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Riomaggiore: o que fazer, onde ficar e dicas de viagem

Por Flávio AntunesAtualizado em 03/11/2026

Riomaggiore, Itália
Foto: Timothy A. Gonsalves, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

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Riomaggiore é a primeira das Cinque Terre para quem chega de La Spezia, e por isso o próprio turismo local a chama de porta de entrada leste da região. A vila desce por um vale estreito até uma marina minúscula, com casas altas e coloridas encaixadas dos dois lados e barcos de madeira puxados para a rampa.

É daqui que sai a Via dell’Amore até Manarola, além das trilhas para o santuário de Montenero e para Portovenere. Embaixo, uma área marinha protegida; em cima, um castelo do século 13.

Por isso, montamos este guia de Riomaggiore com o que ver na vila, onde entrar no mar, as trilhas que começam aqui, quantos dias reservar, onde dormir, a melhor época e como chegar de trem, carro ou barco.

Onde fica Riomaggiore

Riomaggiore fica na Ligúria, no noroeste da Itália, na província de La Spezia. É sede de um município que inclui também Manarola, sua vizinha imediata. Na sequência das cinco vilas, é a última de quem vem do norte: Monterosso, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore.

O território vai do mar à serra, em dois vales cortados pelos riachos Rio Maggiore e Rio Finale. A lenda atribui a fundação, no século 8, a refugiados gregos; os documentos citam a vila a partir de 1251.

Vale a pena para quem quer uma vila com cara de porto de pescadores, gosta de trilha e prefere ficar perto de La Spezia, a apenas uma estação de trem. Quem procura praia de areia vai se dar melhor em Monterosso; aqui o banho de mar é em pedra e seixo.

O que fazer em Riomaggiore

Descer a Via Colombo até a marina

A Via Colombo é a espinha da vila: totalmente de pedestres, ela desce da parte alta até o mar. Da estação, chega-se a ela por um túnel de pedestres, e a descida até a marina leva cerca de 10 minutos, entre mercadinhos, farmácia, caixas eletrônicos e balcões de peixe frito e focaccia.

Na própria Via Colombo fica o oratório de Santa Maria Assunta, do século 16, que guarda um tríptico do século 15.

Ver o fim de tarde na marina

A marina é o núcleo mais antigo junto ao mar e ainda funciona como ancoradouro de barcos locais. Os gozzi, barcos de madeira dos pescadores, ficam muitas vezes puxados para a rampa, entre as fachadas coloridas e as falésias.

É uma das vistas mais conhecidas da vila, sobretudo no fim da tarde, quando a luz bate nas casas. Evite o meio do dia, o horário mais cheio.

Igreja de San Giovanni Battista

Na parte alta, a Igreja de San Giovanni Battista foi fundada em 1340. A fachada neogótica é resultado de uma reconstrução de 1820, depois de um terremoto, e preserva a rosácea de mármore branco de Carrara.

Dentro, repare no crucifixo de madeira atribuído a Maragliano e na tela de Domenico Fiasella com a pregação de São João Batista. O padroeiro é festejado em 24 de junho, com procissão pelas ruas.

Subir ao Castelo de Riomaggiore

Na colina de Cerricò, acima da igreja, o castelo foi erguido no século 13 para vigiar ataques vindos do mar e completado entre os séculos 15 e 16. Restam as muralhas e duas torres circulares; na época napoleônica, o espaço chegou a virar cemitério.

Hoje abriga a exposição permanente “Cinque Terre, a Human Landscape” e uma experiência de realidade virtual sobre o trecho entre Riomaggiore e Manarola. A entrada custa cerca de €4 e está incluída na Cinque Terre Card com Via dell’Amore, com possível suplemento para a realidade virtual (valores de 2026; podem mudar).

Nossa dica para poupar as pernas: na saída do túnel da estação, vire à esquerda e pegue o elevador público até a parte alta. Ele para perto de San Giovanni Battista, a 2 ou 3 minutos a pé do castelo.

Entrar no mar e mergulhar na área protegida

Junto à marina há um trecho de pedras usado para tomar sol e entrar na água. Seguindo pelas rochas à esquerda, de frente para o mar, chega-se a uma praia de seixos mais abrigada, a principal da vila. Tem chuveiros, mas não tem salva-vidas, e as pedras grandes na beira pedem cuidado com mar mexido.

O mar em frente faz parte da Área Marinha Protegida das Cinque Terre, criada em 1999. No Capo di Montenero, zona de proteção máxima, fica uma parede de até 20 metros indicada para mergulho de iniciantes. Há operadores de mergulho e snorkel na própria vila.

Começar a Via dell’Amore

A Via dell’Amore, cerca de 900 metros escavados no penhasco até Manarola, tem a entrada em Riomaggiore e funciona em sentido único. Você caminha até Manarola e volta de trem, em cerca de 3 minutos.

O acesso exige reserva de horário no site oficial da Cinque Terre Card. A história do caminho, os horários da temporada e a alternativa pela trilha 531 estão no nosso guia de Manarola.

Caminhar até o Santuário de Montenero

A cerca de 340 metros de altitude, o Santuário de Nossa Senhora de Montenero, documentado desde 1335, tem vista aberta para a vila e o mar.

A trilha 593V sai da parte alta, na área do Lavaccio, e sobe entre vinhedos em terraços: cerca de 3,5 km, que o parque calcula em 55 minutos. Pela estrada costeira SP 370, o trecho final a pé leva de 15 a 20 minutos. A vila sobe em procissão ao santuário em Pentecostes e no quarto domingo de julho.

Encarar a trilha até Portovenere

Para quem tem fôlego, Riomaggiore é a porta da caminhada mais longa do sul do parque. A trilha 593 sobe da vila até o Telegrafo, na crista, em cerca de 1h45; de lá, a 598-1 desce até Portovenere, em mais 3h20, segundo o parque.

Também saem daqui a 501, até Sella La Croce (1h30), e a 531, a via Beccara, até Manarola pelo alto (1 hora), ambas para caminhantes experientes. Confira o status na página de trilhas do parque antes de sair, porque fechamentos são frequentes.

Provar a cozinha da vila

Os guias locais destacam a torta de arroz, salgada, que aparece na festa de São João, a sopa de ervas do campo com batata e azeite, o bacalhau seco, as anchovas salgadas e os mexilhões recheados. Para acompanhar, os brancos das Cinque Terre e o Sciacchetrà, o vinho doce da costa.

Quantos dias ficar

Meio dia cobre a vila; com a Via dell’Amore e Montenero, um dia cheio. A trilha até Portovenere pede outro dia.

Como base para as Cinque Terre, reserve de 2 a 3 dias. De trem, a partir de Riomaggiore, Manarola fica a cerca de 3 minutos, Corniglia a 6, Vernazza a 9, Monterosso a 14 e Levanto a 20.

Onde ficar em Riomaggiore

A oferta é de quartos, pousadas e apartamentos em casas antigas, quase sempre com escada:

  • Parte baixa, perto da marina e da Via Colombo: para quem quer descer ao mar e jantar sem subir ladeira.
  • Parte alta, perto da igreja e do castelo: mais sossego, vista sobre os telhados e saída direta para as trilhas de Montenero e do Telegrafo.
  • La Spezia: a 10 minutos de trem, tem mais opções e preços variados. Veja o nosso guia de La Spezia.

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Quando ir a Riomaggiore

O clima é o mediterrâneo de toda a costa lígure, com verão quente e chuva concentrada no outono; as médias mês a mês estão no guia de La Spezia. Em Riomaggiore, cada época favorece um tipo de passeio:

  • Primavera e outono: as melhores estações para as trilhas de Montenero e Portovenere, com menos calor e menos gente.
  • Verão: mar bom para nadar e mergulhar, mas marina e Via Colombo cheias. Em 24 de junho é a festa de São João Batista; no quarto domingo de julho, a festa no santuário de Montenero.
  • Inverno: vila tranquila e bonita para fotografar, mas com obras na ferrovia. Os trens entre Corniglia e La Spezia, trecho que inclui Riomaggiore, param nos fins de semana de 14 e 15 de novembro e 19 e 20 de dezembro de 2026 e de 9 e 10 de janeiro e 6 e 7 de fevereiro de 2027.

Como chegar a Riomaggiore

Do Brasil: o caminho mais comum é voar para Roma ou Milão e seguir de trem, ou conectar em outro hub europeu até Pisa. O aeroporto de Pisa fica a cerca de 95 a 100 km; o de Gênova, a cerca de 130 km; e Milão-Malpensa, a quase 300 km.

De trem: Riomaggiore está na linha costeira dos regionais da Trenitalia entre La Spezia e Levanto. Tempos aproximados até a vila:

  • De La Spezia Centrale: cerca de 10 minutos.
  • De Gênova (Brignole): cerca de 1h50, sem baldeação.
  • Do aeroporto de Pisa: cerca de 1h40, trocando em Pisa Centrale e La Spezia Centrale.
  • De Florença (Santa Maria Novella): cerca de 2h30, com as mesmas duas trocas.
  • De Milão (Centrale): cerca de 3h30, com troca em Sestri Levante.

De carro: são cerca de 15 km e 30 minutos desde La Spezia, e a estrada costeira chega bem até a vila. Mas no verão não há onde estacionar, e o único estacionamento pago na entrada da vila funciona só na baixa temporada. Prefira o trem.

De barco: na temporada, de fim de março a início de novembro, a Navigazione Golfo dei Poeti liga La Spezia e Portovenere às vilas à beira-mar, com parada em Riomaggiore.

Como se locomover

Na vila, tudo se faz a pé, por ladeiras e escadarias, com o elevador público da estação como atalho para a parte alta.

Para as outras vilas, use o trem regional. Se for usar vários trens e entrar na Via dell’Amore no mesmo dia, a Cinque Terre Train Card costuma compensar: de 2 de novembro a 31 de dezembro de 2026, a de 1 dia para adulto custa €17,30; na temporada de 2026, custou de €22 a €35, conforme o movimento do dia (valores de 2026; podem mudar). A diferença entre ela e a Trekking Card, que não inclui trem, está no nosso guia de Corniglia.

A estação de Riomaggiore não tem bilheteria com atendimento, mas vende a card e os bilhetes nas máquinas de autoatendimento; também no app da Trenitalia e no site da card. Atenção à volta: em noites de fim de semana, os trens entre Levanto e La Spezia ficam suspensos das 22h30 às 6h30.

Dicas práticas

  • Moeda: euro (€).
  • Idioma: italiano.
  • Tomadas: 230 V e 50 Hz, com plugues dos tipos C, F e L. Leve adaptador.
  • Banheiro: o da estação de Riomaggiore é gratuito para quem tem a Cinque Terre Card.
  • Documentos: brasileiro não precisa de visto para turismo de até 90 dias num período de 180. A Embaixada da Itália em Brasília informa que a fronteira pode pedir reserva de hospedagem, seguro saúde e prova de recursos.
  • EES e ETIAS: o Sistema de Entrada e Saída, com coleta de digitais e foto, funciona em todas as fronteiras do Schengen desde 10 de abril de 2026. O ETIAS está previsto, mas ainda sem data em vigor; acompanhe no site oficial do ETIAS.

Perguntas frequentes

Vale a pena conhecer Riomaggiore?

Vale. É a vila mais perto de La Spezia, com marina de pescadores, castelo com mirante e a entrada da Via dell’Amore.

Riomaggiore tem praia?

Tem uma praia de seixos e pedras grandes ao lado da marina, sem salva-vidas. Não há areia; para isso, a vila indicada é Monterosso.

Quantos dias ficar em Riomaggiore?

Meio dia para a vila e um dia com a Via dell’Amore e Montenero. Como base para as cinco vilas, de 2 a 3 dias.

A Via dell’Amore começa em Riomaggiore?

Sim. A entrada é em Riomaggiore e o sentido é único até Manarola, com reserva de horário no site oficial da Cinque Terre Card.

Qual a melhor época para ir a Riomaggiore?

Primavera e outono para trilhas; verão para mar e mergulho, com mais gente. No inverno, confira as suspensões de trem nos fins de semana.

Brasileiro precisa de visto para a Itália?

Não, para turismo de até 90 dias num período de 180. Leve comprovantes de hospedagem, seguro e recursos; o ETIAS ainda não tem data para começar.

Seguro viagem para Itália

No Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Em Riomaggiore, com trilhas de várias horas pela serra, mergulho e praia de pedras sem salva-vidas, ter atendimento médico garantido pesa ainda mais. Veja os detalhes no nosso guia de seguro viagem para a Itália.

Confira as opções de seguro viagem para Itália.

Chip internacional para Itália

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