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Tórshavn: o que fazer, onde ficar e dicas de viagem

Por Flávio AntunesAtualizado em 03/11/2026

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Tórshavn é a capital das Ilhas Faroé e uma das menores capitais do mundo: segundo o Visit Faroe Islands, cerca de 20 mil pessoas moram na cidade. Em poucos quarteirões, você passa por casas de madeira pretas com telhado de grama, pelo governo instalado numa península de pedra e por um porto onde atracam barcos de pesca e o navio que vem da Dinamarca.

É também o lugar onde a maioria dos viajantes dorme, come e organiza os passeios pelo arquipélago, já que dali saem os ônibus e as balsas para quase todo canto. Por isso, montamos este guia com o que ver na cidade, os bate-voltas que valem a pena, onde se hospedar, a melhor época, como chegar do Brasil e as regras de entrada, que não são as do Espaço Schengen.

Onde fica Tórshavn

A cidade fica no sul da costa leste de Streymoy, de frente para a ilha de Nólsoy. O arquipélago está no Atlântico Norte e é uma região autônoma do Reino da Dinamarca, com governo, parlamento e moeda próprios.

Num roteiro pelas Faroé, Tórshavn funciona como centro: o aeroporto de Vágar fica a cerca de 50 minutos de ônibus, e as Ilhas do Norte, com Klaksvík e Borðoy, a cerca de 45 minutos de carro. Vale a pena para quem quer conhecer as ilhas com mais opções de restaurante, hospedagem e transporte, e para quem gosta de cidades pequenas com história.

O que fazer em Tórshavn

Tinganes, a península do governo

Tinganes é o núcleo histórico da cidade: uma ponta de rocha plana que separa os dois portos, coberta de construções de madeira com telhado de grama. Ali funciona o Landsstýri, o governo autônomo das Faroé.

O lugar é apontado como um dos mais antigos pontos de reunião parlamentar do mundo, ao lado de Tynwald, na Ilha de Man, e de Þingvellir, na Islândia. As fontes oficiais divergem sobre a data: o Visit Faroe Islands fala em cerca de 825, e o Visit Tórshavn, em cerca de 900. Não há guarda nem portão, e você pode andar livremente entre os prédios.

Reyn, a cidade velha

Colado a Tinganes, o bairro de Reyn e Undir Ryggi reúne casinhas de madeira pintadas de preto com janelas brancas e telhado de grama, que o Visit Tórshavn data do século XIV.

Famílias ainda moram ali, então respeite a privacidade dos moradores.

Catedral de Tórshavn

A Havnar kirkja, catedral da cidade, fica na Bryggjubakki, perto do porto. A primeira igreja de Tórshavn foi erguida em 1609 em Reyn; a atual é de 1788 e foi totalmente reconstruída em 1865. O Visit Faroe Islands a descreve como a segunda igreja mais antiga do arquipélago.

Skansin, o forte do porto

O Skansin foi construído em 1580 por Magnus Heinason para proteger o entreposto comercial de piratas. Sobrou pouco do forte original, mas há um farol, canhões antigos e um gramado com vista para o porto e para Nólsoy. Na Segunda Guerra Mundial, foi base da Marinha Real britânica.

Porto, marina e Vágsbotn

A marina, com armazéns antigos coloridos, é o cartão-postal da beira-mar. Logo ao norte fica Vágsbotn, antigo centro do comércio marítimo, com prédios da época do monopólio comercial dinamarquês. No primeiro domingo de cada mês, segundo o Visit Tórshavn, produtores locais montam ali uma feira com carne, verduras e produtos caseiros.

Viðarlundin e a Galeria Nacional

O Viðarlundin, também chamado de Plantasjan, é um dos maiores parques das Faroé. Tem lago com patos e cisnes, caminhos, esculturas e um memorial aos marinheiros faroeses mortos na Segunda Guerra. Uma tempestade no Natal de 1988 derrubou muitas árvores, que hoje servem de parquinho natural.

No extremo norte do parque fica a Listasavn Føroya, a Galeria Nacional, fundada em 1989, com cerca de 2.800 obras, a maioria pinturas, dos anos 1830 até hoje. Há uma mostra permanente sobre a paisagem faroesa e exposições temporárias.

Museu Nacional das Faroé

O Tjóðsavnið, o museu nacional, fica em Brekkutún, no bairro de Hoyvík, fora do centro. Entre as peças mais conhecidas estão 16 cabeceiras de banco entalhadas em madeira no início do século XV, com os 12 apóstolos, que vieram da catedral medieval de Kirkjubøur.

De 1º de maio a 30 de setembro, abre todos os dias, das 10h às 17h; de outubro a abril, de quinta a domingo, das 13h às 17h. A entrada custa DKK 90 para adultos, e menores de 18 anos não pagam (valores de 2026; podem mudar). No verão, vale incluir a Hoyvíksgarður, fazenda antiga com casa e anexos tradicionais, aberta todos os dias de maio a setembro, das 10h às 17h.

Kongaminnið e a vista da cidade

O Kongaminnið é um obelisco de basalto de 1882 que lembra a visita do rei Christian IX, em 1874, a primeira de um monarca dinamarquês às Faroé. Do alto, a vista pega a cidade.

Na mesma caminhada, passe pela praça Vaglið, com a prefeitura, em basalto, e o Løgtingið, o parlamento, num prédio branco de madeira.

Quantos dias ficar

O centro de Tórshavn se vê em um dia. Como costuma ser a base da viagem, o comum é passar ali de três a cinco noites, saindo todo dia para um lado do arquipélago.

Bate-voltas que saem fácil da capital:

  • Kirkjubøur: vilarejo vizinho, com as ruínas de uma catedral de cerca de 1300, casas de fazenda de cerca de 1350 e uma igreja do século XIII que o Visit Faroe Islands aponta como a mais antiga do arquipélago ainda em uso. Dá para ir a pé por uma trilha de 6 km, com cerca de 1h40 e dificuldade média, e voltar de ônibus municipal (linha 6 nos dias úteis e 8 nos fins de semana).
  • Nólsoy: a balsa Ternan cruza em 30 minutos, com cinco a sete saídas por dia. Na ilha, a trilha até o farol de Borðan tem cerca de 12 km e 5 horas. Nólsoy tem a maior colônia de painho-de-cauda-quadrada (storm petrel) do mundo, que só se vê à noite.
  • Ilhas do Norte: a linha 400 de ônibus leva a Klaksvík em cerca de 1h30 a 1h40. Detalhamos a cidade e os passeios a partir dela nos guias de Klaksvík e de Borðoy.
  • Suðuroy: a balsa Smyril sai do terminal da Eystara Bryggja e chega a Tvøroyri, no sul do arquipélago, em cerca de 2 horas.

Onde ficar em Tórshavn

  • Centro e porto: perto de Tinganes, de Reyn, dos restaurantes e do terminal de ônibus e balsas. É a melhor escolha para quem viaja sem carro ou chega no navio da Smyril Line, que atraca no centro.
  • Arredores do Viðarlundin: área mais residencial, perto do parque, da Galeria Nacional e da trilha para a cachoeira Svartafoss, boa para quem quer sossego.
  • Hoyvík e bairros afastados: fazem sentido para quem está de carro, já que ficam perto das saídas para o resto de Streymoy e do Museu Nacional.

O verão é alta temporada e as opções são poucas para o tamanho da procura, então reserve com antecedência. No inverno, é mais fácil achar vaga em cima da hora.

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Quando ir a Tórshavn

O clima é fresco e muda rápido em qualquer época. Pelo Visit Faroe Islands, as médias ficam entre 10 °C e 13 °C no verão (junho a agosto) e entre 3 °C e 7 °C no inverno (dezembro a fevereiro); julho costuma ser o mês mais quente. As pancadas de chuva são frequentes, mas curtas, e aumentam no outono.

O verão é a melhor época: dias muito longos, museus em horário cheio e mais saídas de balsa e ônibus. O ponto alto é a Ólavsøka, festa nacional nos dias 28 e 29 de julho, com desfile, finais do campeonato de remo, abertura do parlamento e, à meia-noite do dia 29, uma multidão cantando e fazendo a dança em roda faroesa no centro. Muitas lojas fecham, e ônibus e balsas rodam com horário de domingo.

No inverno, a cidade fica mais vazia, há chance de aurora boreal e o clima de Natal é forte. Entre 2 de novembro e 31 de dezembro, temporada de caça à lebre, o Visit Tórshavn desaconselha trilhas nas montanhas sem falar com o dono da terra; aos domingos não há caça.

Como chegar a Tórshavn

Do Brasil: a viagem exige pelo menos uma conexão na Europa. A rota mais usada passa por Copenhague, de onde saem para o aeroporto de Vágar pelo menos dois voos diários da Atlantic Airways o ano todo; a SAS também voa nessa rota, menos às terças e quartas. Há ainda voos da Widerøe a partir de Bergen, na Noruega, e, de maio a outubro, da Icelandair via Reykjavík, na Islândia.

Do aeroporto ao centro: a linha 300 da Strandfaraskip Landsins liga Vágar ao terminal de Tórshavn em cerca de 50 minutos, com dez saídas nos dias úteis e cinco aos sábados e domingos. Também há táxi e transfer.

De navio: a Norröna, da Smyril Line, sai de Hirtshals, no norte da Dinamarca, o ano todo, e chega a Tórshavn em cerca de 30 horas, mais fora do verão. De junho a agosto, o navio segue para Seyðisfjörður, na Islândia.

Como se locomover

No centro, tudo se faz a pé: segundo o Visit Tórshavn, a caminhada mais longa da cidade não passa de duas horas. Os ônibus urbanos vermelhos saem do terminal de Steinatún, e o Visit Tórshavn informa que são gratuitos. Um deles chega a Kirkjubøur.

Para o resto do arquipélago, use os ônibus azuis e as balsas da Strandfaraskip Landsins. Existe um cartão de vários dias que vale nos dois, menos para Mykines; o Visit Faroe Islands cita DKK 500 por quatro dias (confira o valor atual). De carro, você ganha liberdade, mas os túneis submarinos são pedagiados e há ovelhas soltas nas estradas.

Dicas práticas

  • Moeda: coroa faroesa e coroa dinamarquesa (DKK), de mesmo valor. As notas das duas valem igualmente; as moedas são dinamarquesas. Cartão, sobretudo Visa, é aceito quase em todo lugar, mas American Express não. Desde julho de 2024, a maioria dos bancos parou de trocar moeda, então não conte com câmbio na cidade.
  • Idioma: faroês e dinamarquês. O inglês é muito falado.
  • Tomada: 230 V e 50 Hz, plugue europeu de dois pinos. Leve adaptador.
  • Documentos: as Faroé pertencem ao Reino da Dinamarca, mas estão fora da União Europeia e do Espaço Schengen. Quem é isento de visto na Dinamarca, como o brasileiro, também entra sem visto nas Faroé para visitas curtas, de até 90 dias. O passaporte precisa valer pelo menos três meses além da data de saída. Confira no serviço de imigração da Dinamarca.
  • Conexão em Copenhague: como a Dinamarca continental é Schengen, ao entrar ou sair por lá você pode precisar se registrar no EES, o sistema europeu que coleta digitais e foto do rosto na fronteira.
  • Emergência: 112. Orientação médica fora do horário: 1870.

Perguntas frequentes

Vale a pena conhecer Tórshavn?

Vale, e quase todo viajante passa por lá. A cidade tem o centro histórico mais interessante das Faroé, a melhor estrutura de hospedagem e restaurantes e é o ponto de partida de ônibus e balsas para o resto do arquipélago.

Quantos dias ficar em Tórshavn?

Um dia basta para a cidade. Para usar Tórshavn como base e visitar Kirkjubøur, Nólsoy e outras ilhas, reserve de três a cinco noites.

Brasileiro precisa de visto para as Ilhas Faroé?

Não, para visitas curtas de até 90 dias. Quem é isento de visto na Dinamarca também é isento nas Faroé, que ficam fora do Schengen e têm regra própria. O passaporte precisa valer três meses além da saída.

Tórshavn é cara?

Sim, os preços são de país nórdico. O Visit Tórshavn estima almoço de DKK 150 a 250 e jantar a partir de DKK 300 por pessoa (valores de 2026; podem mudar). Ônibus urbano grátis e mercado ajudam a economizar.

Qual a melhor época para ir a Tórshavn?

De junho a agosto, com médias de 10 °C a 13 °C e dias longos. Se puder, inclua 28 e 29 de julho, quando a cidade comemora a Ólavsøka.

Seguro viagem para as Ilhas Faroé

Nas Faroé, o sistema público de saúde só cobre moradores dos países nórdicos e do Reino Unido. O Visit Faroe Islands diz que os demais visitantes devem viajar com seguro saúde válido, que cubra destinos fora da União Europeia. Apólices vendidas apenas para os países do Schengen podem deixar o arquipélago de fora. A cobertura de €30.000, a mesma do visto Schengen, é a referência que recomendamos.

Confira as opções de seguro viagem para as Ilhas Faroé.

Chip internacional para as Ilhas Faroé

Em Tórshavn, a internet no celular ajuda a acompanhar o tempo e os horários de ônibus e balsa, que o Google Maps mostra bem. Como as Faroé não fazem parte da União Europeia nem do Espaço Econômico Europeu, o roaming europeu não vale ali: um chip comprado para a Dinamarca ou outro país do bloco pode não funcionar ou cobrar à parte. Antes de comprar, confirme se o plano inclui as Ilhas Faroé.

Confira os planos de chip para as Ilhas Faroé.

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