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Pau é a cidade onde nasceu Henrique IV, o primeiro rei da França e de Navarra, e tem uma das vistas urbanas mais bonitas da França: do alto do Boulevard des Pyrénées, a cadeia dos Pirineus aparece inteira no horizonte.
A capital do Béarn junta castelo real, parques da época em que Pau era estação de inverno da Belle Époque, mercado coberto, vinho Jurançon nas colinas em volta e acesso rápido aos vales de montanha.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Pau, quantos dias ficar, onde se hospedar, a melhor época, como chegar e se locomover, além das dicas práticas para brasileiros.
Onde fica Pau
Pau fica no sudoeste da França, no departamento dos Pirineus Atlânticos, região da Nova Aquitânia. A cidade está sobre uma colina à beira do Gave de Pau, o rio que também passa por Lourdes, e de frente para a cordilheira que faz fronteira com a Espanha.
Segundo o turismo oficial de Pau, Toulouse e Bordeaux ficam a cerca de 2 horas de carro ou de trem, Lourdes a uns 30 minutos de carro e Biarritz a cerca de 1h15 pela autoestrada A64. Isso faz de Pau uma boa ponte entre o litoral basco e a região de Lourdes e dos Pirineus centrais.
Vale a pena para quem gosta de história, de paisagem de montanha sem abrir mão de uma cidade com estrutura, e para quem viaja de carro pelo sudoeste francês.
O que fazer em Pau
Château de Pau, onde nasceu Henrique IV
O castelo é o grande ponto de visita. Henrique IV nasceu ali em 13 de dezembro de 1553, foi rei de Navarra antes de ser rei da França e morreu assassinado em Paris em 1610. Diz a tradição que o primeiro berço dele foi uma carapaça de tartaruga, que hoje está exposta no museu.
O Musée national et domaine du château de Pau guarda cerca de 12 mil obras e objetos, com destaque para a coleção de tapeçarias dos Gobelins na sala de jantar da Table aux Cent Couverts. Segundo o site do castelo, o museu abre todos os dias, das 9h30 às 11h45 e das 14h às 17h, e o parque e os jardins, das 8h às 18h15. A entrada custa cerca de €10 (valores de 2026; podem mudar), segundo o turismo dos Pirineus Atlânticos.
Nossa dica é deixar o castelo para um dia de chuva. Ele fecha em 25 de dezembro, 1º de janeiro e 1º de maio.
Boulevard des Pyrénées
O boulevard é o cartão-postal de Pau: um passeio elevado, construído no fim do século XIX, que liga o castelo ao Parc Beaumont com vista de 180° sobre os Pirineus. O pico mais fácil de reconhecer é o Pic du Midi d’Ossau, com 2.884 m. A paisagem é protegida desde 1944 com o nome de “Horizons Palois”.
O turismo da cidade gosta de citar o poeta Lamartine, que teria dito que Pau tem a mais bela vista de terra do mundo, assim como Nápoles tem a mais bela vista de mar. Escolha um dia de céu limpo.
Funicular de Pau
O funicular desce do boulevard, ao lado da Place Royale, até a estação de trem, no vale do Gave. Funciona desde 15 de fevereiro de 1908 e é gratuito, segundo o turismo de Pau.
Para quem chega de trem, é o jeito mais prático de subir com a mala. A pé, os Sentiers du Roy, trilhas em zigue-zague pela encosta, fazem o mesmo trajeto.
Centro histórico, Place Royale e o bairro do Hédas
O centro se faz a pé. O roteiro “Les incontournables de Pau”, do turismo dos Pirineus Atlânticos, tem 3,8 km e leva cerca de 2h30: começa na Place Royale, centro da vida urbana desde o século XVIII, passa pela igreja Saint-Martin, pelo bairro do castelo e pela Rue Joffre, a antiga Grande Rue, hoje só para pedestres.
Logo abaixo fica o Hédas, antigo bairro popular da cidade baixa, que foi reabilitado e ganhou iluminação cênica para o passeio noturno.
Parc Beaumont e Palais Beaumont
Na outra ponta do boulevard, o Parc Beaumont foi comprado pela prefeitura em 1876 e tem lago, coreto, jardim pirenaico dos anos 1930 e um teatro ao ar livre. O Palais Beaumont, hoje centro de congressos com cassino, conserva os campanários do antigo Palais d’Hiver, inaugurado no fim do século XIX como ponto de encontro de quem passava o inverno na cidade.
O parque segue o estilo de jardim inglês, com árvores exóticas e grandes gramados. Da mesma época de veraneio de inverno é o bairro de Trespoey, a leste, com casarões da Belle Époque e o que o turismo local apresenta como o primeiro campo de golfe do continente europeu.
Les Halles de Pau
O mercado coberto existe desde 1881, foi reconstruído em 1970 e renovado em 2018. Tem produtores locais, queijo de ovelha, charcutaria, vinhos e bancas de comida pronta. O melhor momento, segundo o turismo de Pau, é a manhã de domingo.
Prove a andouille béarnaise e os produtos de pato, como o confit e as rillettes. Na última sexta-feira do mês há noite com música e frutos do mar.
Jurançon, o vinho das colinas
Do outro lado do Gave começam os vinhedos do Jurançon, branco que pode ser seco ou doce, feito sobretudo com as uvas Gros Manseng e Petit Manseng.
O vinho é associado a Henrique IV e aparece na história da região desde a Idade Média. Dá para visitar produtores independentes ou a cooperativa de Gan; o turismo de Pau apresenta a rota dos vinhos também como passeio possível sem carro.
Lescar, a primeira capital do Béarn
A cerca de 20 minutos de carro, ou de 30 a 40 minutos de ônibus a partir da estação de Pau, Lescar foi a primeira capital do Béarn. A catedral românica de Notre-Dame-de-l’Assomption tem um mosaico do século XII com a figura de um pequeno caçador de perna amputada, apresentada como a mais antiga representação conhecida de uma prótese no Ocidente.
Ali estão enterrados soberanos do reino de Navarra, entre eles os avós de Henrique IV.
Os vales dos Pirineus
Ao sul de Pau, três vales sobem em direção à Espanha: Ossau, Aspe e Barétous. Gourette é a estação de esqui mais próxima da cidade, e no vale de Ossau fica Artouste, com um trem turístico que percorre cerca de 10 km a quase 2.000 m de altitude, acessado por teleférico.
Para explorar os vales, o turismo de Pau recomenda ir de carro e conferir antes o tempo e as estradas.
Quantos dias ficar em Pau
Dois dias bastam para a cidade: um para o castelo, o boulevard e o centro, outro para o Parc Beaumont, as Halles e uma tarde nos vinhedos do Jurançon ou em Lescar.
Com três ou quatro dias e carro, dá para incluir um dia nos vales de Ossau ou Aspe e um bate-volta a Lourdes.
Onde ficar em Pau
O centro histórico, entre o castelo, a Place Royale e o boulevard, é a melhor base para a primeira visita: tudo fica a pé, com restaurantes e o funicular por perto.
Os arredores da Place Clemenceau e das ruas comerciais (Serviez, Foch) servem a quem quer movimento, lojas e acesso fácil aos ônibus. Quem chega e sai de trem pode procurar hospedagem perto da estação, lembrando que o centro fica no alto da colina, ligado pelo funicular.
Para quem está de carro e prefere silêncio, o bairro de Trespoey, a leste, tem perfil residencial, com casarões e jardins.
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Quando ir a Pau
Pau tem clima ameno e chuvoso. Pelas normais da Météo-France (1991-2020, estação de Pau-Uzein), as máximas médias vão de cerca de 11 °C em janeiro a 26,5 °C em agosto, e as mínimas de inverno ficam perto de 2,5 °C. Chove cerca de 1.100 mm por ano; novembro é o mês mais chuvoso e julho, o mais seco.
De maio a setembro é a época mais agradável para a cidade e para os vales. O outono traz a colheita no Jurançon, e o inverno é a temporada das estações de esqui dos Pirineus.
Entre os eventos, a agenda oficial destaca o Carnaval Biarnès em fevereiro, o festival Hestiv’Òc de músicas e culturas do Sul no fim de agosto, espetáculos de luz e som no castelo durante o verão e o Noël à Pau em dezembro. Em 2026, a cidade recebeu chegada e largada de etapas do Tour de France em 8 e 9 de julho.
Como chegar a Pau
Do Brasil, não há voo direto. O caminho mais comum é voar até Paris e seguir de trem ou avião; outra opção é chegar a Toulouse ou Bordeaux e continuar de trem.
- Trem: segundo o turismo de Pau, há quatro TGV INOUI por dia entre Paris e Pau, em cerca de 4 horas, além de um Intercités noturno que sai de Paris-Austerlitz. Bordeaux e Toulouse ficam a cerca de 2 horas de trem.
- Avião: o aeroporto Pau-Pyrénées tem voos para Paris-Orly e, segundo o turismo local, Lyon. Fica a cerca de 20 minutos do centro de carro ou pela linha 17 de ônibus da rede Idélis.
- Carro: cerca de 2 horas de Toulouse (A64) e de Bordeaux (A62 e A65), 45 minutos de Bayonne e 1h15 de Biarritz. Da Espanha, o Col du Pourtalet fica a uns 60 km.
- Ônibus: a Flixbus tem linhas diárias para Pau.
Como se locomover em Pau
O centro é compacto e plano no alto da colina, então dá para fazer quase tudo a pé. A Coxitis, navete gratuita, circula pelo centro, e a rede de ônibus Idélis cobre a aglomeração. O funicular entre a estação e o boulevard também é gratuito.
A cidade tem cerca de 100 km de ciclovias e aluguel de bicicletas, inclusive elétricas. Para os vales dos Pirineus, alugue um carro: o transporte público até lá é limitado.
Dicas práticas
- Moeda: euro (€). Cartão é aceito na maior parte dos lugares.
- Idioma: francês. Em hotéis e atrações principais costuma haver atendimento em inglês, mas aprender algumas palavras ajuda.
- Tomada e voltagem: 230 V e 50 Hz, tomadas dos tipos C e E. Leve um adaptador universal.
- Documentos: a França faz parte do Espaço Schengen, e brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180. O passaporte deve ter menos de dez anos de emissão e validade de pelo menos três meses após a saída. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, de hospedagem e de volta, como lista a Embaixada da França no Brasil; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos.
- EES e ETIAS: o EES, registro biométrico (digitais e foto) na fronteira do Schengen, está em operação plena desde 10 de abril de 2026. O ETIAS, autorização eletrônica prevista para quem é isento de visto, ainda não está em vigor; confira no site oficial do ETIAS antes de viajar.
Perguntas frequentes
Vale a pena conhecer Pau?
Sim, principalmente se você estiver de passagem pelo sudoeste da França. O castelo de Henrique IV, a vista dos Pirineus no Boulevard des Pyrénées e o acesso aos vales e ao vinho Jurançon fazem de Pau uma parada que rende mais do que parece.
Quantos dias ficar em Pau?
Dois dias para a cidade. Com três ou quatro dias e carro, dá para incluir os vales de Ossau ou Aspe e um bate-volta a Lourdes.
Qual a melhor época para ir a Pau?
De maio a setembro, quando faz mais calor e os vales estão abertos para caminhadas. Novembro é o mês mais chuvoso; no inverno, o atrativo são as estações de esqui próximas.
Brasileiro precisa de visto para ir a Pau?
Não, para turismo de até 90 dias a cada 180, pelas regras do Espaço Schengen. Leve passaporte válido, seguro e comprovantes de hospedagem, volta e meios para a estadia.
Como ir de Paris a Pau?
De trem, com o TGV INOUI em cerca de 4 horas, ou de avião, com voo para o aeroporto Pau-Pyrénées, a uns 20 minutos do centro.
Dá para ir de Pau a Lourdes?
Sim, Lourdes fica a cerca de 30 minutos de carro pela estrada nacional, ou 40 minutos pela rota que acompanha o Gave de Pau. É um bate-volta fácil.
Seguro viagem para a França
Na França, como em todo o Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, e um atendimento médico sem cobertura pode sair caro, ainda mais se o roteiro incluir trilhas e esqui nos Pirineus. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para a França.
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