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Emilia-Romagna: o que fazer, onde ficar e dicas de viagem

Por Flávio AntunesAtualizado em 03/11/2026

Emilia-Romagna, Itália
Foto: Sterling Lanier / Unsplash

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A Emilia-Romagna é a região italiana que muita gente atravessa de trem entre Milão e Florença sem perceber o que está deixando para trás: os mosaicos dourados de Ravenna, a catedral românica de Modena, o presunto e o queijo de Parma, a cidade renascentista de Ferrara, os museus da Ferrari e da Lamborghini e uma faixa de praias no Adriático que lota no verão.

É também uma das regiões mais fáceis de visitar sem carro, porque quase todas as cidades ficam enfileiradas na mesma linha de trem. Por isso, montamos este guia com o que fazer em cada cidade, quantos dias reservar, qual cidade usar como base, quando ir e como chegar.

Onde fica a Emilia-Romagna

A Emilia-Romagna ocupa o norte da Itália, entre o rio Pó e os Apeninos, e vai do interior, perto de Piacenza, até o mar Adriático, em Rimini. A capital é Bolonha, que funciona como eixo de toda a viagem: fica a cerca de uma hora de trem rápido de Milão e a menos de uma hora de Florença.

O nome junta duas metades com sotaques e cozinhas próprias: a Emília, a oeste (Parma, Reggio Emilia, Modena, Bolonha), e a Romanha, a leste (Ravenna, Forlì, Cesena, Rimini). Vale a pena para quem gosta de comer bem, de arte e de cidades médias com vida própria, e encaixa bem num roteiro que já tenha Veneza, a Toscana ou a Lombardia.

O que fazer na Emilia-Romagna

A região tem vários bens na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, e boa parte das atrações abaixo entra nela. Separamos uma por cidade, mais a Motor Valley, a praia e a comida.

Bolonha e seus pórticos

Os pórticos de Bolonha, galerias cobertas que margeiam as calçadas, entraram na lista da UNESCO em 2021. A cidade soma cerca de 62 km deles, e 12 trechos foram escolhidos como os mais representativos. O mais longo sobe até o Santuário da Madonna di San Luca: são cerca de 3,8 km e 664 arcos.

Bolonha tem guia próprio aqui no site, com o centro histórico, as torres e as mesas da cidade: veja o guia de Bolonha. Neste guia da região, ela aparece sobretudo como base para os bate-voltas.

Ravenna e os mosaicos

Ravenna guarda oito monumentos paleocristãos dos séculos V e VI, reconhecidos pela UNESCO em 1996 principalmente pela qualidade dos mosaicos. Entre eles estão a Basílica de San Vitale, o Mausoléu de Galla Placidia, a Basílica de Sant’Apollinare Nuovo, o Batistério Neoniano, o Batistério dos Arianos e a Capela Arquiepiscopal.

A Basílica de Sant’Apollinare in Classe fica a cerca de 8 km do centro; dá para ir de trem (a estação de Classe fica a 5 minutos) ou com o ônibus 4. Na cidade também está o túmulo de Dante Alighieri, construído entre 1780 e 1782, atrás da Basílica de San Francesco.

Modena: catedral, Ghirlandina e balsâmico

A Piazza Grande, a Catedral e a Torre Civica, chamada de Ghirlandina, são Patrimônio Mundial desde 1997. A catedral do século XII nasceu da parceria entre o arquiteto Lanfranco e o escultor Wiligelmo, autor dos relevos com cenas do Gênesis na fachada. A Ghirlandina, símbolo da cidade, pode ser escalada para ver Modena do alto.

Modena é também a terra do vinagre balsâmico. O tradicional DOP envelhece pelo menos 12 anos numa sequência de barris de madeira e só é produzido nas províncias de Modena e Reggio Emilia; o Aceto Balsamico di Modena IGP é o mais comum nos mercados. Nossa dica é reservar uma visita a uma acetaia (produtora) para entender a diferença.

Parma: batistério, Correggio e Teatro Farnese

Na Piazza del Duomo de Parma ficam o Batistério octogonal de mármore, iniciado por Benedetto Antelami em 1196, e o Duomo, com a cúpula pintada por Correggio. A poucos passos, o complexo da Pilotta reúne a Galeria Nacional, a Biblioteca Palatina e o Teatro Farnese, um grande teatro de madeira construído em 1618.

Parma é Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO e capital do que os italianos chamam de Food Valley: o Prosciutto di Parma é curado nas colinas ao redor da cidade. Para ver Piazza del Duomo e a Pilotta com calma, conte meio dia para cada.

Ferrara, a cidade do Renascimento

Ferrara entrou na lista da UNESCO em 1995 como cidade do Renascimento, pelo planejamento urbano dos séculos XV e XVI feito pela família d’Este. Em 1999 a proteção foi ampliada para o Delta do Pó e as Delizie, residências de campo dos duques.

O passeio clássico sai do Castello Estense e segue pelo Corso Ercole I d’Este até o Palazzo dei Diamanti, com a fachada de pedras em ponta de diamante e a Pinacoteca Nacional no andar de cima. Depois, alugue uma bicicleta e percorra os cerca de 9 km das muralhas, que só se fazem a pé ou de bike.

Motor Valley: Ferrari, Lamborghini e Ducati

A Motor Valley é o nome do polo automobilístico da região, que reúne Ferrari, Lamborghini, Maserati, Pagani, Dallara e Ducati. Os museus mais visitados são o Museo Ferrari, em Maranello, e o Museo Enzo Ferrari, em Modena, perto da estação; há ainda o Museo Automobili Lamborghini, o Museo Ducati e o Museo Horacio Pagani.

Maranello fica a cerca de 18 km da estação de Modena. Há uma navete que liga a estação aos dois museus da Ferrari (bilhete à parte da entrada) e a linha 800 de ônibus da SETA. Quem gosta de corrida também encontra autódromos na região, como o Autodromo Internazionale Enzo e Dino Ferrari, em Imola, e o Misano World Circuit Marco Simoncelli, na província de Rimini.

Rimini e a Riviera Romagnola

A Riviera Romagnola tem cerca de 110 km de praias, de Comacchio a Cattolica, passando pelas praias de Ravenna, Cervia, Milano Marittima, Cesenatico, Rimini e Riccione. São praias de areia com estrutura completa de stabilimenti (barracas com guarda-sol e espreguiçadeira), e a noite se concentra em Rimini, Riccione e Milano Marittima.

Para quem viaja com crianças, a costa tem parques como Mirabilandia, Aquafan, Oltremare e Italia in Miniatura. E de Rimini sai o bate-volta mais óbvio da região: San Marino, a república encravada nas colinas logo atrás da costa.

Comer na Food Valley

Mais do que uma atração, a comida é o motivo de muita gente ir à Emilia-Romagna. O Parmigiano Reggiano é feito nas províncias de Parma, Reggio Emilia, Modena, Bolonha e Mântua e matura por pelo menos 12 meses. Somado ao presunto de Parma e ao balsâmico de Modena, dá um roteiro de visitas a produtores que se faz em um ou dois dias, com carro ou passeio guiado.

Quantos dias ficar na Emilia-Romagna

Com 3 dias, fique em Bolonha e faça dois bate-voltas de trem: Modena (com a Motor Valley) e Ravenna ou Parma. Com 5 dias, dá para incluir Ferrara e um dia de produtores na Food Valley. Com uma semana, divida entre Bolonha e a costa, somando a Riviera e San Marino.

Onde ficar na Emilia-Romagna

A escolha da cidade-base pesa mais do que a do bairro. Estas são as opções que funcionam melhor:

  • Bolonha: a melhor base para quem vai de trem e quer ver várias cidades. Fique no centro histórico ou perto da estação Bologna Centrale, de onde saem os regionais e os trens rápidos.
  • Modena: boa para quem vem pela Motor Valley e pelo balsâmico, e mais tranquila que Bolonha. O centro fica a uma caminhada da estação.
  • Parma: para quem prioriza a comida e quer explorar o lado oeste da região com calma.
  • Ravenna: para quem quer ver os mosaicos sem pressa, inclusive Sant’Apollinare in Classe, e chegar à praia em pouco tempo.
  • Rimini e Riccione: para o verão de praia, com muita oferta de hospedagem na orla e ligação de trem com o resto da região.

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Quando ir à Emilia-Romagna

As cidades de arte funcionam o ano todo; a primavera e o outono são as épocas mais agradáveis para andar a pé entre igrejas, museus e mercados. O verão é a alta temporada da Riviera, quando a costa enche e vale reservar hotel e guarda-sol com antecedência.

O grande evento da costa é a Notte Rosa, festa de música e espetáculos no começo do verão que ocupa a Riviera inteira; em 2026, a programação principal foi no fim de semana de 19 a 21 de junho.

Como chegar à Emilia-Romagna

Do Brasil: não há voo direto para a região. A ligação mais prática costuma ser o voo direto da LATAM entre São Paulo (Guarulhos) e Milão (Malpensa), de cerca de 11h20, seguido de trem até Bolonha. Outra opção é voar até Roma e seguir de trem, ou fazer conexão num hub europeu até o Aeroporto de Bolonha (Guglielmo Marconi).

Do aeroporto de Bolonha ao centro, o trem Marconi Express leva cerca de 7 minutos; o bilhete simples custa cerca de €12,80 (valores de 2026; podem mudar). Confira no site do aeroporto.

De trem, dentro da Itália: o Frecciarossa liga Milão a Bolonha em cerca de 1 hora e Florença a Bolonha em cerca de 40 minutos. Horários e preços estão na Trenitalia.

Como se locomover na Emilia-Romagna

O trem é o melhor meio para ir de cidade em cidade. A partir de Bologna Centrale, os tempos aproximados são:

  • Modena: cerca de 30 minutos no regional.
  • Ferrara: de 20 a 30 minutos.
  • Parma: de 50 minutos a pouco mais de 1 hora.
  • Ravenna: cerca de 1 hora nos trens mais rápidos.
  • Rimini: cerca de 1 hora, variando com o tipo de trem.

Dentro das cidades, os centros históricos são compactos e se fazem a pé, e Ferrara é uma cidade de bicicleta. O carro só compensa para visitar produtores de queijo, presunto e balsâmico no interior ou para circular pela Motor Valley; atenção às zonas de tráfego limitado (ZTL) nos centros, onde carros de fora não podem entrar.

Dicas práticas

  • Moeda: euro (€).
  • Idioma: italiano. Nas áreas turísticas e na Riviera, o inglês costuma resolver.
  • Tomada: 230 V, com plugues dos tipos C, F e L. Leve um adaptador que aceite o tipo L, de três pinos redondos em linha, comum em prédios mais antigos.
  • Documentos: a Itália faz parte do Espaço Schengen, e o brasileiro pode ficar até 90 dias em cada período de 180 sem visto, para turismo. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos.
  • EES e ETIAS: desde outubro de 2025, o Sistema de Entrada/Saída (EES) registra digitais e foto de quem chega de fora da UE. A autorização eletrônica ETIAS está prevista, mas ainda sem data em vigor; confira a situação no site oficial da União Europeia.

Perguntas frequentes

Vale a pena visitar a Emilia-Romagna?

Sim, sobretudo para quem gosta de comida e arte. Em poucos dias e só de trem, você vê os mosaicos de Ravenna, a catedral de Modena, Parma e Ferrara, todas com bens reconhecidos pela UNESCO.

Quantos dias ficar na Emilia-Romagna?

De 3 a 5 dias para as cidades de arte, com base em Bolonha. Some mais dois ou três se quiser praia na Riviera Romagnola.

Qual a melhor cidade para se hospedar na Emilia-Romagna?

Bolonha, para a maioria dos roteiros. Ela fica no meio da linha de trem e tem ligação rápida com Modena, Ferrara, Parma, Ravenna e Rimini, além de Milão e Florença.

Dá para visitar o museu da Ferrari sem carro?

Dá. O Museo Enzo Ferrari fica perto da estação de Modena, e há navete e ônibus de linha (a 800 da SETA) até o Museo Ferrari de Maranello.

Qual a melhor época para ir à Emilia-Romagna?

Primavera e outono, para as cidades de arte. Para praia na Riviera, o verão, quando a costa está com tudo aberto.

Brasileiro precisa de visto para a Emilia-Romagna?

Não, para turismo de até 90 dias em cada 180, por estar no Espaço Schengen. Leve passaporte válido, comprovante de seguro e de meios para a estadia, e confira a situação do ETIAS antes de viajar.

Como ir de Bolonha a Ravenna?

De trem regional, em cerca de 1 hora nos trens mais rápidos. Confira os horários na Trenitalia, porque a duração varia conforme a composição.

Seguro viagem para a Itália

No Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro na chegada, e a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos também para quem viaja sem visto. Além disso, um atendimento médico ou uma bagagem extraviada no meio do roteiro sai bem mais caro sem cobertura. Veja o que considerar no nosso guia de seguro viagem para a Itália.

Confira as opções de seguro viagem para a Itália.

Chip internacional para a Itália

Com internet no celular, você consulta horários de trem, compra bilhetes do Marconi Express e da navete da Ferrari e usa o mapa entre uma cidade e outra sem depender de wi-fi. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para a Itália.

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