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Val Gardena: o que fazer, onde ficar e dicas de viagem

Por Flávio AntunesAtualizado em 04/11/2026

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Val Gardena é um vale ladino no coração das Dolomitas, no Alto Ádige, onde três vilas se enfileiram ao longo de um único rio: Ortisei, Santa Cristina e Selva. Em volta delas ficam alguns dos picos mais conhecidos das Dolomitas, como o Sassolungo, o maciço do Sella e as agulhas das Odle, vistas do alto da Seceda.

O que faz o vale especial é também a vida que acontece embaixo das montanhas. Aqui se fala ladino, uma língua românica própria, e há mais de três séculos as famílias esculpem madeira, de presépios a brinquedos que já foram vendidos na Europa e nos Estados Unidos.

Por isso, montamos este guia com o que fazer em Val Gardena vila por vila, quais teleféricos usar, quando ir para trilha ou para esqui, onde ficar e como chegar sem carro, a partir de Bolzano.

Onde fica Val Gardena

Val Gardena fica no Alto Ádige (Südtirol), a província de Bolzano, no extremo norte da Itália. O vale é percorrido pelo rio Gardena (Derjon, em ladino), de 25 km, e vai de 1.236 m a 3.181 m de altitude, segundo a Wikipédia italiana.

São três comunas: Ortisei (Urtijëi em ladino, St. Ulrich em alemão), a mais movimentada; Santa Cristina, aos pés do Sassolungo; e Selva (Sëlva), a mais alta, junto ao maciço do Sella. O vale é oficialmente trilíngue, com italiano, alemão e ladino, e o ladino é a língua materna de cerca de 85% a 90% dos moradores.

Val Gardena fica a cerca de 40 km de Bolzano, a capital da província, que é a porta de chegada de trem. Para quem já leu o nosso guia das Dolomitas, Val Gardena é a base mais prática para conhecer o setor oeste da cordilheira sem depender de carro, com teleféricos saindo de dentro das vilas.

O que fazer em Val Gardena

Passear pela zona de pedestres de Ortisei

O centro de Ortisei tem uma zona de pedestres que vai da capela de Santo Ulrico até a igreja de Santo Antônio, cheia de lojas, cafés e ateliês de escultura. O turismo oficial do vale a chama de “a rua de compras mais bonita das Dolomitas”.

No caminho, vale entrar na igreja paroquial de Santo Ulrico, com elementos renascentistas e barrocos e entalhes em madeira feitos no próprio vale. No mesmo vilarejo fica a igreja de São Tiago, a mais antiga de Val Gardena, com altar-mor barroco da família Vinazer.

Conhecer a tradição da escultura em madeira

A escultura, sobretudo em pinho-cembro, é tradição do vale desde o século 17 e começou em Pescosta, um povoado de Ortisei. Por gerações, as famílias de escultores fizeram santos, altares e figuras de presépio, e no século 19 os bonecos de madeira articulados de Val Gardena eram vendidos na Europa e nos Estados Unidos.

O melhor lugar para entender essa história é o Museum Gherdëina, na Cësa di Ladins, em Ortisei. O acervo reúne esculturas, brinquedos antigos de madeira, arqueologia, geologia das Dolomitas (com o fóssil de um ictiossauro achado na Seceda) e uma seção sobre Luis Trenker. Confira os horários no site antes de ir.

Subir à Seceda pelo teleférico de Ortisei

A Seceda, a 2.519 m, é o mirante mais famoso do vale: de lá se vê o paredão das Odle, cujo nome ladino quer dizer “agulhas”. A subida sai do centro de Ortisei, com a gôndola Ortisei–Furnes e depois o teleférico Furnes–Seceda; a estação de baixo fica a cerca de 7 minutos a pé do ponto de ônibus Antoniusplatz, com a escada rolante La Curta no caminho.

A subida pode ser reservada no site da Seceda em horários fixos de 30 minutos. Outra opção é sair de Santa Cristina pela gôndola do Col Raiser e caminhar de 1 a 2 horas até o topo, com cerca de 500 m de subida. Em 2026, Ortisei–Furnes e Furnes–Seceda funcionaram de 22 de maio a 2 de novembro.

Ir de gôndola de Ortisei à Alpe di Siusi

A Alpe di Siusi (Seiser Alm) é, segundo o seu site oficial, a maior pastagem de alta montanha da Europa, com 56 km² entre 1.800 m e 2.300 m. Ela fica ao lado de Val Gardena, e a gôndola Ortisei–Alpe di Siusi sai do próprio vale (em 2026, funcionou de 1º de maio a 2 de novembro).

Ir de gôndola é o jeito mais simples, porque a estrada do outro lado, a que sobe a Compatsch, fica fechada a carros particulares entre 9h e 17h na alta temporada, e os estacionamentos lá em cima exigem reserva.

Explorar Santa Cristina: Sassolungo, Monte Pana e a trilha da antiga ferrovia

Santa Cristina é uma vila de menos de 2 mil habitantes aos pés do Sassolungo, o maciço que marca a paisagem do vale. Uma cadeira sobe da vila ao Monte Pana, que tem um relógio de sol esférico, uma tirolesa e, no inverno, um centro de esqui de fundo.

Para uma caminhada leve, a trilha da antiga ferrovia de Val Gardena segue o traçado do trem que ligou o vale a Chiusa de 1916 a 1960 e tem 14 painéis contando a sua história.

Caminhar em Selva: Vallunga e as ruínas de Wolkenstein

Selva é a vila mais alta do vale e fica bem embaixo do maciço do Sella. Ali começa a Vallunga (Langental), um vale lateral onde fica a capela de São Silvestre. Já as ruínas do castelo de Wolkenstein deram à vila o seu nome em alemão.

Os passos Gardena (2.121 m) e Sella (2.240 m) ligam Val Gardena aos vales vizinhos. Perto dali fica o Parque Natural Puez-Odle, onde está o vale de Cisles, que também se alcança pelas trilhas da Seceda.

Esquiar na Sellaronda

No inverno, Val Gardena faz parte do Dolomiti Superski, e Selva é o melhor ponto de partida da Sellaronda, um circuito de 44 km em volta do maciço do Sella que passa por quatro passos: Sella, Pordoi, Campolongo e Gardena. Cerca de 21 km são feitos de teleférico, e o resto em pistas.

Ver a Copa do Mundo de esqui e o Natal no vale

A pista Saslong, em Santa Cristina, recebe quase todo ano desde 1969 uma etapa masculina da Copa do Mundo de esqui alpino, famosa pelas lombadas apelidadas de “corcovas de camelo”. Em 2026, a etapa da Copa do Mundo no vale está marcada para 18 e 19 de dezembro.

De 28 de novembro de 2026 a 6 de janeiro de 2027, o vale promove a programação de Natal “Christmas valley in the Dolomites”.

Quantos dias ficar em Val Gardena

Três a quatro dias permitem subir à Seceda, passar um dia inteiro na Alpe di Siusi, fazer uma caminhada em Selva ou no Monte Pana e ainda passear por Ortisei com calma.

Os bate-voltas mais fáceis são Bolzano, de ônibus, e, de carro, Cortina d’Ampezzo.

Onde ficar em Val Gardena

Ortisei é a melhor escolha para a primeira viagem e para quem vai sem carro: tem mais restaurantes e lojas, a zona de pedestres e as subidas para a Seceda, a Resciesa e a Alpe di Siusi saindo da vila.

Santa Cristina é mais tranquila e fica no meio do vale, perto do Col Raiser, do Monte Pana e da Saslong. Serve bem a famílias e a quem quer sossego sem ficar longe de nada.

Selva é a base para quem vai esquiar a Sellaronda ou fazer as trilhas do Sella, da Vallunga e dos passos.

Uma vantagem prática: quem se hospeda em acomodações parceiras das associações de turismo do vale recebe o Val Gardena Guest Pass, que libera os ônibus do vale e quase todo o transporte público do Alto Ádige, do dia da chegada ao dia da partida. Confirme na reserva.

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Quando ir a Val Gardena

Val Gardena tem duas temporadas bem definidas. No verão, os teleféricos abrem aos poucos a partir de maio e fecham no começo de novembro; de meados de junho a meados de setembro é a janela em que praticamente todos funcionam.

No inverno, a temporada de esqui 2026/27 vai de 4 de dezembro de 2026 a 4 de abril de 2027, segundo o turismo oficial do vale (datas sujeitas a mudança). Dezembro tem a Copa do Mundo na Saslong e o clima de Natal; março tem o SpringSkiing, de 13 de março a 4 de abril de 2027.

Evite, se puder, os meses de transição: de meados de abril a meados de maio e de novembro ao começo de dezembro, boa parte dos teleféricos fica fechada.

Como chegar a Val Gardena

Do Brasil, o caminho comum é voar com conexão num aeroporto europeu até um aeroporto do norte da Itália ou do sul da Alemanha. As distâncias até o vale, segundo o turismo oficial, são: Bolzano, 40 km (com voos da SkyAlps para algumas cidades europeias); Innsbruck, 120 km; Verona, 190 km; Veneza e Bergamo, 270 km; Munique, 300 km; Milão Malpensa, 350 km.

  • Trem: as estações mais próximas são Ponte Gardena (18 km), Chiusa (23 km), Bressanone (34 km) e Bolzano (40 km), na linha do Brennero, que liga a Itália à Innsbruck e a Munique. De Munique, os trens EC e Railjet chegam ao Alto Ádige em menos de 4 horas, sem baldeação.
  • Ônibus: a linha 350 liga Bolzano, Ponte Gardena, Chiusa e Bressanone ao vale.
  • Carro: pela autoestrada A22 do Brennero. Vindo do norte, saia em Chiusa e siga pela SS242D (Ortisei fica a 20 km, Santa Cristina a 28 km e Selva a 32 km); vindo do sul, saia em Bolzano Nord e siga pela SS242.

Como se locomover em Val Gardena

As três vilas são ligadas por ônibus, e com o Val Gardena Guest Pass eles saem de graça (o pass não vale para o ônibus noturno nem para o de Monte Pana e Saltria). É preciso validar o QR code a cada viagem, e bicicletas não entram nos ônibus. Dentro das vilas, tudo se faz a pé, e os teleféricos fazem o papel de transporte até a montanha; o estacionamento perto deles, como o da Seceda, é bem limitado.

Dicas práticas

  • Moeda: euro.
  • Idioma: italiano, alemão e ladino; nas placas, os nomes aparecem nas três línguas (Ortisei, St. Ulrich, Urtijëi).
  • Tomadas: tipos C, L e F, com 230 V e 50 Hz; leve adaptador.
  • Fuso: 4 horas a mais que Brasília no inverno europeu e 5 horas no verão europeu.
  • Montanha: mesmo no verão, leve casaco e capa de chuva para o alto; o tempo na montanha pode mudar rápido.
  • Documentos: o brasileiro entra na Itália sem visto para turismo por até 90 dias num período de 180 dias, regra do Espaço Schengen. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia. O ETIAS, autorização eletrônica de viagem, está previsto, mas ainda sem data em vigor; confira em travel-europe.europa.eu.

Perguntas frequentes

Val Gardena vale a pena?

Vale, especialmente para quem quer conhecer as Dolomitas sem carro. As três vilas têm teleféricos para a Seceda, a Alpe di Siusi e o Sella, ônibus entre si e uma cultura própria, ladina, que você não encontra no resto da Itália.

Quantos dias ficar em Val Gardena?

De três a quatro dias para o essencial: Seceda, Alpe di Siusi, uma caminhada em Selva ou Santa Cristina e Ortisei.

Qual a melhor vila para ficar em Val Gardena?

Ortisei, para a primeira viagem e para quem está sem carro, porque concentra restaurantes, lojas e três teleféricos. Selva é melhor para esquiadores e Santa Cristina, para quem quer sossego no meio do vale.

Qual a melhor época para ir a Val Gardena?

De junho a setembro para trilhas, quando quase todos os teleféricos funcionam, e de dezembro a março para esqui. Evite meados de abril a meados de maio e novembro, quando muita coisa fecha.

Como chegar a Val Gardena sem carro?

De trem até Bolzano, Ponte Gardena, Chiusa ou Bressanone e, de lá, com o ônibus 350 até o vale. Quem se hospeda em acomodação parceira usa o Val Gardena Guest Pass no transporte público do Alto Ádige.

Brasileiro precisa de visto para ir a Val Gardena?

Não. Val Gardena fica na Itália, no Espaço Schengen, e o brasileiro pode ficar até 90 dias em 180 sem visto para turismo. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia.

Seguro viagem para Itália

No Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja o que considerar no nosso guia de seguro viagem para a Itália.

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