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Pavia é uma cidade universitária da Lombardia, às margens do rio Ticino, que costuma passar despercebida por quem vai a Milão. Pois deveria entrar no roteiro: foi capital do reino dos lombardos, viu reis serem coroados numa basílica românica e guarda, a poucos quilômetros do centro, um dos mosteiros mais impressionantes da Itália, a Certosa di Pavia.
Hoje é uma cidade de estudantes, com torres medievais, uma ponte coberta sobre o rio e um ritmo bem mais calmo que o de Milão, a cerca de meia hora de trem.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Pavia, como visitar a Certosa, quantos dias ficar, onde se hospedar, como chegar e as dicas práticas para quem vai do Brasil.
Onde fica Pavia
Pavia é a capital da província de mesmo nome, no sul da Lombardia. A cidade fica na margem do Ticino, pouco antes de o rio desaguar no Pó, e tem cerca de 72 mil habitantes.
A história explica boa parte do que você vai ver. Nasceu como acampamento romano, chamado Ticinum. Os lombardos conquistaram a cidade em 572, rebatizaram-na de Papia e fizeram dela a capital do seu reino. Entre 774 e 1024, Pavia foi a capital do Reino da Itália, e os reis eram coroados na basílica de San Michele Maggiore.
No mapa, ela fica entre Milão, ao norte, e a linha de trem que segue para Gênova e a Ligúria, ao sul. A oeste começa o Piemonte. Vale a pena para quem gosta de arte românica, de cidades com vida estudantil e de trocar um dia de multidão em Milão por um ritmo mais calmo.
O que fazer em Pavia
Basílica de San Michele Maggiore
A San Michele Maggiore é a obra-prima do românico lombardo na cidade. A igreja atual foi reconstruída depois de um terremoto em 1117 e ficou pronta na primeira metade do século 12. A fachada, de arenito do Oltrepò Pavese, tinha a parte de baixo coberta de relevos bíblicos e figuras fantásticas, hoje gastos pela erosão.
Foi o principal local de coroação dos reis da Itália. A última foi a de Frederico Barba-Ruiva, em 17 de abril de 1155. Segundo o site oficial de turismo da província, a basílica abre de segunda a sábado, das 8h às 19h, e aos domingos até as 20h.
San Pietro in Ciel d’Oro e o túmulo de Santo Agostinho
A San Pietro in Ciel d’Oro é uma das igrejas mais antigas de Pavia e guarda as relíquias de Santo Agostinho, trazidas da Sardenha na época do rei lombardo Liutprando. Elas ficam sob a Arca de Santo Agostinho, um monumento de mármore de 1362 esculpido com cenas da vida do santo.
Na cripta está sepultado o filósofo Boécio, morto em 525, e o nome da igreja vem do teto dourado que ela já teve. A igreja abre todos os dias, das 8h30 às 12h e das 15h30 às 19h; evite os horários de missa.
Castello Visconteo e Musei Civici
O Castello Visconteo foi construído entre 1360 e 1365 por Galeazzo II Visconti, senhor de Milão, e serviu de residência a ele e ao filho, Gian Galeazzo. A batalha de Pavia, em 1525, terminou com a derrota francesa e o rei Francisco I preso.
Hoje o castelo abriga os Musei Civici: o museu arqueológico com a sala lombarda, a seção medieval e renascentista, a Pinacoteca Malaspina, a galeria de pintura do século 19, com obras de Hayez, e o museu do Risorgimento. Confira horários e ingressos com o posto de turismo antes de ir.
Ponte Coperto e Borgo Ticino
O Ponte Coperto, a ponte coberta sobre o Ticino, é o cartão-postal da cidade. A ponte medieval, de 1351 a 1354, foi danificada por bombardeios na Segunda Guerra e demolida depois. A atual foi construída entre 1949 e 1951, um pouco abaixo do traçado antigo, tem 216 metros e também uma pequena capela.
Procure a placa com uma frase de Albert Einstein, que passou alguns meses em Pavia quando os pais se mudaram para a cidade, em 1894. Do outro lado fica o Borgo Ticino, de onde se tem a melhor vista da ponte com o centro atrás.
Duomo de Pavia
A catedral começou a ser construída em 1488, e a historiografia atribui o projeto original a Bramante; Leonardo da Vinci visitou o canteiro em 1490. A obra se arrastou por séculos e só foi considerada concluída nos anos 1930. A cúpula, com 97 metros de altura externa, é uma das maiores da Itália.
Ao lado ficava a Torre Civica, que desabou em 1989. A catedral passou então por longas obras e só reabriu em 2012. Dentro, ficam as relíquias de São Siro.
Universidade, torres e Teatro Fraschini
A Universidade de Pavia funciona desde 1361 e é a mais antiga da Lombardia. Por ali passaram Alessandro Volta, o inventor da pilha, e o cientista Camillo Golgi. O Palazzo Centrale abriga o museu de história da universidade, com o gabinete de física de Volta.
Pavia já foi chamada de “cidade das cem torres”. Sobraram poucas, e três delas ficam perto da universidade. Vale espiar também o Teatro Fraschini, construído entre 1771 e 1773 com projeto de Antonio Galli Bibiena.
Horti do Collegio Borromeo e a beira do Ticino
Os Horti são um parque de 35.000 m² à beira do Ticino, mantido pelo Almo Collegio Borromeo, um dos colégios universitários da cidade. A entrada é gratuita, e entre os canteiros há esculturas contemporâneas, como a “Triade” de Arnaldo Pomodoro.
Certosa di Pavia
A cerca de 8 km ao norte da cidade fica a Certosa di Pavia, o mosteiro que Gian Galeazzo Visconti, primeiro duque de Milão, mandou construir a partir de 1396. A igreja foi consagrada em 1497, e a fachada, coberta de relevos, estátuas e mármore de Carrara, é de deixar qualquer um parado na frente. Dentro estão o túmulo de Gian Galeazzo e o monumento fúnebre de Ludovico il Moro e Beatriz d’Este.
O mosteiro foi dos cartuxos e hoje é dos monges cistercienses. O Museu da Certosa abre de terça a domingo, das 10h às 16h, e o ingresso inteiro custa cerca de €10 (valores de 2026; podem mudar). Para chegar, pegue o trem suburbano S13 até a estação Certosa di Pavia: são 7 minutos e cerca de €2 por trecho. Da estação, um caminho de pedestres e ciclistas contorna os muros até a entrada.
Zuppa alla pavese, torta Paradiso e vinhos do Oltrepò
Dois sabores contam a história da cidade. A zuppa alla pavese é um caldo com fatias de pão amanhecido, manteiga, queijo ralado e um ovo no meio; a lenda diz que foi servida ao rei Francisco I depois da batalha de 1525. A torta Paradiso, um bolo leve com limão e açúcar de confeiteiro, foi aperfeiçoada por volta de 1878 pelo confeiteiro Enrico Vigoni, cuja confeitaria ainda é a referência.
Para acompanhar, peça um vinho do Oltrepò Pavese, área da província que produz 36 tipos de vinho DOC, entre eles bonarda, barbera e pinot noir. A província também se apresenta como capital do arroz, com cerca de 80 mil hectares de arrozais.
Quantos dias ficar
Um dia inteiro dá para ver o centro de Pavia e a Certosa, se você começar cedo: a Certosa de manhã (o museu fecha às 16h) e a cidade à tarde. Com um pernoite, tudo fica sem pressa.
Com dois ou três dias, Pavia vira base para conhecer Vigevano, com a Piazza Ducale e o Castello Sforzesco, e as colinas do Oltrepò.
Onde ficar em Pavia
Centro histórico: é a melhor escolha para a maioria. Fica tudo a pé, das basílicas ao castelo e ao Ponte Coperto,.
Perto da estação: prático para quem vai e volta de Milão de trem ou quer pegar o S13 cedo para a Certosa. O centro fica a uma caminhada curta.
Borgo Ticino e arredores: do outro lado da ponte, mais tranquilo e com vista para o centro. Quem está de carro também encontra agroturismos no Parque do Ticino, fora da cidade.
Se preferir dormir na capital e vir só para o dia, veja nosso guia de onde ficar em Milão.
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Quando ir a Pavia
O clima é continental úmido, com bastante diferença entre as estações. O verão é quente e abafado, com trovoadas rápidas. O inverno é frio e tem muito nevoeiro, favorecido pelo rio e pelos canais; neve aparece de vez em quando.
Primavera e outono são as estações mais chuvosas, mas também as mais agradáveis para caminhar, e costumam ser a melhor época para a visita. No outono acontece o Autunno Pavese, feira de comida e vinho da região, com degustações e barracas de produtores.
Como chegar a Pavia
Do Brasil: o caminho mais comum é voar para o aeroporto de Milão-Malpensa, em geral com conexão num aeroporto europeu. Não há ligação direta de Malpensa a Pavia: de trem, a viagem leva cerca de 1h40, com uma troca em Milão. O aeroporto de Linate fica a cerca de 40 km de Pavia.
De Milão: de Milano Centrale saem trens regionais e Intercity para Pavia a cada meia hora, aproximadamente. O regional veloce leva cerca de 35 minutos e custa cerca de €4,60; o Intercity faz o trajeto em 25 a 30 minutos por cerca de €9 (valores de 2026; podem mudar). A linha suburbana S13 também liga as duas cidades. Consulte horários na Trenitalia ou na Trenord.
De Gênova: o Intercity liga Gênova Piazza Principe a Pavia em cerca de 1h10; os regionais levam cerca de 1h30.
De carro: a saída mais próxima é Bereguardo-Pavia Nord, na autoestrada A7, a cerca de 15 minutos da cidade.
Como se locomover
O centro de Pavia se percorre a pé: da estação ao Ponte Coperto, passando pelas basílicas e pelo castelo, tudo fica a distâncias curtas. Para quem se hospeda fora do centro, há ônibus urbanos da Autoguidovie.
Se estiver de carro, atenção: o centro histórico é zona de tráfego limitado (ZTL), com câmeras na entrada, e quem entra sem autorização leva multa. Deixe o carro num estacionamento fora da área e siga a pé. Para a Certosa, o trem S13 é a opção mais simples; há também uma ciclovia ao lado do Naviglio Pavese.
Dicas práticas
- Moeda: euro.
- Idioma: italiano.
- Fuso: 4 horas a mais que Brasília no inverno europeu e 5 horas no verão europeu.
- Tomada e voltagem: 230 V; tomadas dos tipos C, F e L. Leve um adaptador.
- Documentos: brasileiro não precisa de visto para ficar até 90 dias a cada 180 na Itália, segundo a Embaixada da Itália. A imigração pode pedir comprovante de hospedagem, de seguro e de meios para a estadia.
- Fronteira: o EES, registro biométrico de entrada e saída, está plenamente em operação desde abril de 2026 e substituiu o carimbo no passaporte. O ETIAS, autorização eletrônica de viagem, está previsto, ainda sem data em vigor; confira em travel-europe.europa.eu.
Perguntas frequentes
Vale a pena visitar Pavia?
Vale, principalmente para quem quer um dia fora de Milão. A Certosa sozinha justifica a viagem, e o centro soma basílicas românicas, o castelo dos Visconti e a ponte coberta.
Dá para fazer bate-volta de Milão a Pavia?
Dá, e é a forma mais comum de visitar. O trem de Milano Centrale leva de 25 a 35 minutos, e a estação Certosa di Pavia fica no caminho da linha S13.
Quantos dias ficar em Pavia?
Um dia basta para a cidade e a Certosa. Fique dois ou três se quiser incluir Vigevano e as colinas do Oltrepò Pavese.
Como ir de Pavia à Certosa?
De trem, na linha S13, em 7 minutos até a estação Certosa di Pavia, e depois a pé até a entrada. Também há ônibus e uma ciclovia ao lado do Naviglio Pavese.
Pavia é cara?
Não precisa ser. O parque dos Horti tem entrada gratuita, o trem regional desde Milão custa cerca de €4,60 e o museu da Certosa, cerca de €10 (valores de 2026; podem mudar).
Brasileiro precisa de visto para ir a Pavia?
Não, para turismo de até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. Leve comprovantes de hospedagem, de seguro e de meios para a estadia, que a imigração pode pedir.
Qual a melhor época para ir a Pavia?
Primavera e outono, quando a temperatura é boa para caminhar. O verão é quente e abafado, e o inverno tem frio e muito nevoeiro.
Seguro viagem para a Itália
A Itália faz parte do Espaço Schengen, e a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para a Itália.
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