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Lucca: o que fazer, onde ficar e dicas de viagem

Por Flávio AntunesAtualizado em 03/11/2026

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Lucca é a cidade da Toscana que ainda vive inteira dentro das suas muralhas. São cerca de 4 km de muros dos séculos 16 e 17, largos o bastante para virar parque, onde moradores e turistas caminham e pedalam à sombra de árvores centenárias.

Lá dentro, a “cidade das cem igrejas” é plana e quase toda fechada ao trânsito, com uma praça oval sobre um anfiteatro romano, uma torre com árvores no topo e a casa onde nasceu Giacomo Puccini. Tudo isso a menos de 30 minutos de trem de Pisa.

Por isso, montamos este guia com o que fazer em Lucca, quantos dias ficar, onde se hospedar, como chegar de Florença e de Pisa e o que o brasileiro precisa saber para entrar na Itália.

Onde fica Lucca

Lucca fica no norte da Toscana, no centro da planície de Lucca, a Piana di Lucca, desenhada pelo rio Serchio. Tem cerca de 89 mil habitantes e fica no caminho da Via Francigena, a antiga rota de peregrinos.

Lucca fica a cerca de 21 km de Pisa e a cerca de 75 km de Florença, pela rodovia A11, a Firenze-Mare. Isso faz dela um ótimo bate-volta e também uma base tranquila para conhecer a região.

O que fazer em Lucca

Caminhar ou pedalar sobre as muralhas

As muralhas de Lucca são o cartão-postal da cidade. Erguidas entre 1513 e 1645, têm cerca de 4,2 km de extensão e, segundo o portal oficial de turismo da Itália, 12 metros de altura e 30 metros de largura. Hoje formam um anel verde e elevado em volta de todo o centro histórico.

O caminho alterna baluartes, gramados e alamedas de tílias, plátanos, castanheiras, faias e magnólias. Dá para dar a volta inteira a pé ou de bicicleta, o programa mais típico da cidade. Há também visitas guiadas aos subterrâneos dos baluartes de San Colombano e Santa Croce.

Piazza dell’Anfiteatro

A Piazza dell’Anfiteatro é uma praça oval cercada de casas coloridas, com cafés e restaurantes no térreo. O formato não é por acaso: ela segue o traçado de um anfiteatro romano do século 1 ou 2, que comportava cerca de 10 mil espectadores e hoje está enterrado a uns 3 metros de profundidade.

A partir de 1830, o arquiteto Lorenzo Nottolini demoliu as casas erguidas no miolo da antiga arena e abriu a praça atual, com acesso por apenas quatro arcos.

Subir a Torre Guinigi

A Torre Guinigi, de pedra e tijolo, tem 45 metros e um detalhe que a torna inconfundível: um jardim suspenso com azinheiras no topo. Foi construída no século 14 pela família Guinigi, de banqueiros e comerciantes, e é uma das duas únicas torres medievais que ficaram intactas, das cerca de 130 que Lucca já teve.

São 230 degraus, em 25 lances de escada, sem elevador. O turismo de Lucca recomenda reservar on-line nos dias de semana e diz que a reserva é obrigatória nos fins de semana e feriados.

Torre delle Ore

A outra torre medieval que sobreviveu é a Torre delle Ore, a torre do relógio, com 50 metros, a mais alta da cidade. O mecanismo do relógio que ainda funciona foi encomendado em 1752 ao relojoeiro genebrino Louis Simon.

A subida é por 207 degraus de madeira até o campanário, com a mesma regra de reserva da Torre Guinigi.

Catedral de San Martino

A Catedral de San Martino, consagrada em 1070, tem uma fachada românica assimétrica, redesenhada em 1308. Lá dentro ficam o Volto Santo, crucifixo de madeira venerado por peregrinos da Via Francigena, e o túmulo de Ilaria del Carretto, obra-prima renascentista de Jacopo della Quercia.

O campanário, de cerca de 60 metros, está aberto ao público desde 2016: são 217 degraus até uma vista de 360 graus. A visita é paga e os horários variam ao longo do ano.

San Michele in Foro e San Frediano

A igreja de San Michele in Foro chama atenção pela fachada branca, coroada pela estátua de um arcanjo. Ela fica na Piazza San Michele, bom ponto de partida para andar pelo centro.

A Basílica de San Frediano, uma das mais antigas da cidade, tem um grande mosaico dourado na fachada. Foi ali que o Volto Santo ficou guardado antes de ir para a catedral.

Via Fillungo e o centro histórico

A Via Fillungo é a rua mais animada de Lucca, com torres medievais, palácios, vitrines antigas e cafés. Vale também se perder pelos pátios e ruelas ao redor, bem mais calmos.

Casa de Puccini

A casa onde nasceu Giacomo Puccini, autor de La Bohème, Tosca e Madama Butterfly, na Corte San Lorenzo, 9, virou o Puccini Museum, com móveis, pinturas e documentos da família, além de partituras autografadas e o piano do compositor.

Confira os horários no site do museu, que anunciou fechamento sazonal de 2 a 12 de novembro de 2026.

Palácios, museus e o Jardim Botânico

Para ver a Lucca aristocrática, há o Palazzo Mansi, do século 17, com galerias de afrescos e pinacoteca; o Palazzo Pfanner, com jardim barroco; e o Museu Nacional de Villa Guinigi, com peças etruscas, esculturas medievais e pintura renascentista.

Colado às muralhas, perto da Porta Elisa, o Jardim Botânico foi criado no início do século 19 por iniciativa de Maria Luísa de Bourbon. Tem árvores centenárias, estufas e um lago com nenúfares.

Se você pretende entrar em vários lugares, compare com a Lucca Visit Card, passe que dá acesso a 11 atrações, entre elas as duas torres, o museu da catedral e a casa de Puccini. Custa cerca de €29 por 3 dias ou €48 por 10 dias (valores de 2026; podem mudar) e é vendida nas bilheterias, nos postos de turismo e on-line.

Provar a cozinha lucchese

O prato que você vai ver em todo cardápio é o tordelli al ragù, massa recheada servida com molho de carne. Também são típicas as sopas rústicas, e o doce símbolo da cidade é o buccellato, um pão doce com erva-doce e uvas-passas.

Quantos dias ficar

Um dia inteiro dá para dar a volta nas muralhas, subir uma das torres, ver a catedral e a Piazza dell’Anfiteatro.

Com 2 ou 3 dias, você entra nos museus sem pressa e usa Lucca como base para:

  • Pisa: cerca de 27 minutos de trem regional, com partidas a cada hora.
  • Florença: cerca de 1h20 de trem até a estação Santa Maria Novella.
  • Viareggio: o litoral da Versília, ligado a Lucca por trem e ônibus.
  • Vilas e jardins da Lucchesia: como a Villa Garzoni, em Collodi, e a Villa Reale di Marlia, em Capannori, melhores de carro.

Numa viagem mais longa, combine Lucca com Arezzo, no leste da Toscana, e com as Cinque Terre.

Onde ficar em Lucca

A escolha depende do seu meio de transporte:

  • Dentro das muralhas: para quem quer fazer tudo a pé e sair à noite. Fica na zona de tráfego limitado, então não é para quem chega de carro.
  • Perto da estação, na Piazza Ricasoli: logo fora das muralhas e a poucos minutos a pé do centro. Serve bem para quem vai fazer bate-voltas de trem a Pisa e Florença.
  • Arredores e campo da Lucchesia: para quem viaja de carro e quer silêncio e paisagem de vilas e olivais, indo à cidade só para passear.

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Quando ir a Lucca

As melhores épocas são a primavera (abril a junho) e o outono (setembro e outubro), com temperatura boa para pedalar nas muralhas. Na primavera florescem as tílias, magnólias e tulipeiras dos baluartes; no outono, os carvalhos, faias e plátanos mudam de cor.

O verão é quente: pelas médias de 1991 a 2020 do consórcio meteorológico LaMMA, a máxima média de julho passa de 31 °C. Em janeiro, a média fica em torno de 7 °C.

Fique de olho nos eventos, que mudam a cara (e o preço) da cidade:

  • Lucca Summer Festival (julho): shows de artistas internacionais dentro das muralhas.
  • Luminara (setembro): procissão do Volto Santo, com milhares de velinhas iluminando o centro histórico.
  • Lucca Comics & Games (fim de outubro, até o início de novembro): o maior festival de quadrinhos, anime e jogos da Itália, que ocupa o centro inteiro. Se não vai ao festival, evite essas datas.
  • Dezembro: feira de Natal na Piazza San Francesco.

Confira o calendário no site de eventos do turismo de Lucca.

Como chegar a Lucca

Do Brasil, você conecta numa cidade europeia e segue até o Aeroporto Galileo Galilei, de Pisa, o mais próximo, ou o Aeroporto Amerigo Vespucci, de Florença. De Pisa, o trem Pisa Mover leva do aeroporto à estação Pisa Centrale, onde você pega o trem para Lucca.

  • Trem de Florença: regionais da Trenitalia saem de Santa Maria Novella a cada hora e levam cerca de 1h20.
  • Trem de Pisa: de Pisa Centrale, cerca de 27 minutos, com partidas a cada hora; a estação Pisa San Rossore também tem ligação com Lucca.
  • A estação: fica na Piazza Ricasoli, logo fora das muralhas, a poucos minutos a pé do centro.
  • Ônibus: as linhas da Autolinee Toscane param na Piazzale Verdi, junto à muralha, e saem de Florença (Porta al Prato-Leopolda), de Pisa (estação central) e de Viareggio. Há também ônibus da FlixBus de Florença.
  • Carro: pela A11 (Firenze-Mare), saídas Lucca Est ou Lucca Ovest. De Florença são cerca de 75 km, perto de 50 minutos; de Pisa, cerca de 21 km.

Como se locomover

Dentro das muralhas, ande a pé ou de bicicleta: o centro é plano e quase todo de pedestres. Há várias lojas de aluguel de bicicleta no centro e também as bicicletas compartilhadas da Lime, pelo aplicativo, por cerca de €1 para desbloquear mais €0,25 por minuto (valores de 2026; podem mudar).

De carro, atenção à ZTL, a zona de tráfego limitado que cobre a maior parte do centro histórico: entrar sem autorização gera multa. O turismo de Lucca recomenda deixar o carro nos estacionamentos fora das muralhas, administrados pela LuccaPlus. No centro, as vagas de faixa azul são pagas e as amarelas, de moradores.

Dicas práticas

  • Moeda: euro.
  • Idioma: italiano.
  • Tomada e voltagem: tomadas dos tipos C, F e L, 230 V e 50 Hz. O plugue brasileiro de dois pinos finos costuma entrar na tipo C, mas o de três pinos não; leve um adaptador.
  • Documentos: a Itália faz parte do Espaço Schengen, e brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180. A imigração pode pedir comprovante de hospedagem, de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja a página da Embaixada da Itália.
  • ETIAS: a autorização eletrônica de viagem para quem é isento de visto está prevista, mas ainda sem data em vigor. Confira no site oficial do ETIAS antes de viajar.
  • Atendimento ao turista: o posto IAT fica na antiga Porta San Donato, na Piazzale Verdi, aberto das 9h30 às 18h30 de abril a outubro e das 9h30 às 16h30 de novembro a março.

Perguntas frequentes

Vale a pena visitar Lucca?

Vale, principalmente para quem quer uma Toscana mais tranquila que Florença. As muralhas, as torres e a Piazza dell’Anfiteatro cabem num dia, a menos de 30 minutos de trem de Pisa.

Quantos dias ficar em Lucca?

Um dia basta para o essencial. Com 2 ou 3 dias, você entra nos museus com calma e usa a cidade como base para Pisa, Florença e o litoral.

Como ir de Florença a Lucca?

O mais fácil é o trem regional da Trenitalia, que sai de Santa Maria Novella a cada hora e leva cerca de 1h20. A estação de Lucca fica logo fora das muralhas.

Qual a melhor época para ir a Lucca?

Primavera e outono, quando o clima é bom para pedalar nas muralhas. Julho tem o Lucca Summer Festival, e o fim de outubro tem o Lucca Comics & Games, que lota a cidade.

Dá para andar de carro dentro das muralhas de Lucca?

Não sem autorização: a maior parte do centro é ZTL, a zona de tráfego limitado. Deixe o carro num estacionamento fora das muralhas e entre a pé ou de bicicleta.

Brasileiro precisa de visto para a Itália?

Não, para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. A imigração pode pedir comprovante de hospedagem, de seguro e de meios para a estadia, e vale acompanhar o ETIAS, que ainda não tem data para começar.

Seguro viagem para a Itália

Na Itália, como em todo o Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, e uma consulta ou internação sem cobertura pode sair caro. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para a Itália.

Confira as opções de seguro viagem para a Itália.

Chip internacional para a Itália

Em Lucca, internet no celular ajuda a reservar as torres, desbloquear a bicicleta compartilhada e conferir os trens. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para a Itália.

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