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Santoña é a vila que transformou a anchova em assinatura. Espremida entre o Monte Buciero e as marismas, na costa leste da Cantábria, ela se apresenta como uma “ilha em terra firme”: de um lado, uma montanha calcária cheia de fortes e faróis; do outro, um dos humedais mais importantes da Espanha.
É também uma vila de porto pesqueiro e de fábricas de conserva, onde a limpeza da anchova ainda é feita à mão, filé por filé. Do outro lado da baía, a uma travessia de barco, fica Laredo.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Santoña, a situação atual do Faro del Caballo, as trilhas do Buciero, as festas, onde ficar e como chegar.
Onde fica Santoña
Santoña fica na comarca de Trasmiera, na baía que leva o seu nome, a cerca de 45 km de Santander e 70 km de Bilbao, segundo o guia oficial da vila. Tem cerca de 10.800 habitantes e é limitada pela praia de Berria ao norte, pela praia de San Martín ao sul, pelo Monte Buciero a leste e pelo porto e pelas marismas a oeste.
Vale a pena para quem gosta de comida do mar, de trilhas com vista para o oceano e de observar aves. Encaixa bem num roteiro pela Costa da Cantábria junto com Laredo, Colindres e Castro Urdiales, todas na mesma faixa de litoral da Espanha.
O que fazer em Santoña
Anchovas e conserveiras
Tudo começa com o bocarte, o peixe fresco, pescado na “costera”, de março a junho. Ele vira anchoa quando passa pela salga e boquerón quando é preparado no vinagre. Em Santoña, a anchova passa vários meses maturando no sal antes da “soba”: a limpeza manual de pele e espinhas, feita historicamente pelas mulheres conserveiras.
O filé de anchova em azeite ganhou força aqui a partir de 1915, quando o salgador siciliano Giovanni Vella, instalado na vila, passou a prepará-lo no local. Hoje o polígono industrial na saída para Berria reúne, segundo a prefeitura, a maior concentração de fábricas de anchova da Espanha. Há conserveiras que recebem visitas, e o guia oficial da vila indica como agendar. Para provar, procure os bares entre a Plaza de San Antonio e o Pasaje.
Faro del Caballo (acesso fechado)
O cartão-postal de Santoña é o Faro del Caballo, construído em 1863 ao pé das falésias do Buciero e desativado em 1993. Para chegar a ele, desce-se uma escadaria de 763 degraus talhados na rocha por presos do Penal de El Dueso, e há mais 111 degraus até o nível do mar.
Atenção: por causa de desprendimentos de terra e rocha, a prefeitura proibiu o acesso às escadas e às áreas do farol em aviso de dezembro de 2025, “até novo aviso”, e o site oficial ainda indicava o acesso fechado na nossa consulta, em 3 de novembro de 2026. Antes de planejar, confira o status no site da prefeitura de Santoña.
Para ver o farol pelo mar, há no verão excursões de barco e passeios guiados de caiaque ou stand up paddle saindo da vila.
Trilhas do Monte Buciero e o Faro del Pescador
O Monte Buciero ocupa mais da metade do município e tem trilhas sinalizadas entre azinheiras, louros, falésias e fortificações. A Senda 1, Faros y Acantilados, é circular, tem cerca de 12 km e dificuldade média-alta; sai do Fuerte de San Martín e passa pelo Faro del Pescador, que entrou em funcionamento em 1864 com lâmpada de azeite e foi reconstruído depois de um ciclone em 1915.
Para quem tem preparo, a Senda 3 (cerca de 8,5 km, dificuldade alta) sobe os três cumes do monte, entre eles a Peña Ganzo, com 378 metros, e a Atalaya, antigo posto de vigia de baleias. Não há fontes nem serviços no caminho: leve água, comida e calçado de trilha. Mapas e tracks estão no folheto oficial das trilhas.
Os fortes da baía
Santoña foi praça militar, e os fortes estão por todo o Buciero. O Fuerte de San Martín, no fim do Pasaje, tem origem no século XVII e hoje é centro cultural, com exposições permanentes. Fora do verão, abre em feriados prolongados; para dezembro de 2026, a prefeitura anuncia os dias 5 a 8, das 10h às 14h.
O Fuerte de San Carlos, o mais antigo, ganhou estrutura de pedra no fim do século XVII, chegou a ter 37 canhões e é Bem de Interesse Cultural desde 1992. No alto, o Fuerte del Mazo, erguido a partir de 1812 por ordem de Napoleão e restaurado em 2001, também é Bem de Interesse Cultural e tem acesso por estrada e vista ampla das marismas.
Igreja de Santa María del Puerto
A igreja de Santa María del Puerto nasceu de um antigo mosteiro, com referências documentais do ano 836. O templo atual é do século XIII, de transição do românico para o gótico, com capitéis que mostram o paraíso, o inferno e cenas de caça.
O tesouro lá dentro é o retábulo de San Bartolomé, com seis painéis pintados no começo do século XVI por Petrus Nicolai (Pieter de Moor), artista de Bruges, que a prefeitura considera uma das obras flamengas mais notáveis da Espanha.
Marismas de Santoña
O Parque Natural das Marismas de Santoña, Victoria e Joyel é zona de proteção para aves e sítio Ramsar desde 1994. Na migração de primavera e outono, aves do norte da Europa param aqui a caminho da África; entre as espécies citadas pela prefeitura estão colhereiros, garças, maçaricos e patos.
A Ruta de las Marismas é plana, de dificuldade muito baixa, e segue por diques até o observatório e a laguna del Sorbal, a única de água doce do município; o guia oficial fala em 2.300 metros e cerca de duas horas. Dica: vá na maré baixa, quando as aves estão se alimentando e são mais fáceis de ver.
Praias de Berria e San Martín
A praia de Berria, voltada para o Cantábrico, é a faixa de areia fina e dunas entre o Buciero e as marismas, procurada para surfe. A praia de San Martín, do lado da baía, acompanha o centro, tem águas calmas, boas para banho em família, e o passeio marítimo ao lado.
O Pasaje e o centro
O passeio marítimo, que em Santoña se chama Pasaje, liga o porto pesqueiro ao Fuerte de San Martín em cerca de 20 minutos a pé. No caminho ficam a praça de touros de 1907, o embarcadouro para Laredo e o monumento a Juan de la Cosa, de 1949, homenagem ao navegador nascido na vila, autor, em 1500, do primeiro mapa-múndi conhecido com a América.
No centro, o Palacio Manzanedo, de 1864, foi mandado construir por um santoñês que fez fortuna em Cuba e abriga a pinacoteca municipal.
Barco para Laredo
A travessia de barco entre o embarcadouro do Pasaje, perto do monumento a Juan de la Cosa, e a ponta de El Puntal, em Laredo, é um passeio em si e faz parte de uma das variantes do Caminho do Norte de Santiago. Não encontramos horários nem preços oficiais publicados; confirme na oficina de turismo antes de contar com o barco, principalmente fora do verão.
Quantos dias ficar em Santoña
Um dia dá para o Pasaje, a igreja, um forte, as anchovas e a Ruta de las Marismas. Com dois dias, cabe uma trilha longa do Buciero e uma tarde em Berria.
Laredo e Colindres ficam na mesma baía, e Castro Urdiales e Santander rendem bate-voltas de carro.
Onde ficar em Santoña
- Centro e Pasaje: perto dos bares de anchova, do embarcadouro e do início das trilhas no Fuerte de San Martín. A base mais prática para quem chega de ônibus.
- Lado de Berria: para quem prioriza praia de mar aberto e surfe, mais longe do centro.
- Laredo: se você quer praia urbana longa e mais oferta de hospedagem, dormir do outro lado da baía e atravessar de barco é uma alternativa.
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Quando ir a Santoña
O clima é oceânico úmido, com verões e invernos suaves e chuva em qualquer época; julho e agosto costumam ser os meses mais secos. O verão concentra as praias e os passeios de barco, a primavera é a época da costera da anchova, e primavera e outono são as estações da migração de aves nas marismas.
- Carnaval: o “Carnaval do Norte”, Festa de Interesse Turístico Nacional desde 1985, com o “Juicio en el Fondo del Mar”, em que um besugo é julgado por raptar uma sereia, e o Entierro del Besugo, queimado na baía.
- Feria de la Anchoa: realizada desde 1999, com degustações e homenagem às mulheres conserveiras. Foi numa edição dela, em 2011, que mil pessoas limparam anchovas à mão ao mesmo tempo e bateram um recorde do Guinness.
- Virgen del Puerto (primeira quinzena de setembro): as festas da padroeira, com procissão marítima no dia 7, a Gran Marmitada, com mais de 8 mil porções gratuitas de marmite de bonito com batata no Pasaje, e regatas de traineiras. Em 2026, a programação foi de 5 a 13 de setembro.
Como chegar a Santoña
Do Brasil, conecte em Madri ou em outro hub europeu e voe para Santander ou Bilbao. Pela Aena, o aeroporto de Santander tem voos de Madri (Iberia e Volotea), Barcelona (Vueling) e Paris-Orly (Vueling); o de Bilbao tem mais opções internacionais, como Lisboa, Frankfurt, Amsterdã e Istambul.
- De carro: Santoña se liga à autovia A-8, entre Santander e Bilbao; são cerca de 45 km e 70 km, respectivamente.
- De ônibus: segundo o guia oficial, duas linhas fazem diariamente o trajeto até Santander.
- De trem: Santoña não tem estação. A mais próxima fica em Gama, a cerca de 9 km, na linha regular entre Santander e Bilbao.
- De barco: a partir de El Puntal, em Laredo, cruzando a baía (confirme horários no local).
Como se locomover em Santoña
O centro, o porto, o Pasaje e a praia de San Martín se fazem a pé, e as trilhas do Buciero começam no próprio Pasaje. O Fuerte del Mazo fica a cerca de 2 km do centro, com acesso por estrada.
Berria e o início da Ruta de las Marismas, na saída da vila, também dão para ir a pé. Para juntar outras vilas no mesmo dia, o carro é o mais prático.
Dicas práticas para Santoña
- Moeda: euro (€).
- Idioma: espanhol.
- Tomada: 230 V, tipos C e F. Leve adaptador.
- Oficina de turismo: na calle Santander, 5, aberta o ano todo. De 1º de setembro a 14 de junho, de segunda a sexta, das 9h às 16h; de 15 de junho a 31 de agosto, todos os dias, das 10h às 14h e das 17h às 20h. No verão, há um ponto extra junto ao monumento a Juan de la Cosa. Veja o site de turismo da prefeitura.
- Documentos: brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. O passaporte deve valer três meses além da saída prevista, e a imigração pode pedir comprovantes de hospedagem, do motivo da viagem e de meios para a estadia (veja os requisitos do Consulado da Espanha em São Paulo).
- ETIAS: previsto, mas ainda sem data em vigor. Acompanhe no site oficial da União Europeia.
Perguntas frequentes sobre Santoña
Santoña vale a pena?
Vale, para quem gosta de frutos do mar e natureza. As anchovas, os fortes do Buciero e as marismas rendem um ou dois dias, mesmo com o Faro del Caballo fechado.
O Faro del Caballo está aberto?
Não, na última consulta. A prefeitura proibiu o acesso às escadas e às áreas do farol por risco de desprendimentos, em aviso de dezembro de 2025, até novo aviso. Confira no site da prefeitura antes de ir.
Como ir de Laredo a Santoña?
De barco, cruzando a baía a partir de El Puntal, ou de carro, contornando a ria pela região de Colindres. Confirme os horários do barco na oficina de turismo.
Qual a melhor época para ir a Santoña?
O verão, para praia e passeios de barco; a primavera, para a anchova fresca e as aves. Em setembro, as festas da Virgen del Puerto movimentam a vila.
Brasileiro precisa de visto para ir a Santoña?
Não, para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. Leve passaporte válido e comprovantes de hospedagem, volta e meios para a estadia.
Seguro viagem para Espanha
Como a Espanha faz parte do Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Se for fazer as trilhas do Buciero, caiaque ou stand up paddle, confira se a apólice cobre essas atividades. Veja mais no nosso guia de seguro viagem para a Espanha.
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Chip internacional para Espanha
Com o celular conectado, você confere se o acesso ao Faro del Caballo foi reaberto, consulta a tábua de marés antes de ir às marismas e baixa os tracks das trilhas do Buciero. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para a Espanha.
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