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Colindres é uma vila marinheira pequena, de cerca de 8.500 habitantes, na foz do rio Asón, na costa leste da Cantábria. Vizinha de Laredo e Santoña, ela costuma passar despercebida por quem corre a costa, mas guarda um bom resumo da história da região em poucos quilômetros.
A vila tem duas caras: Colindres de Arriba, o núcleo antigo, com casarões brasonados dos séculos XVI a XVIII ao longo do velho Caminho Real de Castela, e Colindres de Abajo, a parte nova, com edifícios modernistas, o porto pesqueiro e a ponte giratória de ferro sobre a ria.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Colindres, quanto tempo reservar, onde ficar, as festas do verão e como chegar a partir de Santander e Bilbao.
Onde fica Colindres
Colindres fica na comarca da Costa Oriental da Cantábria, entre a desembocadura do rio Asón e o mar, a 43 km de Santander. A nordeste, faz divisa com Laredo; ao sul, com Limpias e Voto. Parte do município está dentro do Parque Natural das Marismas de Santoña, Victoria e Joyel.
A vila é um cruzamento de estradas: passam por ali a autovia A-8, que liga Santander a Bilbao, a N-629, que vem de Burgos, e a N-634, que acompanha a costa. Também está no traçado histórico do Caminho de Santiago pela costa norte da Espanha.
Vale a pena para quem já está na Costa da Cantábria e gosta de patrimônio, porto de pesca e caminhadas leves. Não é destino de praia: para isso, a vizinha Laredo tem a praia de La Salvé, a mais extensa do litoral cântabro.
O que fazer em Colindres
Rota das Casonas, em Colindres de Arriba
A prefeitura sinaliza a Ruta de las Casonas, de 5 km e dificuldade baixa, com saída e chegada no Ayuntamiento e duração de 1h45 a 2 horas. O percurso segue o Caminho Real, usado por comerciantes de lã e trigo que vinham de Castela em busca do porto; o imperador Carlos V passou por ali em 1556, a caminho do mosteiro de Yuste.
No trajeto aparecem torres medievais transformadas em casas e casarões com escudos dos linajes locais. Destaque para a Casa-torre El Mazo, torre do século XV onde nasceu José Antonio Pérez García (1726-1814), autor da “Primera Historia de Chile”, e para a ermida de San Roque, ao lado de uma azinheira centenária.
Palacio del Infantado e igreja de San Juan Bautista
O Palacio del Infantado, também chamado do Condestável, começou como torre quadrada no século XIV e ganhou no século XVI um corpo central e uma segunda torre. Foi saqueado no desembarque francês de 1639 e está em ruínas, mas a estrutura externa segue de pé, com os escudos da família Alvarado.
Perto dali, a igreja de San Juan Bautista foi construída sobre as ruínas do antigo mosteiro de San Jorge e San Juan, origem do povoado. Ao lado dela funcionava o hospital de peregrinos do Caminho.
Passeio pelo modernismo, em Colindres de Abajo
A segunda rota oficial tem 1,6 km e cerca de uma hora, da Alameda até a ponte giratória. Ela mostra a vila que cresceu no fim do século XIX e começo do XX com o dinheiro de indianos (emigrantes que voltaram da América) e da indústria conserveira.
Os pontos principais são a Alameda, desenhada em 1893 por Alfredo de la Escalera; o Ayuntamiento modernista de Gonzalo Bringas (1909-1911), que nasceu como escola; o coreto de 1923, pago pelo indiano Heliodoro A. Fernández; a Villa Luz, de 1898, com torre octogonal de tijolo; e El Rascacielos, prédio racionalista de 1928 que chegou a abrigar 105 moradores.
Ponte giratória de Treto
A ponte de ferro de Treto, sobre o Asón, foi projetada pelo engenheiro cântabro Eduardo Miera e construída entre 1897 e 1905. Tem 161,74 metros e um tramo giratório que uma única pessoa movia com uma manivela, em cerca de cinco minutos e meio, para deixar os barcos passarem.
Antes dela, a travessia era feita pela Barca de Treto, um serviço de balsa que funcionou por séculos e também levava peregrinos a Santiago. Hoje o tráfego principal passa pela ponte nova da A-8, um pouco ao sul.
Porto e estuário do Asón
A pesca é a base de Colindres desde pelo menos o século XVII, e a anchova em salmoura ou no azeite é o produto que as conserveiras locais mais fabricam. O roteiro “Un paseo por el puerto” passa pela Venta Vieja, a lonja inaugurada em 1910, que tinha um sino tocado quando o peixe chegava.
Para ver as aves, a rota natural pelo estuário do Asón tem 2,3 km planos, cerca de 60 minutos, e passa pela marisma que faz parte do parque natural, o mais importante da Cantábria para a observação de aves. Do porto, o passeio marítimo segue na direção de Laredo.
Estaleiros, moinhos de maré e chacoli
Entre 1618 e 1726, Colindres teve os estaleiros reais de Falgote, onde se construíam galeões para a Armada e para o comércio com a América. A vila chegou a ter sete moinhos de maré, que moíam trigo vindo de Castela; restam vestígios de dois.
Os painéis e audioguias das rotas, disponíveis no site de turismo de Colindres, contam também a história do chacoli local e da exportação de laranjas e limões azedos para a Europa.
Quanto tempo ficar em Colindres
Meio dia a um dia é suficiente: uma manhã para a Rota das Casonas e uma tarde para o modernismo, o porto e o estuário. Se quiser fazer as três rotas oficiais com calma, conte um dia inteiro.
Colindres combina bem com Laredo, logo ao lado, e com Santoña, na mesma baía. Na mesma costa ficam Castro Urdiales, na direção de Bilbao, e Camargo e Santander, na direção oeste.
Onde ficar em Colindres
- Colindres de Abajo: perto do porto, da Alameda e das paradas de ônibus. É a área mais prática para quem chega sem carro.
- Colindres de Arriba: mais tranquila e rural, entre casarões e hortas. Serve a quem está de carro e quer sossego.
- Laredo: se a prioridade é praia, dormir na vila vizinha e visitar Colindres a pé ou de ônibus é uma boa alternativa.
Peregrinos do Caminho do Norte contam com um albergue municipal na vila, sem reserva antecipada.
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Quando ir a Colindres
O clima é atlântico úmido, como no resto da Cantábria, com chuva ao longo de todo o ano e temperaturas suavizadas pelo mar. O verão concentra o movimento e as festas; nos outros meses, a vila fica bem mais calma.
- San Juan (24 de junho): festa patronal.
- Virgen del Carmen (16 de julho): padroeira dos marinheiros.
- Santiago (25 de julho).
- San Roque (16 de agosto): romaria campestre.
- San Ginés (25 de agosto): padroeiro da confraria de pescadores. Em 2025, a programação foi de 21 a 25 de agosto; o programa de cada ano sai no site da prefeitura.
Como chegar a Colindres
Do Brasil, não há voo direto para a Cantábria nem para Bilbao: conecte em um hub europeu. O Aeroporto Seve Ballesteros, em Santander, fica a 40 km de Colindres, cerca de 24 minutos pela A-8, e recebe voos de Madri e Barcelona. O Aeroporto de Bilbao, a cerca de 35 minutos pela A-8, tem voos de Madri, Lisboa, Paris, Frankfurt, Munique, Amsterdã e Istambul.
De ônibus, a ALSA liga Santander e Bilbao a Colindres, com saídas aproximadamente a cada hora, segundo o turismo local. No aeroporto de Santander, os ônibus da ALSA só param para quem comprou a passagem antes.
De trem, a estação mais próxima é a de Treto, do outro lado da ponte, na linha regional R-3f da Renfe entre Santander e Bilbao. De carro, a A-8 passa pelo município e é gratuita nesse trecho.
Como se locomover em Colindres
Colindres é pequena e se conhece a pé: as três rotas oficiais saem do centro e somam menos de 10 km. Há ponto de táxi na Alameda del Ayuntamiento e paradas de ônibus nas ruas Ramón Pelayo e La Mar.
Para combinar Laredo, Santoña e outros pontos da costa no mesmo dia, o carro dá mais liberdade.
Dicas práticas para Colindres
- Moeda: euro (€). Cartões internacionais são amplamente aceitos no comércio.
- Idioma: espanhol.
- Tomada: 230 V, 50 Hz, tipos C e F. Leve um adaptador.
- Oficina de turismo: na Casa de Serafina, Alameda del Ayuntamiento, 4. Os horários variam ao longo do ano; confira no site de turismo de Colindres.
- Saúde: o hospital de referência é o Hospital Comarcal de Laredo. Emergências: 112.
- Documentos: brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias em cada 180 no Espaço Schengen. O passaporte deve valer até três meses após a saída prevista, e a imigração pode pedir comprovante de hospedagem, passagem de volta e meios para a estadia (veja os requisitos do Consulado da Espanha em São Paulo).
- ETIAS: a autorização eletrônica de viagem está prevista, mas ainda sem data em vigor. Confira o status no site oficial da União Europeia.
Perguntas frequentes sobre Colindres
Colindres vale a pena?
Vale como parada de meio dia para quem está em Laredo, Santoña ou percorrendo a costa da Cantábria, principalmente se você gosta de patrimônio e de porto de pesca. Não é um destino de praia.
Quantos dias ficar em Colindres?
Meio dia a um dia. É o tempo para as rotas das Casonas, do modernismo e do estuário do Asón.
Colindres tem praia?
Não tem uma praia de banho de destaque. A praia mais próxima é a de La Salvé, em Laredo, a vizinha.
Como ir de Santander a Colindres?
De carro, são cerca de 43 km pela A-8. De ônibus, a ALSA tem saídas aproximadamente a cada hora.
Brasileiro precisa de visto para ir a Colindres?
Não, para turismo de até 90 dias em cada 180 no Espaço Schengen. Leve passaporte válido e comprovantes de hospedagem, volta e meios para a estadia.
Qual a melhor época para ir a Colindres?
O verão, de junho a agosto, concentra as festas, como San Ginés em 25 de agosto. Chove o ano todo, então leve guarda-chuva em qualquer mês.
Seguro viagem para Espanha
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