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Como é a cidade que dá nome ao lago mais famoso do norte da Itália, mas muita gente só passa por ela a caminho do barco. É um erro: dentro das muralhas medievais há uma catedral de mármore que levou quase três séculos e meio para ficar pronta, igrejas românicas de pedra, o museu dedicado a Alessandro Volta, o inventor da pilha, e um dos conjuntos de arquitetura racionalista mais importantes do país.
A cidade também é conhecida pela seda, tem um funicular do século XIX e fica a 40 minutos de trem de Milão. Para quem viaja sem carro, é a base mais bem servida da região.
Por isso, montamos este guia focado na cidade de Como: o que ver no centro histórico, quantos dias reservar, onde se hospedar, a melhor época e como chegar de Milão, do aeroporto e da Suíça. Para os vilarejos e as villas do lago, veja o nosso guia do Lago di Como.
Onde fica Como
Como fica na Lombardia, na ponta sul do braço sudoeste do Lago di Como, a cerca de 40 km ao norte de Milão. É a capital da província de mesmo nome e está colada à fronteira com a Suíça: segundo o turismo oficial do lago, Chiasso fica a menos de dez minutos de carro.
A origem é romana. A cidade foi refundada no local atual por ordem de Júlio César, com o nome de Novum Comum, e é a terra natal de Plínio, o Velho, de Plínio, o Jovem, e de Alessandro Volta.
Vale a pena para quem quer combinar cidade e lago no mesmo dia, para quem gosta de arquitetura e para quem prefere uma base com trem frequente para Milão e para Lugano em vez de depender só de barco.
O que fazer em Como
Catedral de Como (Duomo)
A Catedral de Santa Maria Assunta começou a ser construída em 1396, e a cúpula, projetada por Filippo Juvarra, só ficou pronta em 1744. Por isso ela mistura dois estilos que convivem bem: o gótico tardio da fachada de mármore e o Renascimento das laterais e das absides.
Repare nas duas estátuas ao lado do portal principal: são Plínio, o Velho, e Plínio, o Jovem, os dois cidadãos ilustres da Como romana. Dentro há tapeçarias, pinturas e o políptico do altar de Sant’Abbondio, do começo do século XVI.
A visita turística é paga e entra no sistema de museus da cidade. Pelo quadro de 2026 da prefeitura, a catedral abre para turistas de segunda a sexta, das 10h30 às 17h30, e aos sábados, das 10h45 às 16h30; aos domingos, as visitas turísticas ficam suspensas. Cubra os ombros no verão.
Colado a ela fica o Broletto, a antiga prefeitura medieval, que perdeu uma parte para abrir espaço à catedral. Ali funciona um ponto de informação turística que também vende os ingressos dos museus municipais.
San Fedele e Sant’Abbondio, a Como românica
O românico de Como é de pedra, e não de tijolo como nas cidades da planície lombarda. A Basílica de San Fedele, erguida por volta de 1120, fica no meio da área de pedestres, no centro da cidade murada, e é conhecida pelo portal medieval esculpido.
Fora das muralhas, a Basílica de Sant’Abbondio, a antiga catedral da cidade, foi consagrada em 1095 pelo papa Urbano II e tem planta de cinco naves, rara para a época.
Tempio Voltiano e Life Electric
O Tempio Voltiano é um mausoléu neoclássico na ponta do passeio à beira do lago, todo dedicado a Alessandro Volta. A prefeitura o apresenta como o único museu do mundo inteiramente dedicado a um cientista: nas vitrines históricas estão instrumentos originais e reconstruções, da pilha aos estudos sobre gases.
Abre de terça a domingo, das 10h às 18h, e o ingresso inteiro custa €6 (valores de 2026; podem mudar). Para ver também a Pinacoteca e a catedral, o Como Art pass custa €10 por dois lugares ou €15 pelos três, com validade de três dias.
Dali, siga pelo quebra-mar Piero Caldirola até a escultura Life Electric, de Daniel Libeskind, inaugurada em 2015. A peça de aço, com cerca de 14 metros, homenageia Volta e se inspira nos dois polos de uma pilha.
Museu da Seda
Como é chamada de cidade da seda, e o Museo della Seta mostra por quê. O museu se apresenta como o único capaz de contar o processo inteiro de produção, do bicho-da-seda aos fios tingidos, da estampa à mão às coleções de moda, com as máquinas e os mostruários das tecelagens da região.
Tem audioguia em três idiomas e percursos táteis e olfativos. Confira o horário antes de ir.
Arquitetura racionalista e a Casa del Fascio
Entre as duas guerras, Como virou laboratório da arquitetura moderna italiana, puxado por Giuseppe Terragni. A obra mais conhecida é a antiga Casa del Fascio, na Piazza del Popolo, atrás da catedral, inaugurada em 1936 e considerada uma das obras-primas da arquitetura moderna do país.
Hoje o prédio é sede da Guardia di Finanza, então a visita é por fora. O turismo oficial sugere completar o roteiro com o Novocomum, na Via Sinigaglia, o Asilo Sant’Elia, na Via dei Mille, e o Monumento ai Caduti, no Viale Vittorio Veneto, que abre para visitas de junho a início de novembro.
Funicular de Brunate e o Faro Voltiano
O funicular Como–Brunate, inaugurado em 1894, sai do passeio à beira do lago e sobe até Brunate em menos de 7 minutos, com saídas a cada meia hora. Funciona das 6h às 22h30, e até a meia-noite no verão e nos fins de semana, o que permite subir também à noite para ver as margens iluminadas.
Lá em cima ficam vilas art nouveau, trilhas e o Faro Voltiano, um farol-mirante de onde se vê o centro histórico, os Alpes e a planície. Quem tiver disposição pode voltar a pé pelo bosque.
Villa Olmo e o Chilometro della Conoscenza
A Villa Olmo, neoclássica, construída a partir de 1797, tem jardins de frente para o lago e costuma receber exposições. Ela é o ponto de partida do Chilometro della Conoscenza, um percurso a pé que liga três villas e seus parques: Villa Olmo, Villa del Grumello e Villa Sucota.
Castelo Baradello e o barco até Cernobbio
No alto do Parque Regional Spina Verde, o Castelo Baradello guarda a torre que Frederico Barba-Ruiva mandou erguer no século XII. Do topo se vê a cidade e a planície até Milão. As visitas acontecem de abril a setembro, nos fins de semana.
Se o tempo for curto e você quiser pelo menos um gostinho do lago, pegue o barco da Navigazione Laghi até Cernobbio: no horário de inverno 2026/27, o trajeto leva cerca de 15 minutos. Para ir além, até Bellagio ou Varenna, reserve o dia.
Quantos dias ficar
Um dia basta para o essencial da cidade: catedral e centro murado de manhã, Tempio Voltiano e quebra-mar depois do almoço, funicular de Brunate no fim da tarde. Dá para fazer como bate-volta de Milão.
Com dois ou três dias, Como vira base: um dia para a cidade, outro de barco pelo lago e, se sobrar tempo, um terceiro em Lugano, a menos de 45 minutos de trem, ou em Bérgamo.
Onde ficar em Como
Como é compacta, e a escolha tem mais a ver com o seu jeito de viajar do que com distância:
- Centro murado (città murata): o mais prático para quem quer fazer tudo a pé, perto da catedral, de San Fedele e dos restaurantes.
- Orla do lago: de frente para a água, perto do funicular e do embarque dos barcos. É a escolha de quem vai explorar o lago de barco.
- Perto da estação Como San Giovanni: bom para quem chega de Milão ou da Suíça de trem e vai fazer bate-voltas. A estação fica a uns 15 minutos a pé do centro.
- Brunate: para quem quer silêncio e vista, sabendo que o funicular é a ligação com a cidade.
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Quando ir a Como
O clima é úmido, com estações bem marcadas:
- Primavera (março a maio): é a estação mais chuvosa, mas também a dos jardins floridos nas villas do lago. O Castelo Baradello volta a abrir em abril.
- Verão (junho a agosto): dias longos, máximas médias perto de 30 °C em julho e temporadas de barco mais completas. Pode haver temporais e granizo. O funicular funciona até a meia-noite.
- Outono (setembro a novembro): nas primeiras semanas de setembro acontece o Palio del Baradello, que celebra os antigos bairros da cidade. Os barcos passam ao horário reduzido em novembro.
- Inverno (dezembro a fevereiro): frio, com médias de 6 °C de máxima e −2 °C de mínima em janeiro. Os museus da cidade seguem abertos.
Como chegar a Como
Do Brasil
A porta de entrada é Milão. O caminho mais comum é chegar a Malpensa, o aeroporto mais prático para Como, que também lista Linate, Bérgamo (Orio al Serio) e Lugano-Agno como opções.
Do aeroporto de Malpensa, a Trenord leva até a estação Como Lago com uma troca em Saronno, em cerca de 1h25, por €12,30 (valores de 2026; podem mudar). Há também ônibus da Flibco.
De Milão
- De Milano Centrale a Como San Giovanni: os regionais da Trenord levam cerca de 40 minutos, por €5,40; os EuroCity fazem o trajeto em 39 minutos, por €16 (valores de 2026; podem mudar).
- De Milano Cadorna a Como Lago: trens da Trenord a cada meia hora, em cerca de 1 hora, por €5,40. A estação Como Lago fica junto ao lago, a poucos passos do centro.
- De carro: pela autoestrada A9 (Lainate–Como–Chiasso), em menos de uma hora.
Da Suíça
Como San Giovanni está na linha que liga Milão a Zurique. Até Lugano, o trem leva de 34 a 44 minutos, conforme o serviço; até Zurique, o EuroCity direto leva cerca de 2h36.
Como se locomover
O centro histórico é compacto e tem área de pedestres: a pé você resolve tudo. Para Brunate, use o funicular, e para Cernobbio e os vilarejos do lago, os barcos da Navigazione Laghi. Em dias de vento forte, linhas de barco podem ser suspensas.
A ASF Autolinee opera os ônibus urbanos e intermunicipais.
Dicas práticas
- Moeda: euro. Se esticar até Lugano, a moeda é o franco suíço (CHF).
- Idioma: italiano.
- Fuso: 4 horas a mais que Brasília no inverno europeu e 5 horas no verão europeu.
- Tomada e voltagem: 230 V; tomadas dos tipos L e F. Leve um adaptador.
- Documentos: brasileiro não precisa de visto para ficar até 90 dias a cada 180 na Itália, segundo a Embaixada da Itália. A imigração pode pedir comprovantes de hospedagem, de meios para a estadia e de seguro saúde.
- ETIAS: a autorização eletrônica de viagem está prevista, mas ainda sem data em vigor. Confira em travel-europe.europa.eu.
Perguntas frequentes
Vale a pena visitar a cidade de Como?
Vale, sobretudo para quem gosta de história e arquitetura. A catedral, as igrejas românicas, o Tempio Voltiano e o funicular de Brunate rendem um dia cheio antes mesmo de entrar num barco.
Dá para fazer bate-volta de Milão a Como?
Dá. De Milano Centrale a Como San Giovanni o trem leva cerca de 40 minutos, e de Milano Cadorna a Como Lago, cerca de 1 hora.
Quantos dias ficar em Como?
Um dia para a cidade, e dois ou três se quiser usá-la como base para o lago e para Lugano.
É melhor ficar em Como ou em Bellagio?
Como é melhor para quem viaja de trem e quer mais opções de restaurante e transporte. Bellagio é melhor para quem quer acordar no centro do lago e circular de barco.
Como é caro?
Não precisa ser. Há como economizar: o trem de Milão custa €5,40 e o Como Art pass reúne três atrações por €15 (valores de 2026).
Qual a melhor época para ir a Como?
De abril a outubro, quando os barcos têm mais horários e o Castelo Baradello abre. Os museus da cidade funcionam o ano todo.
Brasileiro precisa de visto para ir a Como?
Não, para turismo de até 90 dias a cada 180. A imigração pode pedir comprovantes de hospedagem, meios para a estadia e seguro.
Seguro viagem para Itália
A Itália faz parte do Espaço Schengen: a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia, e a cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Se for cruzar para Lugano, confira se a apólice cobre a Suíça. Veja o nosso guia de seguro viagem para a Itália.
Confira as opções de seguro viagem para Itália.
Chip internacional para Itália
Com internet no celular, você confere os horários de trem e de barco na hora e compra o ingresso dos museus online. Como a Suíça não é da União Europeia, verifique se o plano inclui o país antes de ir a Lugano. Veja as opções no nosso guia de chip internacional para a Itália.
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