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Blois: o que fazer, onde ficar e dicas de viagem

Por Flávio AntunesAtualizado em 04/11/2026

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Blois é a cidade real do Vale do Loire: foi ali, num castelo de frente para o rio, que sete reis e dez rainhas da França viveram entre o fim da Idade Média e o Renascimento. Hoje a cidade tem cerca de 50 mil habitantes, um centro antigo de ladeiras e escadarias e uma estação de trem a poucos minutos a pé do castelo.

Além do próprio castelo, Blois é a base mais prática para conhecer Chambord e Cheverny, sem precisar de carro. À noite, o pátio do castelo vira palco de um espetáculo de som e luz, e do outro lado da praça um dragão de seis cabeças sai das janelas de um museu de mágica.

Por isso, montamos este guia com o que fazer em Blois, quantos dias ficar, onde se hospedar, a melhor época, como chegar de Paris e as dicas práticas para brasileiros.

Onde fica Blois

Blois fica às margens do rio Loire, no centro da França, a cerca de 1h30 de Paris de trem e 2 horas de carro, segundo o turismo oficial de Blois-Chambord. A cidade tem o selo Ville d’Art et d’Histoire desde 1986.

Num roteiro pelo Vale do Loire, Blois fica entre Orléans, rio acima, e Amboise e Tours, rio abaixo. Da estação de Blois saem trens para Orléans e Tours. Funciona bem como primeira parada para quem sai de Paris.

Vale a pena para quem gosta de história da França, de castelos e de cidades pequenas que se exploram a pé, e para quem quer ver os castelos do Loire usando trem e ônibus.

O que fazer em Blois

Castelo Real de Blois

O Château Royal de Blois é um castelo que se lê como uma aula de arquitetura: em volta de um único pátio, há uma ala de tijolo e pedra de Luís XII, que fez de Blois a sede da corte a partir de 1498; a ala renascentista de Francisco I, com sua famosa escada em espiral decorada com salamandras, o emblema do rei; e a ala clássica de Gastão d’Orléans, iniciada em 1635 pelo arquiteto Mansart.

Foi ali que, em 23 de dezembro de 1588, o duque de Guise foi assassinado pela guarda pessoal do rei Henrique III; no dia seguinte, o irmão dele, o cardeal de Lorena, também foi morto por ordem do rei. Hoje o castelo é museu, com mais de 35 mil obras, segundo o turismo de Blois-Chambord.

A entrada custa cerca de €16 para adultos, com HistoPad (tablet de visita) ou folheto incluído (valores de 2026; podem mudar). Em 2026, o castelo abriu das 9h às 18h30 de abril a setembro e das 10h às 17h na maior parte do inverno; confira o calendário na página oficial de visita.

Espetáculo de som e luz

Nas noites de primavera e verão, a história do castelo é projetada nas fachadas do pátio. Em 2026, o Son et Lumière foi apresentado de 4 de abril a 26 de setembro e nas férias escolares de outubro, com 45 minutos de duração, às 22h em abril e setembro e às 22h30 de maio a agosto. Há tradução simultânea em 10 idiomas.

O ingresso avulso sai por cerca de €13, e o combinado castelo mais espetáculo, por cerca de €24 (valores de 2026; podem mudar). O castelo avisa que uma das cenas pode assustar crianças pequenas.

Maison de la Magie

Bem em frente ao castelo, a Maison de la Magie homenageia Jean-Eugène Robert-Houdin, mágico nascido em Blois em 1805. A cada meia hora, um dragão de seis cabeças sai das janelas da fachada, e dá para ver da praça sem pagar nada.

Dentro, há autômatos, uma sala de ilusões de óptica, um espaço dedicado a Harry Houdini e um espetáculo de mágica ao vivo incluído no ingresso. Em 2026, abriu diariamente de abril a agosto, nos fins de semana de setembro e nas férias de outubro e de Natal. Veja o calendário no site oficial.

Centro histórico, catedral e Saint-Nicolas

O centro antigo desce do castelo até o rio em ruelas, escadarias e casas de enxaimel, como a Maison des Acrobates. Repare nos brasões das fachadas: o porco-espinho de Luís XII e a salamandra de Francisco I ajudam a datar os prédios.

Na parte alta fica a Catedral Saint-Louis, reconstruída depois que um furacão quase a destruiu em 1678. Perto do rio, a Igreja Saint-Nicolas, antiga abadia de Saint-Laumer erguida a partir de 1138, é um dos primeiros exemplos de gótico da cidade. Siga os marcadores de bronze no chão, que formam os percursos temáticos do escritório de turismo.

Escadaria Denis-Papin

A Escadaria Denis-Papin liga a parte baixa à alta da cidade em 120 degraus. Todo ano, os espelhos dos degraus recebem uma ilustração gigante, que só se vê inteira de baixo, o que a transformou numa das fotos mais populares de Blois.

No topo, a estátua do físico Denis Papin, inaugurada em 1880, marca um mirante com vista que passa da margem sul do Loire.

Fondation du Doute

Para fugir dos séculos XV e XVI, a Fondation du Doute, inaugurada em 2013, reúne obras do Fluxus, movimento artístico surgido em 1960 e marcado pelo humor e pela participação do público. O espaço foi concebido pelo artista Ben e tem trabalhos de cerca de 50 artistas, como Nam June Paik, Wolf Vostell e George Brecht.

Fica na Rue de la Paix, no centro. Em 2026, abriu de quarta a domingo, das 14h às 18h30, entre fevereiro e dezembro; confira antes na página do turismo.

Castelo de Chambord

A 15 km de Blois, Chambord é o castelo-símbolo do Renascimento francês, com arquitetura inspirada em Leonardo da Vinci e a famosa escada de dupla revolução, em que quem sobe e quem desce não se cruzam. O parque em volta, de acesso livre, é cortado por ciclovias.

Da estação de Blois sai a navette Rémi (linha 2), por cerca de €3,40 o trecho, e o ingresso de castelo e jardins custa a partir de €21 (valores de 2026; podem mudar). O pacote “Rémi 3 en 1” junta trem, navette e entrada com desconto, mediante bilhete de trem do dia. Os detalhes estão na página de acesso de Chambord.

Cheverny e Chaumont-sur-Loire

O Castelo de Cheverny está nas mãos da mesma família há mais de seis séculos e serviu de modelo para o castelo de Moulinsart, das histórias de Tintim, o que rende uma exposição própria. Abre todos os dias do ano, das 10h às 17h, sem reserva, segundo o site do castelo.

Já o Domaine de Chaumont-sur-Loire combina castelo, centro de arte e o Festival Internacional dos Jardins, que em 2026 foi de 22 de abril a 1º de novembro. O turismo de Blois lista navettes para Cheverny (via Beauregard) e para Chaumont (a partir da estação de Onzain); os horários mudam com a temporada.

Loire à Vélo

Blois fica no caminho da Loire à Vélo, rota de 900 km de ciclovias que acompanha o rio de Cuffy, perto de Nevers, até Saint-Brevin-les-Pins, no Atlântico. Cerca de 6 km dela atravessam o parque de Chambord, e o site oficial da rota sugere roteiros a partir de Blois.

Quantos dias ficar

Separe dois dias: um para o castelo, o centro histórico e o som e luz à noite, e outro para Chambord. Com três ou quatro dias, dá para somar Cheverny, Chaumont ou um trecho de bicicleta pela Loire à Vélo.

O próprio turismo de Blois recomenda não visitar mais de dois castelos por dia, ainda mais sem carro, porque os horários de ônibus precisam bater com os de trem. Se você vai seguir viagem pelo Loire, há trens diretos de Blois para Orléans e Tours.

Onde ficar em Blois

Centro histórico, perto do castelo: a melhor escolha para quem viaja sem carro. Você caminha até o castelo, os museus e os restaurantes, e volta a pé depois do som e luz.

Perto da estação Blois-Chambord: a estação fica a cerca de 500 metros do castelo, e dali saem os ônibus para Chambord e outros castelos. Prático para quem vai fazer bate-voltas cedo ou chegar com mala.

Campo e beira do Loire: hospedagens no entorno da cidade fazem sentido para quem está de carro ou de bicicleta e quer silêncio.

Para comparar cidades-base e hotéis na região, veja nosso guia de onde ficar no Vale do Loire.

Veja as hospedagens em Blois no Booking.

Quando ir a Blois

A melhor época é de abril a setembro, quando o castelo tem horário estendido, o som e luz acontece todas as noites e a Maison de la Magie abre diariamente (na maior parte desse período).

Outubro é um bom meio-termo: em 2026, a cidade recebeu de 7 a 11 de outubro os Rendez-vous de l’histoire, festival de história com centenas de debates, salão do livro e exposições espalhados pela cidade (site do festival). Nas férias escolares de fim de outubro, o som e luz volta, às 19h15.

No inverno, o castelo fecha mais cedo e não há espetáculo noturno. Para temperaturas e chuva, consulte a página de clima da Météo-France.

Como chegar a Blois

Do Brasil: não há aeroporto com voos internacionais em Blois. O caminho mais simples é voar para Paris e seguir de trem.

De trem: Blois está na linha que sai da estação Paris-Austerlitz, com trens TER e Ouigo Train Classique. A viagem leva entre 1h20 e 1h30, segundo Chambord e o turismo de Blois. A estação, chamada Blois-Chambord desde 2013, também tem trens para Orléans, Tours e Nantes.

De carro: são cerca de 2 horas a partir de Paris. O carro ajuda a combinar vários castelos, mas não é necessário para Blois e Chambord.

Como se locomover

O centro de Blois se faz a pé: da estação ao castelo são cerca de 8 minutos de caminhada. Conte com ladeiras e escadarias e leve sapato confortável.

Para os castelos, há a navette Rémi para Chambord e navettes sazonais para Cheverny e Chaumont. A cidade também tem patinetes elétricos compartilhados, carro compartilhado e aluguel de bicicletas, segundo a página de transporte do turismo. Confira os horários antes de sair, porque mudam entre alta e baixa temporada.

Dicas práticas

  • Moeda: euro (€).
  • Idioma: francês. O som e luz tem tradução em 10 idiomas, e o castelo oferece HistoPad.
  • Tomada e voltagem: tipos C e E, 230 V e 50 Hz. Leve adaptador.
  • Documentos: a França faz parte do Espaço Schengen, e brasileiros podem ficar até 90 dias a cada 180 sem visto. O passaporte deve ter sido emitido há menos de 10 anos e valer pelo menos 3 meses após a saída, segundo a Embaixada da França no Brasil.
  • Na fronteira: a imigração pode pedir comprovante de hospedagem, passagem de volta, seguro e meios para a estadia. Desde abril de 2026, o EES registra digitais e foto de quem entra no Schengen.
  • ETIAS: a autorização eletrônica de viagem está prevista, mas ainda não está em vigor. Acompanhe no site oficial do ETIAS.

Perguntas frequentes

Vale a pena conhecer Blois?

Sim, principalmente para quem quer ver os castelos do Loire sem carro. O castelo de Blois resume vários séculos de arquitetura num só pátio, e Chambord fica a 15 km, com ônibus a partir da estação.

Quantos dias ficar em Blois?

Dois dias bastam para a cidade e Chambord. Com três ou quatro, dá para incluir Cheverny, Chaumont-sur-Loire ou um passeio de bicicleta.

Dá para fazer bate-volta de Paris a Blois?

Dá, porque o trem leva cerca de 1h30 a partir de Paris-Austerlitz. Mas, para ver também Chambord ou o som e luz, vale dormir uma noite.

Como ir de Blois a Chambord?

Pela navette Rémi (linha 2), que sai da estação de Blois, ou de carro e bicicleta: são 15 km. O pacote “Rémi 3 en 1” junta trem, navette e ingresso com desconto.

Brasileiro precisa de visto para ir a Blois?

Não, para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. Leve passaporte válido e comprovantes de hospedagem, volta, seguro e meios para a estadia.

Qual a melhor época para ir a Blois?

De abril a setembro, quando o castelo fica aberto até mais tarde e há som e luz todas as noites. Outubro, com o festival Rendez-vous de l’histoire, é uma alternativa com menos turistas.

Seguro viagem para a França

Na França, como em todo o Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, e um atendimento médico sem cobertura pode sair caro. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para a França.

Confira as opções de seguro viagem para a França.

Chip internacional para a França

Internet desde a chegada ajuda a acompanhar horários de trem e navette, comprar ingressos e usar mapas entre os castelos. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para a França ou, se o seu celular aceita, no de eSIM para a França.

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