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Cortina d’Ampezzo é a estação de montanha mais famosa das Dolomitas italianas, chamada pelo próprio turismo local de “Rainha das Dolomitas”. A cidade fica num vale largo, a cerca de 1.224 metros de altitude, cercada por paredões de rocha clara que mudam de cor no fim da tarde.
No inverno, é destino de esqui; no verão, base de trilhas, teleféricos e cenários da Primeira Guerra Mundial. Sede olímpica em 1956, recebeu de novo os Jogos de Inverno em 2026, junto com Milão.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Cortina d’Ampezzo nas duas temporadas, quantos dias ficar, onde se hospedar, quando ir e como chegar a partir de Veneza, o caminho mais usado por quem vem do Brasil.
Onde fica Cortina d’Ampezzo
Cortina fica no norte da Itália, na província de Belluno, região do Vêneto, às margens do rio Boite. É cercada por montanhas como as Tofane, o Cristallo, o Sorapiss e as Cinque Torri, e faz parte das Dolomitas, inscritas como Patrimônio Mundial da UNESCO em 2009.
A cidade pertence à Ladínia, área de língua ladina; muitos moradores falam o ampezzano, além do italiano. Cortina ficou sob domínio dos Habsburgo de 1508 até 1918, e só depois passou a ser italiana.
Num roteiro pelo norte da Itália, Cortina combina bem com Veneza, de onde saem os ônibus diretos, e com Milão. Do lado austríaco, Innsbruck e o Tirol são uma extensão natural para quem quer emendar mais montanha. Vale a pena para quem gosta de esqui, caminhada e paisagem.
O que fazer em Cortina d’Ampezzo
Corso Italia e a Basílica dos Santos Filipe e Tiago
O centro de Cortina gira em torno do Corso Italia, a rua de pedestres com lojas, cafés e a vitrine do estilo de vida da estação. É ali que fica o posto de informações turísticas (IAT), no número 81.
O marco do centro é a Basílica Minore dei Santi Filippo e Giacomo, construída entre 1769 e 1775 no lugar de duas igrejas mais antigas. Os santos são os padroeiros da cidade, festejados em 3 de maio.
Teleférico Freccia nel Cielo até a Tofana di Mezzo
A Freccia nel Cielo (“flecha no céu”) é o teleférico que sai de perto do Estádio Olímpico do Gelo, no centro, e sobe em três trechos: Col Drusciè (1.778 m), Ra Valles (2.470 m) e o cume da Tofana di Mezzo, a 3.244 m. São mais de 2.000 metros de desnível em cerca de 14 minutos de subida.
Leve casaco mesmo no verão. Confira o calendário de funcionamento no site oficial; para o inverno 2026/27, a abertura anunciada é 4 de dezembro de 2026.
Lagazuoi e o museu a céu aberto da Grande Guerra
Durante a Primeira Guerra Mundial, a frente entre Itália e Áustria-Hungria passava por estas montanhas. Hoje, a área de Lagazuoi, Cinque Torri e Sasso di Stria forma o que se apresenta como o mais extenso museu a céu aberto da Primeira Guerra, com trincheiras, caminhos e galerias escavadas na rocha, além do museu do Forte Tre Sassi.
O teleférico do Lagazuoi parte do Passo Falzarego e chega a cerca de 2.732 m. Na temporada de verão de 2026, funcionou de 6 de junho a 18 de outubro. Quem tem fôlego pode descer por dentro da montanha pela Galleria del Lagazuoi, túnel da época da guerra; veja as condições no site do Lagazuoi.
Cinque Torri
As Cinque Torri são um grupo de torres de rocha isoladas entre Cortina e San Vito di Cadore. A mais alta, a Torre Grande, tem 2.361 m. É um dos cenários mais fotografados da região e ponto clássico de escalada.
Lago di Sorapis
O Lago di Sorapis, a cerca de 1.923 m, chama a atenção pela água de um azul intenso, aos pés do maciço do Sorapiss. Fica dentro do município de Cortina e é uma das trilhas mais procuradas da região.
O caminho mais usado é a trilha CAI 215, que sai do Passo Tre Croci e leva cerca de 2 horas até o refúgio Vandelli, ao lado do lago. Use calçado de trilha e confira a previsão do tempo antes de sair.
Passo Giau
O Passo Giau, a 2.236 m, liga Cortina a Selva di Cadore e Colle Santa Lucia. Do alto, você vê de um lado a Marmolada e as Pale di San Martino e, do outro, a bacia de Cortina, as Tofane e o Cristallo.
A subida é famosa entre ciclistas: o passo já foi o ponto mais alto do Giro d’Italia e faz parte da Maratona delle Dolomiti desde 1988. No cume ainda há um marco da antiga fronteira entre a República de Veneza e o Império Austríaco.
Museus das Regole d’Ampezzo
As Regole, instituição que administra as terras coletivas do vale, mantêm três museus: o Museo Paleontologico Rinaldo Zardini, com fósseis do Triássico; o Museo d’Arte Moderna Mario Rimoldi, com mais de 800 obras de artistas italianos do século 20; e o Museo Etnografico, sobre a vida tradicional do vale.
Esquiar nas pistas olímpicas
Cortina faz parte do Dolomiti Superski, o sistema de esqui que reúne várias áreas das Dolomitas, e tem cerca de 115 a 120 km de pistas no próprio vale. Nas Tofane, as pistas começam a cerca de 2.500 m, e do Lagazuoi sai a descida da Armentarola, a partir de cerca de 2.752 m.
Nos Jogos de 2026, a pista Olimpia delle Tofane recebeu as provas de esqui alpino feminino, e a cidade ainda sediou bobsled, luge, skeleton e curling. Para a temporada 2026/27, a abertura dos teleféricos está prevista para 28 de novembro; acompanhe pelo site do Skipass Cortina.
Provar a cozinha ampezzana
A cozinha local mistura tradição de montanha e influência austríaca. Procure os casunziei, massa recheada típica, os chenedi (o equivalente aos knödel, bolinhos de pão) e o gröstl, refogado de batata e carne.
Quantos dias ficar
Para conhecer o centro, subir a Tofana e fazer um passeio de Grande Guerra no Lagazuoi ou nas Cinque Torri, reserve pelo menos 2 a 3 dias. Quem vai esquiar costuma ficar uma semana, e quem quer fazer trilhas como a do Sorapis também deve somar dias extras, porque o tempo na montanha muda rápido.
O bate-volta mais famoso é até as Tre Cime di Lavaredo, as três torres de rocha que são símbolo das Dolomitas, a cerca de 17 km de Cortina. A Cima Grande tem 2.999 m, e a base mais fácil é o refúgio Auronzo, acessível por uma estrada com pedágio a partir de Misurina.
Onde ficar em Cortina d’Ampezzo
Centro (Corso Italia e arredores): a escolha mais prática para quem não vai alugar carro. Você fica a pé de restaurantes, lojas, do terminal de ônibus no Estádio do Gelo e da base da Freccia nel Cielo.
Frações e encostas ao redor do vale: o município é grande e se espalha por povoados e áreas na subida para os passos. Servem a quem está de carro e quer silêncio, vista e acesso rápido às trilhas e às pistas.
San Vito di Cadore e o vale do Boite: San Vito fica cerca de 9 km ao sul e é uma alternativa para quem não achou vaga em Cortina, especialmente na alta temporada, quando a população da cidade, de cerca de 7 mil moradores, chega a 40 mil pessoas.
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Quando ir a Cortina d’Ampezzo
Cortina tem duas temporadas fortes. O inverno, do fim de novembro até a primavera, é a época do esqui e da neve. O clima é alpino: a média das máximas no ano fica perto de 12 °C e as mínimas, perto de 2 °C.
O verão, de junho a setembro, é a época das trilhas, da escalada e dos teleféricos abertos, com máximas médias de cerca de 22 °C em julho. É também quando passos como o Giau e o Falzarego ficam mais acessíveis.
O outono tem um charme próprio: os larícios ficam dourados, e o turismo oficial divulga roteiros de caminhada para ver essa cor, como o do Croda da Lago. A contrapartida é que parte dos teleféricos e refúgios fecha entre o fim do verão e o início do inverno; confira antes no site oficial de Cortina.
Como chegar a Cortina d’Ampezzo
Do Brasil: não há voo direto para a região. O aeroporto mais usado é o Marco Polo, de Veneza, a 162 km de Cortina, que recebe voos de hubs como Lisboa (TAP), Madri (Iberia e Air Europa), Paris (Air France), Frankfurt (Lufthansa) e Roma (ITA Airways). Outras opções são o aeroporto de Treviso (130 km) e o de Innsbruck, na Áustria (170 km).
De ônibus: Cortina Express, Flixbus e ATVO ligam Cortina ao aeroporto de Veneza e à estação de Venezia-Mestre; na alta temporada, há linhas também para o aeroporto de Treviso e para Bolonha. A viagem pela estrada leva cerca de 2h15. O terminal em Cortina fica no Estádio do Gelo.
De trem: Cortina não tem estação desde 1964, quando a antiga ferrovia das Dolomitas fechou. As estações mais próximas são Calalzo-Pieve di Cadore-Cortina (35 km), ligada por ônibus da Dolomiti Bus, e Dobbiaco (31 km), servida pelos ônibus da SAD.
De carro: a saída de autoestrada mais próxima é a da A27 em Belluno, 72 km ao sul, seguindo depois pela SS51 (Alemagna). Do norte, a saída é a da A22 em Bressanone, a 87 km.
Como se locomover
O centro se percorre a pé, e a Freccia nel Cielo sai dali mesmo. Para ir além, o carro dá muito mais liberdade, especialmente para chegar ao Passo Falzarego, ao Passo Giau, ao Passo Tre Croci e a Misurina.
Se for de carro, use os estacionamentos públicos: o de Acquabona tem 500 vagas e ônibus gratuito até o centro, e o edifício-garagem de Pontechiesa tem 190 vagas pagas. No inverno, confira as exigências de pneus e correntes para neve com a locadora.
Dicas práticas
- Moeda: euro (€).
- Idioma: italiano; muitos moradores também falam o ampezzano, variante do ladino.
- Fuso horário: 4 horas a mais que Brasília no inverno europeu e 5 horas a mais no verão europeu.
- Tomada e voltagem: tipos C, F e L, 230 V e 50 Hz. Leve adaptador e confira a voltagem dos seus aparelhos.
- Documentos: brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180 dias. Segundo a Embaixada da Itália em Brasília, a fronteira pode pedir comprovante de hospedagem, seguro saúde válido e meios de subsistência para a estadia e a volta.
- EES: o Sistema de Entrada e Saída está em pleno funcionamento desde 10 de abril de 2026 e registra digitais e foto do rosto na entrada no Schengen.
- ETIAS: está previsto, mas ainda sem data em vigor. Confira em travel-europe.europa.eu/etias_en.
Perguntas frequentes
Vale a pena ir a Cortina d’Ampezzo?
Sim, se você gosta de montanha. Cortina reúne paisagem das Dolomitas, pistas olímpicas, teleféricos que passam dos 3.000 m e trilhas por cenários da Primeira Guerra, tudo a partir de uma cidade estruturada.
Quantos dias ficar em Cortina d’Ampezzo?
De 2 a 3 dias para o essencial. Para esquiar ou fazer trilhas com calma, incluindo as Tre Cime di Lavaredo, o ideal é de 4 dias a uma semana.
Cortina d’Ampezzo é cara?
Sim, Cortina é uma estação de montanha de alto padrão, conhecida pela hotelaria e pelas lojas sofisticadas. Para gastar menos, compare hospedagem em San Vito di Cadore e use os passes de teleférico de vários dias.
Qual a melhor época para ir a Cortina d’Ampezzo?
Depende do objetivo: de dezembro a março para esqui e neve; de junho a setembro para trilhas e teleféricos. O outono é bonito, mas parte dos teleféricos e refúgios fecha nessa transição.
Como ir de Veneza a Cortina d’Ampezzo?
O jeito mais simples é o ônibus direto do aeroporto de Veneza ou da estação de Mestre, com Cortina Express, ATVO ou Flixbus, em cerca de 2h15. De trem, só até Calalzo, com ônibus no trecho final.
Precisa de visto para ir a Cortina d’Ampezzo?
Não. Brasileiros entram na Itália sem visto para turismo de até 90 dias a cada 180, mas podem ter de mostrar hospedagem, seguro saúde e dinheiro para a estadia.
Seguro viagem para Itália
A Itália faz parte do Espaço Schengen, e a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Em Cortina, vale conferir também se a apólice cobre esportes de inverno e resgate em montanha. Veja mais no nosso guia de seguro viagem para a Itália.
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