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Orléans é a cidade de Joana d’Arc: foi aqui que, em maio de 1429, ela ajudou a romper o cerco inglês, e a cidade celebra isso até hoje com festas que já passam de 590 edições. Capital da região Centro-Val de Loire, fica a cerca de uma hora de trem de Paris, perto da ponta leste do trecho do Loire tombado pela UNESCO.
Além da história, Orléans tem uma catedral gótica monumental, um dos museus de belas-artes mais antigos da França, cais reformados à beira do rio e o maior parque floral do país. É uma base urbana e bem servida de trens para começar a conhecer o Vale do Loire.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Orléans, quantos dias ficar, onde se hospedar, quando ir, como chegar e como se locomover, com as informações práticas que o brasileiro precisa.
Onde fica Orléans
Orléans fica no centro-norte da França, cerca de 120 km ao sul de Paris, às margens do Loire. Com cerca de 116 mil habitantes (quase 293 mil na aglomeração), é a capital da região Centro-Val de Loire.
A cidade é a porta de entrada do Vale do Loire: o trecho do rio inscrito como Patrimônio Mundial em 2000 tem 280 km, de Sully-sur-Loire, perto de Orléans, até Chalonnes-sur-Loire. Seguindo o rio para oeste, você chega a Blois, Amboise e Tours; rio acima, a Nevers.
Vale a pena para quem se interessa pela história de Joana d’Arc, para quem quer uma cidade de verdade (não só castelos) no roteiro do Loire e para quem viaja de trem a partir de Paris.
O que fazer em Orléans
Catedral Sainte-Croix
A catedral de Sainte-Croix domina o centro. A igreja medieval foi derrubada em boa parte pelos huguenotes em 1568, e a reconstrução em estilo gótico começou em 1601, na presença do rei e da rainha Maria de Médici, e só terminou em 1829. As torres da fachada passam dos 80 metros, e a flecha central, de 1855 a 1859, chega a 114 metros.
Lá dentro, procure a galeria de vitrais que conta a história de Joana d’Arc, das aparições em Domrémy à entrada em Orléans e à coroação de Carlos VII em Reims. A visita às torres não é permitida: elas estão fechadas ao público desde 1940.
Maison de Jeanne d’Arc
Joana d’Arc se hospedou aqui de 29 de abril a 9 de maio de 1429, durante o cerco, na casa de Jacques Boucher, tesoureiro do duque de Orléans. A original foi destruída em 1940; a atual, em enxaimel, é uma reconstituição dos anos 1960.
A Maison de Jeanne d’Arc conta a epopeia com telas interativas, mapas das batalhas e um filme panorâmico de 15 minutos sobre a Guerra dos Cem Anos, exibido a cada meia hora. Fica na place de Gaulle e fecha às segundas. A entrada é gratuita no primeiro domingo do mês.
Musée des Beaux-Arts
Aberto em 1825, o Musée des Beaux-Arts é um dos mais antigos e ricos da França. O acervo tem mais de 13 mil obras, do século 15 ao 20, com pintura italiana, flamenga e holandesa, arte francesa dos séculos 17 e 18 e um gabinete de pastéis que é o segundo maior do país, depois do Louvre.
Fica na place Sainte-Croix, ao lado da catedral, e abre de terça a domingo (às quintas, até as 20h). Como a Maison de Jeanne d’Arc, tem entrada gratuita no primeiro domingo do mês. Veja horários e ingressos na página oficial do museu.
Hôtel Groslot e a place du Martroi
O Hôtel Groslot é um palacete renascentista projetado por Jacques I Androuet du Cerceau para Jacques Groslot, bailio de Orléans, e concluído entre 1553 e 1558. Foi ali que o rei Francisco II morreu, em dezembro de 1560. O prédio serviu de prefeitura de 1790 a 1981; no pátio, em frente à escadaria, fica uma estátua de Joana d’Arc esculpida pela princesa Marie d’Orléans, que ainda traz marcas de bala da libertação de 1944.
A poucos passos, a place du Martroi é a praça central da cidade, com a estátua equestre de Joana d’Arc. É dali que sai o cortejo a cavalo das festas de maio, e é ali também que fica o posto de turismo.
Hôtel Cabu e outros museus
Instalado num palacete renascentista, o Hôtel Cabu é o museu de história e arqueologia da cidade e guarda o tesouro galo-romano de Neuvy-en-Sullias. O ingresso conjunto de um dia dá acesso a quatro museus municipais, incluindo a Maison de Jeanne d’Arc e o Musée des Beaux-Arts.
Para quem se interessa pela Segunda Guerra, o Cercil é o museu-memorial das crianças do Vel d’Hiv, com centro de documentação sobre a deportação. Já a Collégiale Saint-Pierre-le-Puellier, do século 12, é a igreja mais antiga ainda de pé em Orléans e recebe de quatro a cinco exposições temporárias por ano.
Cais do Loire e guinguettes
Os cais da margem do Loire foram reformados para caminhada, e o passeio pode seguir até Combleux, entre o rio e o canal de Orléans. A ponte George-V e a passagem das Tourelles marcam o lugar onde Joana d’Arc repeliu os ingleses em 1429.
No verão, o Loire ganha as guinguettes, bares e restaurantes ao ar livre à beira d’água que a prefeitura reúne num guia anual. Também no verão, a navette fluvial Bat’O Loire sai do quai du Châtelet rumo à Île Charlemagne, base de lazer de 70 hectares com esportes náuticos.
Parc Floral de La Source
Com 35 hectares, o Parc Floral de La Source é o maior parque floral da França e tem no centro a nascente do Loiret, uma ressurgência do próprio Loire. É bom programa de meio dia, sobretudo na primavera e no outono.
Em 2026, abriu das 10h às 19h de 20 de março a 27 de setembro e das 10h às 18h até 1º de novembro, com última entrada uma hora antes. Para chegar, pegue o tram A até a parada Université Parc Floral.
Loire à Vélo
Orléans fica no trajeto da Loire à Vélo, rota de cerca de 900 km entre Cuffy, perto de Nevers, e Saint-Brevin-les-Pins, no Atlântico. Ao redor da cidade, há trechos seguros e curtos, bons para famílias, e a rota segue até Blois e Tours, ligando Orléans aos castelos.
Quantos dias ficar em Orléans
Um dia dá conta do centro: catedral, Maison de Jeanne d’Arc, Musée des Beaux-Arts, Hôtel Groslot e um fim de tarde nos cais. Com dois dias, você soma o Parc Floral e algum museu a mais, ou uma pedalada pelo Loire.
Se a ideia for também ver castelos, Orléans funciona como primeira parada antes de seguir para oeste. O Château de Chambord fica a cerca de 47 km, e Blois, que tem trens regionais diretos a partir de Orléans, é a base mais usada para visitá-lo.
Onde ficar em Orléans
Para uma ou duas noites, estas são as áreas mais práticas:
- Centro histórico: entre a place du Martroi, a catedral e os cais. É a melhor escolha para quem quer fazer tudo a pé.
- Perto da estação de Orléans: a estação fica no centro e é servida pelo tram A, prática para quem chega de Paris ou faz bate-voltas de trem.
- Margem do Loire: para quem quer os cais e as guinguettes à porta, sobretudo no verão.
- La Source: no sul, perto do Parc Floral e da universidade, ligada ao centro pelo tram A. Faz sentido para quem viaja de carro, já que fica perto da saída da A71.
Se o seu foco são os castelos, compare antes com outras bases da região no nosso post Onde ficar no Vale do Loire: guia completo de hospedagem.
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Quando ir a Orléans
O clima é temperado, com invernos frios e verões amenos. A média de janeiro fica em torno de 4,4 °C, e a de julho, de 19,7 °C, com cerca de 635 mm de chuva por ano.
A data mais especial é a das Fêtes de Jeanne d’Arc, de 29 de abril a 8 de maio, reconhecidas como patrimônio cultural imaterial da França desde 2018. Em 2026, a programação teve a entrega da espada a Joana na catedral, o cortejo a cavalo de 1º de maio, um espetáculo de som e luz na place Sainte-Croix e a grande homenagem de 8 de maio, aniversário da libertação.
Outros eventos marcam o calendário: o Grand PianO Festival no fim de junho, as guinguettes no verão, a Fête de l’automne no Parc Floral em outubro e o mercado de Natal, que em 2026 abre em 28 de novembro. O Festival de Loire, que reúne barcos tradicionais nos cais, é bienal; a próxima edição está marcada para 22 a 26 de setembro de 2027.
Como chegar a Orléans
Do Brasil, voe até Paris: Air France e LATAM têm voos de Guarulhos para o aeroporto Charles de Gaulle. O aeroporto de Orléans atende sobretudo aviação executiva e carga, então não conte com ele.
De trem, os trens regionais TER ligam a estação de Paris-Austerlitz a Orléans, diretos ou com paradas, em cerca de uma hora. Alguns trens param só em Les Aubrais, a outra estação principal da aglomeração; confira a estação de destino na passagem.
Dentro da região, há trens regionais de Orléans para Blois e Tours, e uma linha Nevers–Bourges–Orléans. Os trens Interloire seguem de Orléans até Nantes.
De carro, Orléans fica a cerca de 120 km de Paris. A autoestrada A71 tem saída (Orléans la Source) no sul da cidade, perto do Parc Floral.
Como se locomover em Orléans
O centro histórico se percorre a pé, e a catedral, os museus e os cais ficam próximos uns dos outros. Para ir mais longe, a cidade tem duas linhas de tram: a A, de cerca de 18 km, cruza a aglomeração de norte a sul, passando pela estação e pelo Parc Floral; a B, de cerca de 11 km, corta de leste a oeste.
A bicicleta é ótima para os cais e para a Loire à Vélo. O carro ajuda nos castelos mais afastados, como Chambord.
Dicas práticas
- Moeda: euro (€).
- Idioma: francês. Aprender “bonjour” e “merci” já abre muitas portas.
- Tomada e voltagem: tomadas dos tipos C e E, 230 V e 50 Hz. O plugue brasileiro de dois pinos finos costuma encaixar na tipo C; leve um adaptador para os de três pinos.
- Museus de graça: no primeiro domingo do mês, a Maison de Jeanne d’Arc e o Musée des Beaux-Arts não cobram entrada. Os dois fecham às segundas.
- Informação turística: o posto de turismo fica no número 23 da place du Martroi.
- Documentos: brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias num período de 180 no Espaço Schengen. A polícia de fronteira francesa pode pedir passaporte válido, comprovante de hospedagem, de meios financeiros, passagem de volta e seguro viagem. Desde abril de 2026, o EES registra digitais e foto na entrada. O ETIAS está previsto, mas ainda não está em vigor; confira em travel-europe.europa.eu.
Perguntas frequentes
Vale a pena visitar Orléans?
Sim, sobretudo para quem se interessa por Joana d’Arc e quer uma cidade com vida própria no roteiro do Loire. A catedral, o Musée des Beaux-Arts e os cais justificam pelo menos um dia.
Quantos dias ficar em Orléans?
Um dia é suficiente para o centro histórico. Com dois, dá para incluir o Parc Floral de La Source e uma pedalada na Loire à Vélo.
Dá para fazer bate-volta de Paris a Orléans?
Dá. O trem regional sai de Paris-Austerlitz e leva cerca de uma hora, o que permite ver o centro e voltar no mesmo dia.
Orléans é uma boa base para visitar os castelos do Loire?
Para Chambord, Blois é mais perto. Orléans funciona bem como primeira parada vindo de Paris, antes de seguir para Blois, Amboise ou Tours.
Brasileiro precisa de visto para ir a Orléans?
Não, para turismo de até 90 dias num período de 180 dentro do Espaço Schengen. Leve comprovantes de hospedagem, meios financeiros, volta e seguro, que podem ser pedidos na fronteira.
Qual a melhor época para ir a Orléans?
Do fim de abril a setembro. Entre 29 de abril e 8 de maio acontecem as Fêtes de Jeanne d’Arc, e no verão os cais ficam cheios de guinguettes.
Seguro viagem para França
Na França, a polícia de fronteira pode pedir comprovante de seguro com cobertura de despesas médicas e hospitalares, incluindo repatriação, além de meios para a estadia. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para França.
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Chip internacional para França
Internet no celular ajuda a conferir trens entre Paris, Orléans e os castelos, usar o mapa do tram e se orientar na Loire à Vélo. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para França ou, se o seu aparelho aceitar, no de eSIM para França.

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