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Pádua (Padova, em italiano) é a cidade dos afrescos de Giotto, de uma das universidades mais antigas do mundo e da basílica onde está enterrado Santo Antônio, o santo que o Brasil conhece de festa junina e de simpatia de casamento. Fica a meia hora de trem de Veneza, e por isso muita gente passa por ela sem descer.
Vale descer. Pádua tem oito conjuntos de afrescos do século XIV reconhecidos pela UNESCO, uma das maiores praças da Europa, o jardim botânico universitário mais antigo ainda no lugar original e um centro histórico com vida de cidade universitária, não de cenário turístico.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Pádua, como reservar a Capela dos Scrovegni, quantos dias ficar, onde se hospedar e como usar a cidade como base para conhecer Veneza e o Vêneto.
Onde fica Pádua
Pádua fica no Vêneto, no nordeste da Itália, cerca de 20 km a oeste da laguna de Veneza. É capital da província de mesmo nome e tem cerca de 209 mil habitantes.
No mapa do roteiro, ela está na linha de trem que liga Veneza a Verona e a Milão, e também na que desce para Bolonha. Vale a pena para quem gosta de arte, para quem viaja por devoção a Santo Antônio e para quem quer uma base mais tranquila perto de Veneza.
O que fazer em Pádua
Capela dos Scrovegni
É o motivo número um para ir a Pádua. A Capela dos Scrovegni foi pintada por Giotto em apenas dois anos, entre 1303 e 1305, por encomenda de Enrico Scrovegni. As paredes contam as histórias da vida da Virgem e de Cristo, a parede da entrada traz o Juízo Final, e a abóbada é um manto azul coberto de estrelas.
A visita é controlada para proteger os afrescos: entram grupos de até 25 pessoas a cada 15 minutos, das 9h às 19h (última entrada às 18h45), e a compra antecipada é obrigatória, sem reserva para o mesmo dia. O ingresso inteiro custa cerca de €15 + €1 de pré-venda (valores de 2026; podem mudar) e dá acesso também aos Museus Eremitani e ao Palazzo Zuckermann, vizinhos da capela. Reserve pelo site oficial.
De 25 de março a 1º de novembro há sessões noturnas, das 19h às 22h. Todo ano a capela fecha alguns dias para verificar os afrescos (em 2026, de 16 a 27 de novembro).
Padova Urbs Picta, os afrescos do século XIV
Os Scrovegni são só o começo. Desde 2021, oito edifícios com ciclos de afrescos do século XIV formam o Patrimônio Mundial da UNESCO Padova Urbs Picta, entre eles a igreja dos Eremitani, o Batistério da Catedral e a Basílica do Santo. Além de Giotto, aparecem Guariento, Giusto de’ Menabuoi e Altichiero da Zevio.
O bilhete único Urbs Picta dá uma entrada em cada local e transporte público ilimitado: cerca de €28 por 48 horas ou €35 por 72 horas (podem mudar). Detalhes no site de turismo de Pádua.
Basílica de Santo Antônio
Para os paduanos, ele é simplesmente “il Santo”. Santo Antônio morreu em Pádua em 13 de junho de 1231, e a construção da Basílica de Santo Antônio começou já em 1232. O prédio mistura românico e gótico, com forte influência da Basílica de São Marcos, em Veneza.
O túmulo do santo fica na Cappella dell’Arca, obra renascentista iniciada em 1500. A Capela do Tesouro, barroca, guarda as relíquias. A entrada na basílica é gratuita, e ela abre todos os dias a partir das 6h15. Os horários das capelas estão no site da basílica.
Na praça em frente fica o Gattamelata, de Donatello, de 1453: a mais antiga estátua equestre do Renascimento que chegou até nós e a primeira em tamanho real.
Prato della Valle
A poucos minutos da basílica, o Prato della Valle é uma praça elíptica de cerca de 90 mil m², uma das maiores da Europa. No centro fica a Isola Memmia, uma ilha verde cercada por um pequeno canal e por dois anéis com 78 estátuas. O desenho é de 1775, quando Andrea Memmo decidiu recuperar a área.
Aos sábados, a praça recebe um mercado grande, e no terceiro domingo de cada mês há feira de antiguidades e usados. De um lado fica a Basílica de Santa Giustina.
Palazzo della Ragione e a Piazza delle Erbe
No coração do centro, na Piazza delle Erbe, o Palazzo della Ragione começou a ser erguido em 1218. Lá em cima fica o Salone, com 81 metros de comprimento, apresentado como o maior salão suspenso do mundo. Os afrescos de Giotto se perderam num incêndio em 1420; os atuais formam um raro ciclo astrológico medieval.
O ingresso inteiro custa cerca de €8 + €1 de reserva (valores de 2026; podem mudar), de terça a domingo, das 9h às 19h. No mesmo prédio funciona o mercado coberto “Sotto il Salone”.
Orto Botanico
Criado em 1545, o Orto Botanico da Universidade de Pádua é o jardim botânico universitário mais antigo do mundo ainda no lugar original, e é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1997. Ali está a Palmeira de São Pedro, plantada em 1585 e admirada por Goethe em 1786. Desde 2014, o Jardim da Biodiversidade soma cinco grandes estufas com cinco biomas.
Palazzo Bo, a sede da universidade
A Universidade de Pádua foi fundada em 1222, e o Palazzo Bo é sua sede histórica desde 1493. Lá dentro fica o teatro anatômico mais antigo do mundo, e foi ali que Elena Lucrezia Cornaro Piscopia se formou, em 25 de junho de 1678, considerada a primeira mulher graduada do mundo.
O palácio só é visitado com visita guiada. Confira as datas e faça a reserva no site da universidade.
Caffè Pedrocchi
Em frente ao Palazzo Bo, o Caffè Pedrocchi foi fundado em 1772 e ganhou o prédio atual, projetado por Giuseppe Jappelli, em 1831. Funcionou dia e noite até 1916 e, em 1848, foi palco de levantes estudantis contra os austríacos.
No andar de cima, o Museu do Risorgimento e da Idade Contemporânea abre de terça a domingo e custa cerca de €5 (valores de 2026; podem mudar).
Quantos dias ficar
Um dia dá para o essencial: Scrovegni de manhã, centro na hora do almoço, Basílica do Santo e Prato della Valle à tarde. Com 2 dias, você inclui o Orto Botanico, o Palazzo della Ragione e os outros locais da Urbs Picta. Com 3 dias ou mais, Pádua vira base para bate-voltas de trem.
- Veneza: de 27 minutos a pouco menos de 1 hora até a estação Santa Lucia, conforme o trem.
- Vicenza: de 16 a 34 minutos de trem.
- Verona: de 44 minutos a 1 hora de trem.
- Colli Euganei e termas: as cidades termais de Abano e Montegrotto ficam a menos de 20 minutos de Pádua, no meio dos montes vulcânicos, perto do vilarejo de Arquà Petrarca.
- Bolonha: cerca de 1 hora nos trens mais rápidos.
Onde ficar em Pádua
Centro histórico, entre o Palazzo Bo e a Piazza delle Erbe: para quem quer fazer tudo a pé e sentir o movimento da cidade universitária. Atenção se for de carro: o centro é zona de trânsito restrito (ZTL), com câmeras que leem a placa.
Perto da estação: a escolha prática para quem vai fazer bate-voltas a Veneza e a outras cidades. O centro fica a menos de 20 minutos a pé, pelo Corso del Popolo, e a Capela dos Scrovegni está no caminho.
Entorno da Basílica do Santo e do Prato della Valle: área mais calma, ao sul do centro, boa para quem viaja pela basílica ou chega de carro, já que há estacionamento pago na Piazzale Rabin, ao lado do Prato.
Abano e Montegrotto Terme: para combinar a cidade com termas nos Colli Euganei.
Se preferir dormir em Veneza e visitar Pádua num bate-volta, veja o nosso guia de onde ficar em Veneza.
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Quando ir a Pádua
Pádua tem inverno frio e verão quente e úmido, típicos da planície do norte da Itália. Na média histórica, janeiro fica em torno de 2 °C a 4 °C e julho, em torno de 23 °C a 25 °C.
Primavera e outono são as melhores épocas para caminhar entre os monumentos. No verão, use os horários noturnos dos Scrovegni (de março a início de novembro) para fugir do calor. No inverno, lembre que a capela fecha alguns dias em novembro e também em 25 e 26 de dezembro e 1º de janeiro.
A data mais marcante do calendário é 13 de junho, dia de Santo Antônio, quando Pádua e as cidades da província homenageiam o padroeiro.
Como chegar a Pádua
Do Brasil: o aeroporto mais próximo é o Marco Polo, de Veneza, normalmente com conexão num hub europeu. Outra opção é desembarcar em Milão ou Roma e seguir de trem: Pádua fica a cerca de 2 horas de Milão e a pouco mais de 3 horas de Roma nos trens diretos.
Dos aeroportos: do Marco Polo, há ônibus regular até a rodoviária de Pádua, a cada 30 minutos nos dias úteis, e o trajeto de táxi leva de 40 a 60 minutos. Os aeroportos de Treviso, Verona e Bolonha são alternativas.
De trem: a estação de Pádua tem trens frequentes para Veneza (de 27 minutos a pouco menos de 1 hora), Vicenza, Verona, Bolonha (cerca de 1 hora), Milão (cerca de 2 horas), Trieste (cerca de 1h45 no trem direto) e Roma. Horários e passagens na Trenitalia.
De carro: pela autoestrada A4 Milão–Veneza (saída Padova Ovest para quem vem de Milão e Padova Est para quem vem de Veneza) ou pela A13 Bolonha–Pádua (saída Padova Sud).
Como se locomover
O centro histórico é compacto, e o jeito mais simples de conhecê-lo é a pé. Da estação até as praças são menos de 20 minutos de caminhada. Da estação saem ônibus e bonde, incluídos no bilhete Urbs Picta.
Carro só faz sentido para os Colli Euganei. No centro, a ZTL é fiscalizada por câmeras; deixe o carro fora da zona.
Dicas práticas
- Moeda: euro (€).
- Idioma: italiano.
- Tomada e voltagem: 230 V e 50 Hz, com tomadas dos tipos C, F e L. Leve um adaptador.
- Fuso horário: 4 horas a mais que Brasília no inverno europeu e 5 horas a mais no verão europeu.
- Reserve os Scrovegni antes: não há reserva para o mesmo dia. Compre assim que tiver a data.
- Segunda-feira: o Palazzo della Ragione e o museu do Pedrocchi fecham. Deixe esse dia para a basílica, as praças e os bate-voltas.
- Documentos: a Itália faz parte do Espaço Schengen, e brasileiros a turismo ficam até 90 dias em cada 180 sem visto. Segundo o Consulado-Geral da Itália em São Paulo, o passaporte deve valer pelo menos três meses após a data prevista de saída do Schengen. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia. Desde abril de 2026, o EES registra entradas e saídas no lugar do carimbo. O ETIAS está previsto, mas ainda sem data em vigor; confira no site oficial.
Perguntas frequentes
Vale a pena conhecer Pádua?
Vale, especialmente para quem gosta de arte. A Capela dos Scrovegni guarda o ciclo de afrescos mais famoso de Giotto, e a cidade ainda tem a Basílica de Santo Antônio, o Prato della Valle e o Orto Botanico, tudo a meia hora de trem de Veneza.
Quantos dias ficar em Pádua?
Um dia basta para o essencial. Com dois, você vê também o Orto Botanico e os outros afrescos da Urbs Picta sem correria.
Dá para fazer um bate-volta de Veneza a Pádua?
Dá, e é fácil: o trem leva de 27 minutos a pouco menos de 1 hora. Só reserve a Capela dos Scrovegni com antecedência, porque não há venda para o mesmo dia.
Pádua é cara?
As atrações têm preço moderado: a basílica é gratuita, o Palazzo della Ragione custa cerca de €8 e a Capela dos Scrovegni, cerca de €15, já incluindo os Museus Eremitani (valores de 2026).
Brasileiro precisa de visto para ir a Pádua?
Não, para turismo de até 90 dias em cada 180 no Espaço Schengen. Leve passaporte válido por pelo menos três meses após a saída prevista e tenha à mão comprovante de seguro e de meios para a estadia.
Qual a melhor época para ir a Pádua?
Primavera e outono, quando o clima é bom para caminhar. Para quem vai por devoção, 13 de junho, dia de Santo Antônio, é a data mais especial.
Seguro viagem para Itália
No Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos, inclusive para quem é isento de visto. Veja como escolher no nosso guia de seguro viagem para a Itália.
Confira as opções de seguro viagem para Itália.
Chip internacional para Itália
Com internet no celular, você mostra o ingresso dos Scrovegni e confere os trens para Veneza. Compare as opções no nosso guia de chip internacional para a Itália ou, se o seu celular aceitar, no de eSIM para a Itália.
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