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Sarlat-la-Canéda é a capital do Périgord Noir, no sudoeste da França, e tem um dos setores históricos mais bem preservados do país, com ruas medievais que, nos dias de feira, se enchem de foie gras, nozes e cogumelos. A cidade, que todo mundo chama só de Sarlat, tem cerca de 8.700 habitantes e soma 66 monumentos históricos protegidos.
Sarlat também é a base mais prática para explorar o vale do rio Dordogne, com castelos no alto de penhascos, vilarejos à beira d’água e as cavernas pré-históricas do vale do Vézère, onde fica Lascaux.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Sarlat-la-Canéda, quantos dias ficar, onde se hospedar, a melhor época, como chegar do Brasil e de outras cidades francesas e como circular pela região, com ou sem carro.
Onde fica Sarlat-la-Canéda
Sarlat fica no departamento da Dordogne, na região da Nova Aquitânia, no sudoeste da França. De carro, está a cerca de 50 minutos de Brive-la-Gaillarde, 2h15 de Toulouse e 2h30 de Bordeaux.
A cidade é o centro do Vale da Dordonha, a poucos quilômetros de vilarejos como Beynac-et-Cazenac, La Roque-Gageac e Domme.
Vale a pena para quem gosta de cidades medievais, gastronomia de interior e roteiros de carro com paradas curtas. Para quem vai a Bordeaux ou a Saint-Émilion, é uma boa extensão da viagem.
O que fazer em Sarlat-la-Canéda
Caminhar pela cidade medieval
O centro histórico de Sarlat é o próprio passeio. Foi o primeiro lugar da França a aplicar, em 1964, a lei Malraux, que criou os chamados setores salvaguardados para proteger bairros antigos inteiros. Desde 2002, a cidade tem o selo de Ville d’Art et d’Histoire, concedido pelo Ministério da Cultura francês.
Comece pela Place de la Liberté, a praça principal, e siga sem pressa até a Place des Oies, a praça dos gansos. Nossa dica, que o próprio turismo da Dordogne faz, é voltar ao centro no fim da tarde, depois que o movimento da feira passa.
O escritório de turismo organiza visitas guiadas, inclusive uma noturna, à luz de tochas. A programação e as reservas ficam no site do turismo de Sarlat.
Feira de sábado e mercado coberto
A feira tradicional de Sarlat acontece o ano todo, às quartas de manhã e aos sábados, ocupando as ruas da cidade medieval. A parte de alimentos funciona de manhã: no sábado, das 8h às 13h, segundo o turismo da Dordogne.
É o melhor lugar para conhecer os produtos do Périgord: foie gras, confit e magret de pato, cèpes (cogumelos), nozes, mel, castanhas e vinho. No inverno, entram em cena o mercado de trufas, de meados de novembro a meados de março, e o marché au gras, dedicado aos produtos de pato e ganso, de dezembro a fevereiro.
Nos outros dias, vá ao mercado coberto, instalado na antiga igreja de Sainte-Marie, com queijos, frutas, legumes e doces.
Elevador panorâmico da igreja Sainte-Marie
A mesma igreja de Sainte-Marie, reformada pelo arquiteto Jean Nouvel, guarda um elevador panorâmico que leva ao alto do edifício, com vista de 360° sobre os telhados de Sarlat. Os ingressos são vendidos pelo escritório de turismo.
Catedral de Saint-Sacerdos e Lanterne des Morts
A Catedral de Saint-Sacerdos, que mistura os estilos românico e gótico, domina a cidade há cerca de 800 anos. Perto dela fica a Lanterne des Morts, um monumento funerário românico do século 12.
Casa de La Boétie
A Maison de La Boétie é um casarão (hôtel particulier) que mostra a prosperidade dos comerciantes da cidade. Ali nasceu, em 1530, Étienne de La Boétie, autor do Discurso da servidão voluntária e grande amigo do filósofo Michel de Montaigne.
Jardins de Marqueyssac
A cerca de 10 km de Sarlat, em Vézac, os Jardins de Marqueyssac ocupam 22 hectares no alto de um penhasco, com mais de 6 km de caminhos entre buxinhos podados à mão. O mirante fica a 130 metros acima do rio Dordogne. Reserve cerca de 1h30; calendário e ingressos no site oficial.
Castelos de Beynac e Castelnaud
Os dois castelos mais famosos da região ficam frente a frente, em margens opostas do Dordogne. O de Beynac, do século 12, se equilibra no alto de um penhasco e tem torre de menagem, salas mobiliadas e muralhas; fica a cerca de 11 km de Sarlat e abre de fevereiro ao início de janeiro.
O de Castelnaud, a cerca de 9 km, abriga um museu da guerra medieval, com catapultas em tamanho real, armaduras e demonstrações de armas, e é ótimo para quem viaja com crianças. Ele abre todos os dias do ano. Se o tempo for curto, escolha um dos dois: cada visita leva entre 1h e 1h30.
La Roque-Gageac, Domme e passeio de barco
Nove dos dez vilarejos da Dordogne que levam o selo de Plus Beaux Villages de France estão no Périgord Noir, perto de Sarlat. La Roque-Gageac, à beira do rio, fica a cerca de 5 km dos dois castelos. Domme, uma bastide (vila fortificada planejada da Idade Média), fica a uns 10 minutos dali.
De 1º de abril a 31 de outubro, saem passeios nas gabarres, os barcos tradicionais do Dordogne, com opções de cerca de 50 minutos ou 1h30. Para quem prefere remar, o trecho de canoa de Vitrac, a 8 km de Sarlat, até Castelnaud tem 12 km e leva cerca de 2h30.
Lascaux e o vale do Vézère
Ao norte de Sarlat, o vale do Vézère reúne 147 sítios pré-históricos, entre eles 25 cavernas decoradas. A mais famosa é Lascaux, descoberta em 12 de setembro de 1940 e fechada ao público desde 1963 para proteger as pinturas. Hoje se visita Lascaux IV, réplica completa da caverna original, no Centro Internacional da Arte Parietal, em Montignac.
Compre o ingresso com antecedência no site oficial de Lascaux, porque as visitas têm horário marcado. No mesmo vale, Les Eyzies tem as cavernas de Font-de-Gaume e Les Combarelles.
Quantos dias ficar
Um dia basta para o centro histórico de Sarlat, de preferência um sábado, por causa da feira. Mas o que faz a viagem valer é a região: o turismo da Dordogne sugere um fim de semana de dois dias, com a cidade e Marqueyssac no primeiro e um castelo, La Roque-Gageac e Domme no segundo, tudo a menos de 12 km de Sarlat.
Com três ou quatro dias, dá para somar Lascaux IV e o vale do Vézère, ou esticar até Rocamadour, no departamento vizinho do Lot. Com uma semana, use Sarlat como base para o roteiro do guia do Vale da Dordonha.
Onde ficar em Sarlat-la-Canéda
Dentro ou na borda da cidade medieval: é a melhor escolha para quem vai sem carro ou quer sair a pé para jantar e ver o centro iluminado. Nos dias de feira, a movimentação começa cedo, então quem tem sono leve deve preferir ruas laterais.
Arredores de Sarlat: casas de campo, chambres d’hôtes e hotéis com piscina a poucos quilômetros do centro servem bem a quem está de carro e quer tranquilidade. A cidade tem cerca de 3.500 vagas de estacionamento perto do centro, parte gratuita e parte paga na temporada.
Vilarejos do vale: dormir em Beynac, Vézac ou La Roque-Gageac coloca você ao lado do rio e dos castelos, mas exige carro para quase tudo. É a opção para quem já conhece Sarlat ou quer um roteiro mais rural. Veja as sugestões de hospedagem do nosso guia de Beynac-et-Cazenac.
Veja as hospedagens em Sarlat-la-Canéda no Booking.
Quando ir a Sarlat-la-Canéda
Sarlat tem clima temperado, com média anual em torno de 13 °C e chuva distribuída ao longo do ano (cerca de 900 mm, pelas normais de 1991 a 2020 de uma estação vizinha). O verão é quente e é a alta temporada: ruas cheias, passeios de barco funcionando e mais ônibus para os vilarejos.
A primavera e o início do outono costumam ser o melhor equilíbrio entre clima agradável e menos gente, e os barcos navegam até o fim de outubro. O inverno é mais frio e calmo, mas é a época das trufas e dos produtos de pato e ganso.
- Fête de la Truffe: em meados de janeiro (16 e 17 de janeiro de 2027).
- Fest’oie: festa do ganso, em março (6 e 7 de março de 2027).
- Journées du Terroir: em maio.
- Festival des Jeux du Théâtre: teatro ao ar livre, de 17 de julho a 2 de agosto de 2027.
- Festival du Film de Sarlat: em novembro.
- Noël à Sarlat: mercado de Natal, de 2 a 31 de dezembro de 2026.
Agenda completa no site do turismo de Sarlat.
Como chegar a Sarlat-la-Canéda
Do Brasil: não há voo direto para a região. O caminho mais comum é voar até Paris-Charles de Gaulle (Air France e LATAM têm voos diretos de Guarulhos) e seguir de trem, ou fazer conexão até Bordeaux-Mérignac ou Toulouse-Blagnac, os dois aeroportos grandes mais próximos, e continuar de carro ou trem.
De avião, dentro da Europa: os aeroportos mais próximos são os de Brive Vallée de la Dordogne e de Bergerac Dordogne Périgord, com poucas rotas.
De trem: há uma linha direta de TER entre Bordeaux e Sarlat. De Paris, as opções são o TGV até Libourne com baldeação para o TER Libourne–Sarlat, ou o trem da linha Paris–Toulouse até Brive ou Souillac, seguindo de ônibus (as ligações são poucas por dia, então confira os horários na SNCF antes).
De carro: é, segundo o próprio turismo local, o melhor jeito de chegar e de circular. Bordeaux fica a cerca de 2h30, Toulouse a 2h15 e Brive a 50 minutos.
Como se locomover
A pé: o centro medieval é compacto e se percorre inteiro caminhando.
Ônibus: Sarlat tem duas linhas urbanas e linhas regionais para Souillac e Périgueux. No verão, funcionam linhas turísticas: a 338 percorre o vale do Dordogne (Beynac, Vézac, Castelnaud, La Roque-Gageac, Vitrac e Domme), a 337 vai a Les Eyzies e a 339 cobre o vale do Vézère até Montignac. Os horários estão na página de ônibus do turismo de Sarlat.
Carro: é o que dá liberdade para combinar castelos, vilarejos e cavernas no mesmo dia. O estacionamento pago pode ser acertado pelo aplicativo Flowbird.
Bicicleta, táxi e excursões: há uma via verde para bicicletas, além de táxis e excursões para quem não quer dirigir.
Dicas práticas
- Moeda: euro (€).
- Idioma: francês. O site do turismo de Sarlat tem versão em inglês e espanhol, entre outras línguas.
- Tomada: tipos C e E, 230 V e 50 Hz. Confira se seus aparelhos são bivolt e leve um adaptador.
- Documentos: a França faz parte do Espaço Schengen, e brasileiros podem ficar até 90 dias, dentro de qualquer período de 180, sem visto. O passaporte deve valer pelo menos 3 meses após a data de saída. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja a lista completa no site da representação francesa no Brasil.
- Registro na fronteira (EES): o sistema europeu de registro biométrico de entradas e saídas está em pleno funcionamento desde 10 de abril de 2026.
- ETIAS: está previsto, mas ainda não está em vigor. Confira a situação no site oficial do ETIAS e desconfie de sites que cobram pelo pedido.
Perguntas frequentes
Sarlat-la-Canéda vale a pena?
Vale, principalmente para quem gosta de cidades medievais e gastronomia. O centro histórico é um dos mais bem preservados da França, e a cidade é a base ideal para conhecer castelos, vilarejos e as cavernas pré-históricas do Périgord.
Quantos dias ficar em Sarlat?
Dois dias são o mínimo para ver a cidade e um pedaço do vale do Dordogne. Com três ou quatro, dá para incluir Lascaux IV, o vale do Vézère e Rocamadour.
Dá para conhecer Sarlat sem carro?
Dá, com limitações. Há trem direto de Bordeaux e, no verão, ônibus para os vilarejos do vale e Montignac; fora da temporada, a alternativa são táxis e excursões.
Qual a melhor época para ir a Sarlat?
Primavera e início do outono, quando o clima é agradável, os passeios de barco funcionam e há menos gente que no verão. O inverno é calmo e tem os mercados de trufas.
Brasileiro precisa de visto para ir a Sarlat?
Não, para turismo de até 90 dias em qualquer período de 180. Leve comprovantes de hospedagem, meios financeiros, passagem de volta e seguro, que podem ser pedidos na fronteira. O ETIAS ainda não está em vigor.
Seguro viagem para França
A França faz parte do Espaço Schengen, e a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher a apólice no nosso guia de seguro viagem para França.
Confira as opções de seguro viagem para França.
Chip internacional para França
Internet no celular ajuda a usar o GPS entre castelos e vilarejos, conferir os horários dos ônibus de verão e pagar o estacionamento pelo aplicativo. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para França ou veja as alternativas de eSIM para França.
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