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Comino é a menor das ilhas habitadas do arquipélago de Malta: são cerca de 3,5 km² entre Malta e Gozo, praticamente sem moradores, sem carros e sem estradas. É ali que fica a Lagoa Azul (Blue Lagoon), a enseada de água turquesa e fundo de areia que virou a imagem mais famosa do país.
A ilha é reserva natural e área Natura 2000, e o acesso à Lagoa Azul passou a ter regras próprias, com reserva de horário. Por isso, antes de entrar no barco, vale entender como funciona a visita e o que existe (e o que não existe) por lá.
Montamos este guia com o que fazer em Comino, como reservar a Lagoa Azul, quanto tempo reservar, onde se hospedar, a melhor época, como chegar e as dicas práticas para brasileiros.
Onde fica Comino
Comino (Kemmuna, em maltês) fica no canal entre a ilha principal de Malta e Gozo, ao lado da ilhota de Cominotto. Do porto de Mġarr, em Gozo, a travessia leva cerca de 15 minutos; de Ċirkewwa, no norte de Malta, cerca de 35 minutos, segundo o turismo de Gozo.
Segundo o Visit Gozo, a ilha tem apenas dois moradores. Não há estradas, lojas nem serviços, só quiosques sazonais na alta temporada. Por isso, quase todo mundo visita Comino num passeio de um dia, a partir de Gozo ou do norte de Malta.
Vale a pena para quem quer nadar em água cristalina, fazer snorkel, mergulhar ou caminhar por uma paisagem selvagem. Quem procura vida noturna, restaurantes e conforto deve se hospedar em outro lugar e vir só para o dia.
O que fazer em Comino
Lagoa Azul (Blue Lagoon)
A Lagoa Azul fica entre Comino e Cominotto e é a principal atração da ilha, com água azul-turquesa e areia clara, procurada para banho, snorkel e mergulho. No verão, recebe muitos visitantes e barcos de passeio por dia.
Nossa dica é reservar o turno assim que definir a data, principalmente no verão, e combinar o horário com o do barco. Leve água, lanche e protetor solar, porque a estrutura é mínima.
Como funciona a reserva da Lagoa Azul
Desde 2025, quem vai desembarcar na área da Lagoa Azul precisa reservar antes um horário gratuito, dentro da iniciativa “Book. Protect. Enjoy.”, gerida pela Malta Tourism Authority. Segundo o Visit Gozo, há três turnos por dia (manhã, tarde e noite) e até 4.000 pessoas podem estar na área ao mesmo tempo.
A reserva gera um QR code, que você troca por uma pulseira nos pontos de entrada. A reserva é feita no site oficial da Lagoa Azul, o mesmo para onde aponta o Visit Malta. Respeite o horário escolhido, siga as orientações dos fiscais e leve todo o seu lixo de volta.
Cuidado com sites que cobram pelo “ingresso”: a reserva oficial divulgada pelo turismo de Gozo é gratuita. O que se paga é o barco até a ilha.
Crystal Lagoon
Vizinha da Lagoa Azul e bem menos conhecida, a Crystal Lagoon faz jus ao nome, segundo o Visit Gozo. Ela fica no caminho da trilha que contorna a ilha.
Santa Marija Bay
Do lado norte, a Santa Marija Bay é uma praia de areia, calma e de água rasa, boa para crianças e para quem quer fugir do movimento da Lagoa Azul. Perto dela ficam uma antiga capela e um velho posto policial à beira d’água.
A capela de Santa Marija foi construída em 1618 e ampliada em 1667 e 1716; a festa anual da santa foi retomada em 2015.
Torre de Santa Marija
Construída pelos Cavaleiros de São João em 1618 para vigiar o canal entre Malta e Gozo, a Torre de Santa Marija fica a cerca de 80 metros acima do mar e tem vista panorâmica das ilhas. Ela fez o papel do Château d’If no filme O Conde de Monte Cristo (2002).
Restaurada em 2004, é gerida pela Heritage Malta e abre ao público de abril ao fim de outubro. Confira dias e horários no site da Heritage Malta.
Bateria de Santa Marija e o antigo hospital
No lado sul, a Bateria de Santa Marija, de 1716, é uma fortificação semicircular voltada para o canal, com dois canhões de ferro; foi restaurada em 1996 pela Din l-Art Ħelwa.
Perto da torre fica o maior edifício da ilha, um conjunto abandonado com loggias que serviu de hospital de isolamento no período britânico.
Trilha em volta da ilha
Dá para dar a volta em Comino a pé em cerca de três horas, por trilhas de terra e pedra no meio da garrigue. O circuito passa pela Lagoa Azul, pela Crystal Lagoon, pela torre, pela bateria e pela capela de Santa Marija.
Use calçado fechado e leve bastante água, porque não há onde comprar nada ao longo do caminho. Coelhos selvagens, camaleões e aves migratórias aparecem pelo trajeto, e a ilha é área importante para a reprodução da pardela-mediterrânica (yelkouan).
Cavernas, mergulho e caiaque
A costa recortada tem muitas cavernas marinhas, que já serviram de esconderijo de piratas. As cavernas de Santa Marija são procuradas para snorkel e mergulho, e há ainda o naufrágio do P31 e a formação rochosa conhecida como “Cabeça de Elefante”, no leste da ilha.
Quem tem experiência pode atravessar de caiaque a partir de Gozo e desembarcar na Lagoa Azul ou na Santa Marija Bay. Empresas de Gozo fazem passeios guiados, com participação de crianças a partir de 8 anos.
Quantos dias ficar
Para a maioria dos viajantes, um dia é suficiente: um turno na Lagoa Azul e um passeio de barco pelas cavernas, ou a trilha completa em volta da ilha. Quem quer fazer as duas coisas com calma pode reservar o dia inteiro.
Como não há estrutura de hospedagem em funcionamento confirmada, o mais prático é encaixar Comino como bate-volta dentro de uma viagem a Malta e Gozo, com base no norte da ilha principal ou em Gozo.
Onde ficar em Comino
Na prática, não há onde dormir em Comino. O único hotel da ilha, construído nos anos 1960 acima da baía de San Niklaw, é objeto de um projeto de reconstrução, e as páginas oficiais de turismo não indicam hospedagem aberta na ilha. A exceção é o camping temporário no Tal-Ful Camping Site; antes de planejar, confira as regras de proteção ambiental e o plano de manejo da ilha.
As bases mais práticas ficam perto dos barcos:
- Gozo: de Mġarr, a travessia leva cerca de 15 minutos; boa para quem quer combinar Comino com a ilha vizinha.
- Norte de Malta: Mellieħa e St. Paul’s Bay ficam perto de Ċirkewwa, de onde saem os barcos para Comino.
- Região central: Sliema e Valletta são boas para quem quer mais estrutura e vai fazer Comino num passeio organizado de barco.
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Quando ir a Comino
Malta tem clima mediterrâneo, com inverno ameno, verão quente e a maior parte da chuva no outono e no inverno. Em agosto, as máximas chegam a cerca de 31 °C, e o mar vai de cerca de 15 °C em fevereiro a 26 °C em agosto.
O verão é a temporada de banho na Lagoa Azul e a mais movimentada; é quando há comida e bebida à venda na ilha, e os salva-vidas atuam de junho a setembro. Fora dela, Comino fica bem mais vazia e boa para caminhar e observar a natureza, mas nada é vendido: leve tudo, inclusive um casaco corta-vento.
Os passeios em grupo costumam operar de março a dezembro, saindo de Sliema e Bugibba.
Como chegar a Comino
Do Brasil: o Aeroporto Internacional de Malta, em Luqa, é o único do arquipélago. Não encontramos voo direto do Brasil, então o caminho é voar com conexão em uma cidade europeia.
Do aeroporto até Ċirkewwa: a linha de ônibus TD1 (Airport Direct), da Malta Public Transport, liga o aeroporto a Ċirkewwa, passando por Buġibba e Mellieħa, de hora em hora, por €3,50 (valores de 2026; podem mudar). Confira horários no site da Malta Public Transport.
De barco: barcos e táxis aquáticos saem de Ċirkewwa, no norte de Malta (cerca de 35 minutos), e de Mġarr, em Gozo (cerca de 15 minutos). Há também passeios organizados a partir de Sliema e Bugibba e barcos fretados. A balsa da Gozo Channel, que liga Ċirkewwa a Mġarr em cerca de 25 minutos, não para em Comino.
Como se locomover
Em Comino, só a pé ou de barco: não há carros nem estradas, apenas trilhas de terra. A costa e as cavernas só podem ser vistas do mar, por isso muitos passeios combinam o tempo na Lagoa Azul com uma volta de barco pela ilha.
Em Malta, o trânsito é pela mão esquerda, como no Reino Unido. Se for alugar carro para chegar a Ċirkewwa, leve isso em conta; de ônibus, a TD1 resolve o trajeto a partir do aeroporto.
Dicas práticas
- Moeda: euro (€), adotado por Malta em 2008.
- Idioma: maltês e inglês são as línguas oficiais.
- Tomada e voltagem: tipo G (três pinos retangulares, padrão britânico), 230 V e 50 Hz. Leve adaptador, porque o plugue brasileiro não encaixa.
- O que levar: água, lanche, protetor solar, chapéu e calçado para trilha. Fora dos quiosques sazonais do verão, não há onde comprar nada.
- Reserva da Lagoa Azul: faça antes de embarcar e guarde o QR code no celular.
- Documentos: Malta faz parte da União Europeia e do Espaço Schengen, e brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180. A imigração pode pedir comprovante de hospedagem, de seguro e de meios para a estadia.
- EES e ETIAS: o EES, registro biométrico na fronteira do Schengen, está em operação plena desde 10 de abril de 2026. O ETIAS está previsto, mas ainda não tem data; confira no site oficial da União Europeia.
Perguntas frequentes
Vale a pena ir a Comino?
Vale, se você gosta de mar e natureza. A Lagoa Azul é uma das paisagens mais bonitas de Malta, e a ilha ainda tem trilhas, torre histórica e cavernas para ver de barco, tudo num bate-volta.
Precisa reservar para entrar na Lagoa Azul?
Sim, para desembarcar na área da Lagoa Azul é preciso reservar antes um horário gratuito no sistema da Malta Tourism Authority. A reserva gera um QR code, trocado por uma pulseira na entrada.
Dá para dormir em Comino?
Na prática, não: não há hospedagem aberta confirmada na ilha, só um camping temporário com regras próprias. O mais comum é ficar em Gozo ou no norte de Malta e ir de barco.
Quanto tempo ficar em Comino?
Meio dia a um dia. Um turno na Lagoa Azul com volta de barco pelas cavernas cabe numa manhã ou tarde; para fazer também a trilha de cerca de três horas, reserve o dia todo.
Como ir de Malta para Comino?
De barco, a partir de Ċirkewwa, no norte de Malta, em cerca de 35 minutos, ou em passeios que saem de Sliema e Bugibba. De Gozo, os barcos saem de Mġarr e levam cerca de 15 minutos.
Qual a melhor época para ir a Comino?
Do fim da primavera ao começo do outono, para nadar. O auge é no verão, quando o mar chega a cerca de 26 °C e há quiosques na ilha, mas também é quando a Lagoa Azul fica mais cheia.
Brasileiro precisa de visto para ir a Malta?
Não, para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. Leve comprovantes de hospedagem, de seguro e de meios para a estadia, que a imigração pode pedir, e acompanhe o ETIAS, que ainda não tem data para começar.
Seguro viagem para Malta
Malta faz parte do Espaço Schengen, e a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia. Em Comino, onde não há serviços de nenhum tipo, ter cobertura médica faz ainda mais diferença. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos.
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Chip internacional para Malta
Com internet desde o desembarque, você reserva o horário da Lagoa Azul, guarda o QR code no celular e confere os horários de barco e de ônibus sem depender de Wi-Fi. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para Malta.
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