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Vicenza é a cidade de Andrea Palladio, o arquiteto do século 16 que deixou ali a Basilica Palladiana, o Teatro Olimpico e, numa colina logo fora do centro, a Villa La Rotonda, copiada da Inglaterra aos Estados Unidos.
Mesmo com esse currículo, é uma cidade média, com pouco mais de 110 mil habitantes, que recebe bem menos turistas que as vizinhas famosas. Dá para conhecê-la em um dia, mas ela rende mais com uma noite, para subir ao Monte Berico no fim da tarde e ver as villas com calma.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Vicenza, onde ficar, quando ir e como chegar, para o brasileiro que vai à Itália.
Onde fica Vicenza
Vicenza fica no Vêneto, no nordeste da Itália, às margens do rio Bacchiglione. Pela estrada, está a cerca de 35 km de Pádua, 45 km de Verona, 70 km de Veneza e 210 km de Milão, segundo o turismo oficial da cidade.
A cidade e as villas palladianas do Vêneto formam um Patrimônio Mundial da Unesco, inscrito em 1994. Vale a pena para quem gosta de arquitetura e funciona bem como parada entre Verona e Veneza num roteiro de trem. Para a região inteira, veja o nosso guia do Vêneto.
O que fazer em Vicenza
Piazza dei Signori e Basilica Palladiana
A Piazza dei Signori é o coração da cidade. De um lado está a Basilica Palladiana, que não é igreja: é o antigo palácio público, envolvido por Palladio com duas ordens de arcadas brancas. Ao lado sobe a Torre Bissara, torre do relógio de 1174, com cerca de 82 metros.
O grande salão recebe exposições temporárias. De 14 de novembro de 2026 a 2 de maio de 2027, a mostra é “Italia Germania”, com pintura e escultura de Canova a Kiefer. A basílica abre de terça a domingo, das 10h às 18h, e o ingresso inteiro custa cerca de €6 (valores de 2026; podem mudar). O terraço, que abre só no fim do dia, estava fechado na última atualização do site.
Do outro lado da praça fica a Loggia del Capitaniato, obra atribuída a Palladio e hoje sede da câmara municipal.
Corso Palladio e os palácios
O Corso Palladio é a rua principal do centro histórico. Ao longo dele e das ruas vizinhas, como a Contra’ Porti, estão palácios de famílias nobres que encomendaram projetos a Palladio, como os Thiene, cujo palácio abriga hoje as Gallerie di Palazzo Thiene, parte do circuito municipal.
Na Contra’ Porti, 11, o Palladio Museum, mantido pelo Centro Internacional de Estudos de Arquitetura Andrea Palladio, explica a obra do arquiteto com maquetes e exposições. É uma boa primeira parada.
Teatro Olimpico
O Teatro Olimpico foi o último projeto de Palladio, e o cenário fixo de madeira, com ruas em perspectiva, é o motivo de quase todo visitante vir a Vicenza.
Na prática: de setembro a junho, a visita vai das 9h às 17h; em julho e agosto, das 10h às 18h. O site dos Museus Cívicos informa fechamento às segundas, com aberturas especiais em feriados. O ingresso inteiro custa cerca de €12 (valores de 2026; podem mudar). Para ver o teatro em uso, procure as temporadas de música e de espetáculos clássicos no site do teatro.
Palazzo Chiericati, o museu da cidade
O Palazzo Chiericati abriga o Museo Civico, com a pinacoteca, a coleção doada por Giuseppe Roi e um gabinete de desenhos e gravuras. Abre de terça a domingo, das 10h às 18h, e o ingresso inteiro custa cerca de €8 (valores de 2026; podem mudar).
Santa Corona e as Gallerie d’Italia
A igreja de Santa Corona, na Contra’ Santa Corona, faz parte do circuito municipal: abre de terça a domingo, das 10h às 18h, com ingresso de cerca de €4 (valores de 2026; podem mudar) e guia digital gratuito em italiano e inglês pelo QR code da entrada.
Na mesma rua, no número 25, no Palazzo Leoni Montanari, um palácio barroco de por volta de 1676, ficam as Gallerie d’Italia, primeiro museu do banco Intesa Sanpaolo, aberto em 1999. O acervo junta cenas de costume de Pietro Longhi e pintura veneziana do século 18, uma das coleções de ícones russos mais importantes do Ocidente e cerâmica grega antiga. Horários e ingressos estão no site do museu.
Santuário de Monte Berico
No alto do Monte Berico, o Santuário de Monte Berico lembra aparições de Nossa Senhora e o fim de uma peste. O conjunto tem duas igrejas grudadas, uma gótica de 1428 e outra barroca de 1703, e a subida ficou mais fácil depois dos pórticos de Francesco Muttoni, de 1780.
Lá dentro, procure no antigo refeitório dos frades a Ceia de São Gregório Magno, de Paolo Veronese (1572). Em 1848, soldados austríacos retalharam a tela em 32 pedaços; ela foi restaurada depois. Do lado de fora, o panorama da cidade é um dos motivos da subida, e o fim da tarde é uma boa hora para ele. Horários das missas e da visita estão no site do santuário.
Villa La Rotonda
A Villa La Rotonda (Villa Almerico Capra), numa colina logo fora da cidade, é a villa mais famosa de Palladio: planta quadrada, quatro fachadas iguais com pórtico de templo e uma cúpula inspirada no Panteão de Roma. Começou a ser construída em 1567 e foi terminada em 1605 por Vincenzo Scamozzi.
O desenho virou modelo: inspirou a Chiswick House, na Inglaterra, e aparece em Monticello, a casa de Thomas Jefferson. A villa ainda é propriedade privada da família Valmarana, e a visita abre parte da casa, em geral de sexta a domingo, das 10h às 13h e das 15h às 18h. Confira o calendário e compre ingressos no site da villa.
Villa Valmarana ai Nani e os afrescos dos Tiepolo
Na mesma Via della Rotonda, a Villa Valmarana ai Nani é famosa pelos afrescos dos Tiepolo, pai e filho, que cobrem as salas da Palazzina e da Foresteria.
A villa abre todos os dias: das 10h às 16h de 2 de novembro de 2026 a 7 de março de 2027, e das 10h às 18h a partir de 8 de março, com última entrada uma hora antes. Como a Rotonda fica na mesma rua, no número 45, dá para ver as duas na mesma visita. Preços e ingressos no site da villa.
Comer em Vicenza
O prato típico da cidade é o baccalà alla vicentina, à base de bacalhau. Vicenza também é uma capital do ouro: cerca de um quinto do ouro e das joias produzidos na Itália sai daqui.
Quantos dias ficar
Um dia inteiro dá conta do centro: Piazza dei Signori, Corso Palladio, Teatro Olimpico e Palazzo Chiericati. Com dois dias, você inclui o Monte Berico, a Rotonda e a Villa Valmarana sem correr.
Vicenza também serve de base mais barata para conhecer o Vêneto de trem, porque está na linha entre Verona, Pádua e Veneza. Bate-voltas que separamos na própria província:
- Marostica: a “vila do xadrez”, com dois castelos ligados por uma muralha. Nos anos pares, no segundo fim de semana de setembro, a praça vira tabuleiro de uma partida de xadrez com pessoas vivas; o castelo de baixo guarda os trajes da partida. Informações no turismo de Vicenza.
- Bassano del Grappa: o turismo de Vicenza a apresenta junto com Marostica, e as duas cabem no mesmo dia de carro. Mais sobre ela no guia do Vêneto.
- Montecchio Maggiore: os dois castelos chamados de Romeu e de Julieta. A história dos amantes, que Shakespeare popularizou, foi escrita antes por Luigi da Porto, nascido em Vicenza.
Onde ficar em Vicenza
Centro histórico: em volta do Corso Palladio e da Piazza dei Signori, para quem vai fazer tudo a pé e quer sair à noite pela praça. Se for de carro, combine antes com a hospedagem onde estacionar.
Perto da estação: prática para quem usa Vicenza como base para bate-voltas de trem a Verona, Pádua e Veneza. O centro fica perto.
Arredores e Colli Berici: hospedagens de campo, boas para quem está de carro e quer combinar as villas com Marostica e Bassano.
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Quando ir a Vicenza
Primavera e outono são as melhores épocas para caminhar entre palácios e subir ao Monte Berico. O verão é quente, com máxima média perto de 30 °C em julho, e o inverno é frio, com mínima média perto de -1,4 °C em janeiro; a cidade recebe cerca de 1.060 mm de chuva por ano.
Datas que mexem com a cidade:
- Janeiro e setembro: a feira internacional de joalheria Vicenzaoro, que lota os hotéis. Se a sua data coincidir, reserve cedo.
- Setembro dos anos pares: a partida de xadrez vivo de Marostica, no segundo fim de semana do mês.
Como chegar a Vicenza
Do Brasil: o caminho comum é voar até Veneza (Marco Polo) ou Milão, com conexão num aeroporto europeu, e seguir de trem. Verona e Bérgamo também servem.
Dos aeroportos, segundo o turismo oficial de Vicenza:
- Veneza Marco Polo (cerca de 70 km): ônibus até a estação de Mestre ou de Santa Lucia e trem no sentido Milão.
- Verona Catullo (cerca de 45 km): ônibus até a estação Verona Porta Nuova e trem no sentido Veneza.
De trem: Vicenza fica na linha principal Milão–Veneza. Passam por ali trens de alta velocidade Frecciarossa (para Milão, Turim, Veneza e Trieste), regionais rápidos entre Verona e Veneza e trens noturnos para Roma, Munique e Viena. Consulte horários e preços na Trenitalia.
De carro: a cidade está na autoestrada Brescia–Verona–Vicenza–Pádua. Para não entrar no centro, use os estacionamentos com transporte até o centro, como Park Cricoli, Park Farini, Park Cairoli e Park Bassano.
Como se locomover
O centro histórico se faz a pé: do Teatro Olimpico à Piazza dei Signori e às igrejas, tudo fica a poucos minutos pelo Corso Palladio. Para o Monte Berico, dá para subir a pé pelos pórticos ou ir de táxi.
A Rotonda e a Villa Valmarana ficam fora do centro, na Via della Rotonda; quem não quiser caminhar vai de táxi (Radio Taxi Vicenza, +39 0444 920600). Carro só faz sentido para os bate-voltas na província.
Dicas práticas
- Moeda: euro.
- Idioma: italiano.
- Fuso: 4 horas a mais que Brasília no inverno europeu e 5 horas no verão europeu.
- Tomada e voltagem: tipos C, F e L, 230 V e 50 Hz. O plugue brasileiro de dois pinos finos costuma entrar, o de três pinos não; leve um adaptador.
- Segundas: os museus municipais fecham. Use o dia para as villas ou um bate-volta.
- Informação turística: o posto IAT fica no Corso Palladio, 212, e vende ingressos dos museus. Roteiros e eventos estão no Vicenza è, o turismo oficial.
- Documentos: a Itália faz parte do Espaço Schengen, e brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias a cada 180. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja a página de vistos da Embaixada da Itália em Brasília.
- ETIAS: a autorização eletrônica de viagem para entrar no Schengen está prevista, mas ainda sem data em vigor. Confira no site oficial do ETIAS antes de viajar.
Perguntas frequentes
Vale a pena visitar Vicenza?
Vale, principalmente para quem gosta de arquitetura. O Teatro Olimpico, a Basilica Palladiana e a Villa La Rotonda fazem parte de um Patrimônio Mundial da Unesco, e a cidade é bem mais tranquila que Veneza.
Quantos dias ficar em Vicenza?
Um dia para o centro e dois para incluir o Monte Berico e as villas. Com três ou mais, dá para fazer bate-voltas a Marostica, Bassano del Grappa, Pádua e Verona.
Dá para fazer bate-volta de Veneza a Vicenza?
Dá. As duas cidades estão na mesma linha de trem Milão–Veneza, a cerca de 70 km uma da outra, com trens regionais e de alta velocidade.
Vicenza é cara?
Os museus, pelo menos, são baratos: o Teatro Olimpico custa cerca de €12 e a Basilica Palladiana, cerca de €6 (valores de 2026; podem mudar).
Qual a melhor época para ir a Vicenza?
Primavera e outono, com temperaturas amenas. Evite, se puder, as semanas da feira Vicenzaoro, em janeiro e setembro, quando a hospedagem fica disputada.
Brasileiro precisa de visto para ir à Itália?
Não, para turismo de até 90 dias a cada 180. A Itália está no Espaço Schengen, e a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia.
Seguro viagem para a Itália
A Itália está no Espaço Schengen, e a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para a Itália.
Confira as opções de seguro viagem para a Itália.
Chip internacional para a Itália
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