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Arles é a cidade da Provença onde a Roma antiga ainda está de pé: uma arena para mais de 20 mil pessoas, teatro, termas e galerias subterrâneas, espalhados pelo centro histórico e reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1981.
Foi também ali que Van Gogh viveu um dos períodos mais intensos da carreira, pintando cerca de 200 telas. E, saindo da cidade, começa a Camargue, o delta do Rhône, com seus pântanos, aves, cavalos e touros.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Arles, quantos dias ficar, onde se hospedar, a melhor época, como chegar do Brasil e as dicas práticas para você planejar a viagem sem susto.
Onde fica Arles
Arles fica no sul da França, no departamento de Bouches-du-Rhône, na Provença. Logo acima da cidade, o rio Rhône se divide em dois braços e forma a Camargue. O município é o maior da França continental em área, com cerca de 759 km², porque inclui boa parte desse delta.
No roteiro, Arles se encaixa entre Avignon, Nîmes e Marselha, todas a curta distância de trem. Vale a pena para quem gosta de história romana, de arte e de natureza, e para quem quer uma Provença com menos cara de cartão-postal e mais vida própria.
O que fazer em Arles
Anfiteatro (Arènes d’Arles)
O anfiteatro, de cerca do ano 90 d.C., recebia mais de 20 mil espectadores para corridas de carros e combates. Ele continua em uso: na Feria de Páscoa e na de setembro há touradas, além das courses camarguaises, de estilo provençal, e de shows e peças no verão.
É o monumento mais marcante da cidade e fica bem no centro, então funciona como ponto de partida da visita. Van Gogh pintou a arena em dia de tourada em 1888, no quadro Les Arènes.
Teatro Antigo
O Théâtre Antique é do século 1 a.C. Hoje é um cenário ao ar livre que, no verão, recebe festivais, entre eles programação dos encontros de fotografia, o festival Les Suds, um festival de trajes típicos e um festival de cinema de épicos antigos.
Criptopórticos, Termas de Constantino e Alyscamps
Debaixo da prefeitura e da capela do antigo colégio jesuíta ficam os criptopórticos, galerias subterrâneas do século 1 a.C. As Termas de Constantino, do século 4, eram banhos públicos e mostram a segunda fase de ouro da cidade.
Completa o conjunto a necrópole dos Alyscamps, o antigo cemitério da cidade, também ligado a esse período. Os três entram no Pass Liberté, explicado abaixo.
Igreja e Claustro de Saint-Trophime
A Igreja de Saint-Trophime e seu claustro são um dos principais monumentos românicos da Provença e fazem parte do conjunto da Unesco. O claustro também recebe eventos, como um festival de leitura no verão e o Salão Internacional do Santon.
Pass Liberté: o ingresso combinado
Para os monumentos, o mais prático é o Pass Liberté, vendido pelo Office de Tourisme por €13 a €15 (valores de 2026; podem mudar) e válido por um mês. Ele dá direito a 4 monumentos à escolha entre anfiteatro, teatro antigo, claustro de Saint-Trophime, criptopórticos, Alyscamps e Termas de Constantino, mais o Museu Réattu e um segundo museu: Museon Arlaten, Museu Departamental Arles Antique ou Museu da Camargue.
O passe ainda dá desconto na Fundação Vincent van Gogh. A última entrada nos monumentos é 30 minutos antes do fechamento. Nas Jornadas Europeias do Patrimônio de 2026, em 19 e 20 de setembro, a entrada foi gratuita em todos os monumentos e museus da cidade.
Nos passos de Van Gogh
Van Gogh chegou a Arles em fevereiro de 1888 e produziu ali cerca de 200 pinturas e mais de 100 desenhos e aquarelas. Em maio de 1888 alugou quatro cômodos no número 2 da Place Lamartine, a casa que pintou em A Casa Amarela. Foi em Arles, depois de uma briga com Gauguin, que ele cortou parte da orelha esquerda.
Na Place du Forum, você pode ficar no canto nordeste, onde ele montou o cavalete em setembro de 1888, e olhar para o terraço do café de Terraço do Café à Noite. O quadro original está no Museu Kröller-Müller, na Holanda.
Para ver arte, a Fundação Vincent van Gogh Arles (35 ter, rue du Docteur-Fanton) recebe exposições temporárias. Ela abre todos os dias, com última entrada às 17h30, mas fecha entre uma exposição e outra: em 2026, ficou fechada até 21 de novembro e reabre em 22 de novembro com a mostra HARVESTS, em cartaz até 4 de abril de 2027. Confira no site da Fundação.
LUMA Arles
O LUMA Arles é um campus de arte e criação no Parc des Ateliers, antigo terreno industrial de 7 hectares, que junta galpões do século 19, um parque e a torre projetada por Frank Gehry. As exposições são pagas, mas algumas instalações permanentes são de acesso livre.
Funciona de quarta a segunda, das 10h às 18h (fecha às terças), na 35 avenue Victor Hugo. Veja a programação no site do LUMA.
Abadia de Montmajour
Na região de Arles, a Abadia de Montmajour foi fundada em 948 por monges beneditinos e também é Patrimônio Mundial. É uma boa forma de completar o roteiro de monumentos para quem tem mais um dia.
Camargue e Saintes-Maries-de-la-Mer
A Camargue é o delta do Rhône, protegido pelo Parque Natural Regional da Camargue. Para começar, o Museu da Camargue, no antigo redil de ovelhas do Mas du Pont de Rousty, apresenta a região e tem uma trilha ao lado. O Marais du Vigueirat reúne mais de 300 espécies de aves e cinco manades, as criações de touros e cavalos.
Em Saintes-Maries-de-la-Mer, a igreja românica fortificada de Notre-Dame-de-la-Mer tem um telhado com vista sobre a planície. São cerca de 39 km de Arles, uns 40 minutos de ônibus (linha A50). No verão, leve repelente, protetor solar e água, e respeite trilhas e propriedades privadas.
Quantos dias ficar
Dois dias dão conta dos monumentos romanos, de Saint-Trophime, do roteiro de Van Gogh e do LUMA. Some um terceiro dia para a Camargue, de carro ou de ônibus até Saintes-Maries-de-la-Mer.
Arles também é boa base para bate-voltas de trem: Avignon fica a cerca de 20 minutos, Nîmes a cerca de 25 e Marselha a pouco mais de 1 hora.
Onde ficar em Arles
- Centro histórico: em volta da arena, do teatro e da Place du Forum. É a melhor escolha para a primeira visita e para quem está sem carro, porque deixa tudo a pé.
- Perto da estação: prático para quem vai usar Arles como base de bate-voltas de trem para Avignon, Nîmes e Marselha.
- Camargue: casas rurais e mas (as fazendas provençais) no delta ou em Saintes-Maries-de-la-Mer, para quem viaja de carro e quer natureza, cavalos e observação de aves.
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Quando ir a Arles
Arles tem clima mediterrâneo de verão quente. Pelas médias da Météo-France de 1991 a 2020, a máxima fica perto de 30 °C em julho e agosto, em torno de 19 °C em abril e de 21 °C em outubro. Em janeiro, a máxima média é de 11 °C e a mínima, de 3 °C.
Primavera e começo do outono são as épocas mais agradáveis para andar a pé entre os monumentos. No inverno, sopra o mistral, vento frio que pode trazer geadas repentinas.
Os eventos marcam o calendário: a Feria de Páscoa e a feria do primeiro fim de semana de setembro, na arena; os Rencontres d’Arles, festival de fotografia realizado todo ano desde 1970, cuja edição de 2026 recebeu 163 mil visitantes; e as Jornadas Europeias do Patrimônio, em setembro. Confira as datas no site dos Rencontres e reserve cedo se for nesses períodos.
Como chegar a Arles
Do Brasil: Arles não tem aeroporto comercial, e a viagem envolve conexão. Uma opção é voar até Paris e seguir de trem; outra é voar, com escala em algum hub europeu, para um aeroporto da região. O de Nîmes fica a cerca de 25 minutos de Arles; os de Avignon, Marseille Provence e Montpellier, a cerca de 1 hora.
De trem: há TGV direto de Paris Gare de Lyon a Arles, com cerca de 4 horas de viagem e poucas partidas por dia. Na região, os trens regionais ligam Arles a Avignon Centre em cerca de 20 minutos, a Nîmes em 22 a 27 minutos e a Marseille Saint-Charles em cerca de 1h07. Confira horários e preços na SNCF Connect.
De carro: a autoestrada A54 passa por Arles e a liga a Marselha e a Nîmes.
Como se locomover
O centro histórico, onde estão a arena, o teatro, Saint-Trophime e a Place du Forum, se visita a pé.
Para a Camargue, o carro dá mais liberdade: Saintes-Maries-de-la-Mer fica a cerca de 36 minutos. Sem carro, use o ônibus A50 até Saintes-Maries e confira antes os horários, porque as partidas são espaçadas.
Dicas práticas
- Moeda: euro (€).
- Idioma: francês.
- Tomada e voltagem: tomadas dos tipos C e E, 230 V e 50 Hz. O plugue brasileiro de três pinos não encaixa; leve um adaptador.
- Documentos: a França faz parte do Espaço Schengen, e brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Confira sua situação no France-Visas, o site oficial de vistos da França.
- EES e ETIAS: o EES, registro biométrico na fronteira do Schengen, está em operação plena desde 10 de abril de 2026. O ETIAS, autorização eletrônica prevista para quem é isento de visto, ainda não tem data para entrar em vigor; confira no site oficial do ETIAS antes de viajar.
- Monumentos: a última entrada é 30 minutos antes do fechamento, então não deixe a arena para o fim da tarde.
Perguntas frequentes
Vale a pena conhecer Arles?
Sim, principalmente para quem gosta de história e arte: Arles tem um conjunto de monumentos romanos e românicos tombado pela Unesco e foi a cidade onde Van Gogh pintou cerca de 200 telas. Ainda é porta de entrada para a Camargue.
Quantos dias ficar em Arles?
Dois dias para a cidade e um terceiro para a Camargue. Se o tempo for curto, um dia cheio cobre a arena, o teatro, Saint-Trophime e a Place du Forum.
Dá para fazer bate-volta de Avignon a Arles?
Dá, e é fácil: o trem leva cerca de 20 minutos entre Avignon Centre e Arles. De Marselha, a viagem é de pouco mais de 1 hora.
Arles é cara?
Os monumentos têm preço acessível com o Pass Liberté, de €13 a €15 por um mês de validade (valores de 2026; podem mudar). Se a viagem coincidir com a feria ou com os Rencontres d’Arles, nossa dica é reservar a hospedagem com antecedência.
Qual a melhor época para ir a Arles?
Primavera e começo do outono, com temperaturas amenas para caminhar. O verão chega perto dos 30 °C, e no inverno o mistral deixa os dias mais frios.
Brasileiro precisa de visto para ir a Arles?
Não, para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. Leve comprovantes de seguro e de meios para a estadia, que a imigração pode pedir, e acompanhe o ETIAS, que ainda não tem data para começar.
Dá para ir à Camargue sem carro?
Dá: o ônibus A50 liga Arles a Saintes-Maries-de-la-Mer em cerca de 40 minutos. Como as partidas são espaçadas, confira os horários antes; para explorar pântanos e reservas, o carro é mais prático.
Seguro viagem para França
Na França, como em todo o Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, e um atendimento médico sem cobertura pode sair caro. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para a França.
Confira as opções de seguro viagem para França.
Chip internacional para França
Com internet desde o desembarque, você confere horários de trem e de ônibus para a Camargue, compra ingressos e se guia pelo centro sem depender de Wi-Fi. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para a França.
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