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Treviso é uma cidade murada do Vêneto, a uns 30 km ao norte de Veneza, cortada por rios e canais de água clara e com ruas inteiras de pórticos. Os italianos a chamam de urbs picta, a “cidade pintada”, por causa das fachadas com afrescos que ainda aparecem pelo centro.
É também uma cidade de mesa farta: o tiramisù é tido como invenção de um restaurante local, o radicchio leva o nome de Treviso e as colinas do Prosecco começam ao norte, na mesma província. Tudo isso num ritmo bem mais calmo que o de Veneza.
Por isso, montamos este guia com o que fazer em Treviso, quantos dias ficar, onde se hospedar, a melhor época e como chegar de trem, de ônibus ou pelo aeroporto da cidade.
Onde fica Treviso
Treviso fica na planície do nordeste da Itália, cerca de 30 km ao norte de Veneza e uns 40 km a nordeste de Pádua. É a capital da província de mesmo nome e tem pouco mais de 86 mil moradores, mas só uns 3 mil vivem dentro das muralhas.
A cidade nasceu do encontro de dois rios: o Sile, um rio de nascente com água límpida que corre até o Mar Adriático, e o Botteniga, que se divide em canais (os cagnani) ao atravessar o centro. É essa água por toda parte que dá a Treviso o seu jeito de “Veneza em miniatura”, só que sem a multidão.
Num roteiro, Treviso funciona como bate-volta de Veneza, como base mais barata e tranquila para conhecer o Vêneto ou como primeira e última parada de quem voa pelo aeroporto local. Vale a pena para quem gosta de cidades pequenas, de comer bem e de caminhar sem pressa; quem procura grandes museus e monumentos famosos vai achar mais em Veneza, Pádua ou Verona.
O que fazer em Treviso
Piazza dei Signori e Palazzo dei Trecento
A Piazza dei Signori é a sala de estar da cidade, cercada de cafés e de prédios públicos medievais. O principal é o Palazzo dei Trecento, dos séculos 13 e 14, símbolo do poder municipal. Ele foi parcialmente destruído nos bombardeios da Segunda Guerra Mundial e reconstruído depois.
Sob o pórtico do palácio fica guardada a original da Fontana delle Tette, uma escultura de 1559 encomendada pelo governante veneziano Alvise Da Ponte. Segundo a tradição, até 1797 ela jorrava vinho tinto de um seio e branco do outro, de graça, por três dias, a cada novo governador. Uma cópia fica no pátio do Palazzo Zignoli.
Via Calmaggiore e os pórticos
A Via Calmaggiore é a rua principal do centro e começa junto ao Palazzo dei Trecento. Caminhe por ela e pelas ruas vizinhas debaixo dos pórticos, que fazem Treviso também ser chamada de “cidade dos pórticos”.
Perto dali fica a Loggia dei Cavalieri, de 1276, um dos edifícios medievais mais antigos do centro.
Canais, moinhos e a Isola della Pescheria
O passeio mais bonito de Treviso é simplesmente seguir a água. Os canais Cagnan Grande, Buranelli e Roggia cortam o centro entre casas antigas. A correnteza constante já moveu muitos moinhos: no século 19, só em Treviso eram 61.
Cercada pela água fica a Isola della Pescheria, uma ilhota ligada às margens por duas pontes pequenas, projetada em 1856 para abrigar o mercado de peixe, que ainda funciona de manhã. Para ver onde o Botteniga se divide em canais, vá até a Ponte di Pria; e, para ver o encontro com o Sile, até a Ponte Dante, que leva o nome do poeta porque Treviso aparece no “Paraíso” da Divina Comédia.
Catedral de Treviso (Duomo)
A Catedral de São Pedro tem origem no século 6, mas o prédio atual é neoclássico: a igreja românica foi demolida em 1768 e reconstruída, e a fachada é de 1836. Da construção antiga sobrou a cripta, com os túmulos dos bispos da cidade.
O ponto alto é a Capela Malchiostro, decorada com afrescos de Il Pordenone, onde fica a Anunciação pintada por Ticiano. A capela foi projetada por Tullio e Antonio Lombardo e guarda ainda duas telas de Paris Bordone.
San Nicolò e os primeiros óculos da pintura
A igreja de San Nicolò foi erguida pelos dominicanos no começo do século 14 e guarda afrescos de Tommaso da Modena. No antigo convento, hoje seminário, a sala capitular tem um ciclo de 1352 com 40 estudiosos dominicanos em suas escrivaninhas.
Um deles, o cardeal Hugo de Saint-Cher, aparece de óculos, considerada a representação mais antiga conhecida de alguém usando óculos.
Museus Cívicos: Santa Caterina e Bailo
Os museus cívicos da cidade ficam no complexo de Santa Caterina e no Museu Luigi Bailo. O acervo reúne obras de Giovanni Bellini, Ticiano e dos Tiepolo, além do ciclo de Santa Úrsula de Tommaso da Modena, afrescos salvos da demolição de uma igreja em 1882.
O Bailo fica no Borgo Cavour e recebe exposições temporárias. Os dois abrem de terça a domingo, das 10h às 18h, e fecham às segundas; confira ingressos e exposições no site dos museus.
Muralhas venezianas e Porta San Tommaso
As muralhas que ainda contornam o centro foram construídas a partir de 1509, quando Treviso estava sob o domínio de Veneza, durante a Guerra da Liga de Cambrai.
A entrada mais vistosa é a Porta San Tommaso, uma das portas da cidade murada. Nossa dica é entrar por ela e seguir a pé até a Piazza dei Signori.
Tiramisù, radicchio e um copo de Prosecco
Treviso é considerada por muitos a terra do tiramisù: a versão moderna da sobremesa é atribuída ao restaurante Le Beccherie, no fim dos anos 1960. A origem é disputada com a vizinha região do Friuli, mas provar o doce aqui faz parte da visita.
Na mesa, procure também o radicchio de Treviso, a soppressa (embutido local) e os cicchetti, os petiscos servidos nos balcões das osterias, de preferência acompanhados de Prosecco ou de um spritz.
Colinas do Prosecco de Conegliano e Valdobbiadene
Ao norte de Treviso começam as Colinas do Prosecco de Conegliano e Valdobbiadene, inscritas como Patrimônio Mundial da Unesco em 2019. São morros cobertos de vinhedos entre Valdobbiadene e Vittorio Veneto, com vinícolas que recebem visitantes. Conegliano fica na mesma linha de trem que passa por Treviso, mas, para circular entre as vinícolas, carro ou passeio organizado facilitam muito.
Quantos dias ficar
Um dia inteiro dá para ver o essencial do centro de Treviso: praça, canais, catedral, um museu e um almoço sem pressa. Com dois dias, você inclui San Nicolò, a volta pelas muralhas, o passeio pelo Sile e uma noite nas osterias.
Como base, Treviso rende bate-voltas de trem para Veneza e Pádua, além de um dia de carro nas Colinas do Prosecco. Quem tem uma semana no Vêneto pode somar Verona e até as Dolomitas, que pedem mais tempo de estrada.
Onde ficar em Treviso
Centro histórico (dentro das muralhas): é a melhor escolha para a maioria. Tudo fica a pé, as noites são tranquilas e você está perto dos restaurantes. Bom para casais e para quem quer sentir o clima da cidade.
Perto da estação Treviso Centrale: logo ao sul das muralhas, a poucos minutos a pé do centro. Prático para quem vai fazer bate-voltas de trem ou pegar o ônibus para o aeroporto.
Arredores e campo: para quem está de carro e quer explorar as Colinas do Prosecco, faz sentido dormir mais ao norte, perto das vinícolas.
Se preferir dormir em Veneza e visitar Treviso num bate-volta, veja o nosso guia de onde ficar em Veneza.
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Quando ir a Treviso
O clima é de planície do norte da Itália: invernos moderadamente frios, com geadas frequentes, e verões quentes e úmidos. Chove mais de 900 mm por ano, com picos no outono e na primavera.
Primavera (abril a junho) e início do outono (setembro e outubro) são as melhores épocas para caminhar pelos canais e visitar as colinas do Prosecco. Em 27 de abril, a cidade celebra o padroeiro, San Liberale.
Verão (julho e agosto) é abafado, mas Treviso continua bem menos cheia que Veneza, o que a torna uma boa base na alta temporada. Inverno é a época mais fria e úmida, com cidade tranquila e preços em geral mais baixos.
Como chegar a Treviso
Do Brasil: o caminho comum é voar com conexão num aeroporto europeu até o Aeroporto Marco Polo, de Veneza, a cerca de meia hora de carro de Treviso. Outra opção é chegar a Veneza ou a outra cidade italiana e seguir de trem.
Aeroporto de Treviso (Canova): fica a poucos quilômetros a oeste da cidade e é usado sobretudo por companhias de baixo custo, com a Ryanair como principal operadora, com voos para várias cidades europeias. O ônibus Treviso Airlink liga o aeroporto à estação Treviso Centrale em cerca de 10 minutos, a cada meia hora na maior parte do dia. Também há ônibus diretos do aeroporto para Veneza e Mestre.
De trem: Treviso Centrale fica na linha Veneza–Udine e recebe trens regionais da Trenitalia de Veneza (Santa Lucia e Mestre), além de ligações com Pádua, Vicenza, Conegliano e trens de longa distância. De Veneza, a viagem leva por volta de meia hora.
De carro: a estrada SS13, o Terraglio, liga Treviso a Mestre e Veneza. Evite entrar de carro no centro, que tem trânsito restrito e muitas ruas de mão única.
Como se locomover
O centro histórico é pequeno e plano, e o melhor jeito de conhecê-lo é a pé. A estação de trem fica logo ao sul das muralhas, e a rodoviária, a cerca de 200 metros dela.
Para ir além do centro, há ônibus urbanos e intermunicipais da MOM (Mobilità di Marca) e bicicletas de aluguel. Para as Colinas do Prosecco e as vinícolas, carro ou passeio organizado é a solução mais prática.
Dicas práticas
- Moeda: euro.
- Idioma: italiano; em hotéis e restaurantes do centro, o inglês costuma resolver.
- Tomada e voltagem: 230 V e 50 Hz, com tomadas dos tipos C e L (às vezes F). O plugue brasileiro de dois pinos finos costuma encaixar no tipo C, mas leve um adaptador universal.
- Fuso: 4 horas a mais que Brasília no inverno europeu e 5 horas no verão europeu.
- Documentos: a Itália faz parte do Espaço Schengen, e brasileiros podem ficar até 90 dias a cada 180 sem visto, com passaporte válido. A imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia; a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. O ETIAS está previsto, mas ainda sem data em vigor: confira em travel-europe.europa.eu.
- Museus às segundas: os museus cívicos fecham às segundas-feiras; planeje a visita para outro dia.
Perguntas frequentes
Vale a pena conhecer Treviso?
Sim, principalmente para quem quer ver uma cidade de canais do Vêneto sem a multidão de Veneza. Treviso tem centro medieval bonito, arte de Ticiano e Tommaso da Modena e uma das cozinhas mais gostosas da região.
Quantos dias ficar em Treviso?
Um dia basta para o essencial; dois dias permitem conhecer a cidade com calma. Se usá-la como base, some os bate-voltas para Veneza, Pádua e as Colinas do Prosecco.
Dá para fazer bate-volta de Veneza a Treviso?
Dá, e é fácil: o trem regional entre Veneza e Treviso leva por volta de meia hora. Saia cedo para aproveitar o mercado de peixe da Pescheria, que funciona de manhã.
Treviso é perto do aeroporto?
Sim, o Aeroporto de Treviso fica a poucos quilômetros da cidade, e o ônibus Treviso Airlink chega à estação em cerca de 10 minutos. O Aeroporto Marco Polo, de Veneza, fica a cerca de meia hora de carro.
Precisa de visto para ir a Treviso?
Não, brasileiros podem ficar até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen sem visto. Leve passaporte válido e, de preferência, seguro viagem com cobertura de pelo menos €30.000.
Qual a melhor época para ir a Treviso?
De abril a junho e em setembro e outubro, quando o clima é mais agradável para caminhar. O verão é quente e úmido, e o inverno, frio e com geadas.
O tiramisù nasceu em Treviso?
É o que diz a versão mais conhecida: a receita moderna é atribuída ao restaurante Le Beccherie, de Treviso. A origem, porém, é disputada com a região vizinha do Friuli-Venezia Giulia.
Seguro viagem para Itália
Na Itália, como em todo o Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, e a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Um atendimento médico particular ou um voo de baixo custo cancelado sai caro sem cobertura. Veja as opções no nosso guia de seguro viagem para a Itália.
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