa. O ETIAS está previsto, sem data em vigor; acompanhe em travel-europe.europa.eu.

Perguntas frequentes sobre Oviedo

Vale a pena conhecer Oviedo?

Vale, principalmente para quem gosta de história: são cinco monumentos da UNESCO no município, a catedral com a Cámara Santa, museu de arte gratuito e muita sidra.

Quantos dias ficar em Oviedo?

Dois dias bastam para a catedral, o centro histórico, o Naranco e Santullano. Some um terceiro dia se quiser um bate-volta a Gijón ou a Covadonga.

Como visitar as igrejas pré-românicas de Oviedo?

Santa María del Naranco e San Miguel de Lillo ficam juntas no Monte Naranco, a cerca de 3 km do centro, com visita guiada a €5; Santullano fica dentro da cidade, a €4. Confira os horários antes, porque mudam por temporada e houve obras no Naranco em 2026.

Oviedo ou Gijón: onde se hospedar?

Oviedo, se a prioridade são monumentos e museus; Gijón, se é praia. O trem entre as duas leva cerca de meia hora.

Qual a melhor época para ir a Oviedo?

De maio a setembro, quando chove menos e os dias são longos. Setembro tem as festas de San Mateo; no inverno, a cidade é fria e chuvosa, mas tranquila.

Brasileiro precisa de visto para ir a Oviedo?

Não, para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. Leve passaporte válido e comprovantes de hospedagem, volta e recursos, e acompanhe o ETIAS no site oficial da União Europeia.

Seguro viagem para Espanha

A Espanha está no Espaço Schengen, então a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Se você vai encarar o Caminho Primitivo, confira se a apólice cobre caminhada de longa distância em montanha. Veja mais no nosso guia de seguro viagem para a Espanha.

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