Bagagem despachada até o destino final na conexão: 5 casos com companhias aéreas diferentes em 2026

Bagagem despachada até o destino final na conexão? Veja os 5 casos, do bilhete único à low cost na Europa, e quando você precisa retirar a mala.

19–29 minutos
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Comprou o voo do Brasil para Lisboa, achou uma low cost para Paris e agora não sabe se a mala segue sozinha? Essa dúvida aparece muito entre quem monta a viagem em partes, e a resposta sobre bagagem despachada até o destino final na conexão nem sempre é a que a gente espera.

Por isso, montamos este guia com os 5 casos que decidem o destino da sua mala, do mais seguro ao mais arriscado. Explicamos o que diz a IATA, o que as companhias aéreas publicam e o que muda quando a conexão é feita com bilhete separado na Europa.

Spoiler: quem garante a mala até o fim é o bilhete, não a aliança. Preparado? Então siga com a leitura!

Dica Rápida: a mala vai até o destino final?

A bagagem despachada só segue até o destino final na conexão quando os voos estão no mesmo bilhete. Encontre o seu caso:

SituaçãoA mala segue direto?O que você precisa fazer
Mesma companhia, mesmo bilheteSimConferir no check-in se a etiqueta mostra o destino final
Companhias da mesma aliança, mesmo bilheteSim, em regraConferir a etiqueta e guardar o comprovante
Companhias diferentes com acordo interline, mesmo bilheteSim, conforme a política das companhiasConferir a etiqueta e perguntar no balcão
Bilhetes separados, entre companhias com acordoSó se houver acordo específicoNão contar com isso: prepare-se para retirar a mala
Bilhete separado com low costNãoRetirar a mala, passar pela imigração (se for o caso) e despachar de novo
Troca de aeroporto na conexãoNãoRetirar a mala e ir até o outro aeroporto

Bagagem despachada até o destino final na conexão: como funciona

A bagagem despachada vai até o destino final na conexão quando os voos formam um único contrato de transporte e as companhias têm acordo para transferir a mala. No despacho, a companhia cola na mala uma etiqueta com o código do aeroporto de entrega. É essa etiqueta que diz se ela vai até o fim ou para no meio do caminho.

Segundo o guia de bagagem interline da IATA, numa viagem com mais de uma companhia a mala é etiquetada até o primeiro destes pontos, sempre conforme a política de cada companhia envolvida:

  • a próxima parada (stopover) do passageiro;
  • o ponto até onde o voo está confirmado;
  • o ponto onde há troca de aeroporto;
  • o destino final do bilhete, incluindo bilhetes emitidos em conjunto com o original.

Ou seja: se no seu trajeto existe uma troca de aeroporto ou uma parada mais longa, a mala para ali, mesmo que o resto da viagem esteja no mesmo bilhete.

Bilhete único

No bilhete único, passageiro e mala são despachados até o destino final. A Finnair, por exemplo, explica que isso acontece quando o bilhete é um único contrato de transporte.

Código compartilhado (codeshare)

No código compartilhado, você compra um voo com o número de uma companhia, mas quem opera é outra. Para a mala ser transferida certinho, a IATA orienta que a etiqueta traga o código e o número do voo da companhia que opera o voo de fato.

Acordo interline

O acordo interline é o que permite que duas companhias diferentes vendam um bilhete juntas e transportem a mala de uma para a outra. O padrão mais usado é o MITA (Resolução IATA 780), que regula o transporte da bagagem quando a viagem num único bilhete tem dois ou mais voos.

Duas companhias só são parceiras interline depois que as duas confirmam a adesão, e também pode haver interline por acordo bilateral. Já a Resolução IATA 302 define qual companhia dita a franquia de bagagem em cada trecho de um bilhete interline.

Aliança aérea ou bilhete único: o que realmente garante a mala até o fim?

Quem garante a mala até o destino final é o bilhete único, não a aliança aérea. Com duas companhias da mesma aliança em bilhetes separados, a mala não segue automaticamente.

É verdade que a Star Alliance lista o check-in até o destino final como benefício da aliança. Só que a IATA é direta: “Unless subject to specific agreement between airlines, through check-in baggage on separate tickets is prohibited.” Em bom português, despachar a mala até o fim em bilhetes separados é proibido, salvo acordo específico entre as companhias, estejam elas na mesma aliança ou não.

As próprias companhias confirmam isso:

  • Finnair: entre bilhetes separados não há despacho até o fim, com uma exceção limitada a conexões Finnair–Finnair dentro do tempo mínimo de conexão.
  • British Airways: voos com códigos de reserva diferentes são viagens separadas, e a companhia não é obrigada a despachar a mala automaticamente para o voo seguinte.
  • American Airlines: com bilhetes em reservas diferentes, a mala vai só até o destino final do bilhete da American.

Resumindo: a aliança facilita, mas quem manda é o bilhete. Para saber quem faz parte de cada grupo, veja o nosso guia de alianças aéreas.

Conexão com companhias aéreas diferentes: os 5 casos

Na conexão com companhias aéreas diferentes, a bagagem só segue até o destino final quando os voos estão no mesmo bilhete e as companhias têm acordo entre si. Organizamos os cenários do mais tranquilo ao mais arriscado: encontre o seu e veja o que fazer.

1 – Mesma companhia, mesmo bilhete

É o cenário ideal: um voo Brasil–Europa e um voo dentro da Europa com a mesma companhia, comprados juntos. A mala é etiquetada até o destino final e você só a vê de novo na esteira da chegada.

A TAP, por exemplo, informa que, em reserva única, o tempo de conexão já vem garantido na compra.

✅ A favor❌ Contra
Mala etiquetada até o fimNem sempre é a combinação mais barata
Tempo de conexão definido pela companhiaMenos liberdade para escolher horários
Uma única reserva para resolver imprevistos

2 – Companhias da mesma aliança, mesmo bilhete

Exemplo: você voa uma companhia até o hub europeu e segue com outra da mesma aliança, tudo no mesmo bilhete. Aqui a mala também vai até o fim, porque o que vale é o contrato único.

✅ A favor❌ Contra
Mala etiquetada até o destino finalA franquia de bagagem pode variar entre os trechos
Mais opções de rota e de horárioVale conferir a etiqueta no balcão

Para escolher por onde fazer essa conexão, confira as companhias e os hubs da Star Alliance, as companhias e os hubs da SkyTeam e as companhias e os hubs da oneworld.

3 – Companhias de alianças diferentes com acordo interline

Duas companhias que não são da mesma aliança também podem vender um bilhete juntas, desde que tenham acordo interline. Nesse caso, a mala segue até o fim conforme a política das companhias envolvidas.

✅ A favor❌ Contra
Combinações que nenhuma aliança oferece sozinhaA regra de franquia segue a Resolução IATA 302 e pode surpreender
Mala até o fim, se as companhias tiverem acordoNem toda companhia tem interline com todas

4 – Bilhetes separados entre companhias com acordo

Aqui começa o risco. Mesmo que as duas companhias tenham acordo entre si, bilhetes separados são contratos separados. A IATA proíbe o despacho até o fim nesse caso, salvo acordo específico, e avisa que despachar assim, sem acordo, aumenta o risco de a mala se perder no ponto de conexão.

Nossa dica é não contar com o despacho até o fim: planeje a conexão como se fosse retirar a mala.

✅ A favor❌ Contra
Pode sair mais baratoNenhuma garantia de despacho até o fim
Mais liberdade para montar o roteiroAtraso no primeiro voo pode custar o segundo
Sem compensação pela conexão perdida

5 – Bilhete separado com low cost

É o cenário mais arriscado: voo longo até um hub europeu e, depois, uma low cost como Ryanair, easyJet, Wizz Air, Vueling, Transavia ou Volotea em outro bilhete.

Aqui a mala não segue. Você retira, despacha de novo e, às vezes, ainda precisa trocar de terminal ou até de aeroporto. O roteiro completo está no passo a passo logo abaixo.

✅ A favor❌ Contra
Pode sair mais barato que o bilhete únicoRetirar e despachar a mala de novo
Liberdade para escolher rota e aeroportoImigração, check-in e segurança na mesma conexão
Perder o voo por atraso do anterior é problema seu

Bilhete separado com conexão na Europa: passo a passo

Na conexão com bilhete separado na Europa, você retira a mala, passa pela imigração (se for o primeiro aeroporto Schengen), faz novo check-in e despacha de novo antes do segundo voo. Se o seu caso é o 4 ou o 5, este é o roteiro:

  1. Desembarque: como a mala não será transferida, siga para a área de desembarque do aeroporto.
  2. Imigração Schengen: se este é o primeiro aeroporto do Espaço Schengen da viagem, é aqui que você passa pelo controle de fronteira. Na primeira entrada, o brasileiro tem rosto e impressões digitais registrados no EES.
  3. Retirada da mala: pegue a bagagem na esteira do seu voo e saia da área restrita.
  4. Deslocamento: siga até o terminal (ou o aeroporto) do segundo voo. Em Lisboa, por exemplo, Ryanair, Wizz Air e outras low cost saem do T2, ligado ao T1 por ônibus gratuito.
  5. Novo check-in e despacho: entregue a mala no balcão da segunda companhia antes do fechamento do despacho. Na maioria dos voos, easyJet e Wizz Air fecham o despacho 40 minutos antes da partida, assim como a Vueling nas rotas dentro do Schengen. Na Ryanair, a partir de 10/11/2026, o check-in e o despacho de mala no aeroporto fecham 60 minutos antes do horário programado, em todos os aeroportos da companhia. easyJet, Wizz Air e Vueling têm exceções por aeroporto, então confira o prazo no site da sua companhia.
  6. Controle de segurança e embarque: passe pelo raio X de novo, vá até o portão e embarque. E pronto! Sua mala está a caminho do destino final. ✨

Quanto tempo de conexão deixar com bilhete separado

Não encontramos tempo mínimo oficial para conexão com bilhete separado: nenhuma das fontes de companhias, aeroportos e IATA que consultamos publica esse número para quem faz a conexão por conta própria.

Os tempos mínimos de conexão (MCT) que você encontra por aí valem para bilhete único, quando a companhia transfere a mala por você. A IATA lembra que o MCT precisa ser respeitado para a mala ser transferida. Por exemplo:

  • Lufthansa em Frankfurt: 60 minutos desde 30/03/2025 (guias antigos ainda falam em 45 minutos). Veja mais sobre a conexão em Frankfurt.
  • Madri-Barajas: a página de voos de conexão da Aena não traz tabela de tempo mínimo, e quem muda de terminal precisa sair da zona de trânsito internacional. Confira o tempo com a sua companhia e veja mais sobre a conexão em Madri-Barajas.

Com bilhete separado, some tudo o que esses tempos não incluem:

  • Imigração Schengen, com a coleta de biometria do EES na primeira entrada (não encontramos fonte oficial com o tempo médio de fila);
  • Espera da mala na esteira;
  • Prazo de fechamento do despacho da segunda companhia, que é antes do horário do voo;
  • Controle de segurança de novo;
  • Troca de terminal ou de aeroporto, quando houver;
  • Atraso do primeiro voo, já que, em bilhete separado, a conexão perdida não dá direito a compensação.

Na dúvida, escolha o voo seguinte mais tarde. Com bilhete separado, perder a conexão pode significar comprar outra passagem.

Conexão com troca de aeroporto na Europa: os pares mais comuns

Trocar de aeroporto na conexão significa retirar a mala e despachar de novo: pela regra da IATA, a etiqueta vai no máximo até o ponto onde há troca de aeroporto. Reunimos aqui os pares de aeroportos de seis cidades que aparecem em muitos roteiros pela Europa. Para conhecer cada aeroporto em detalhe, veja o nosso guia dos aeroportos da Europa.

Paris: Charles de Gaulle, Orly e Beauvais

Dentro do Charles de Gaulle, o CDGVAL, trem automático e gratuito, liga o T1, o T3/Roissypôle e o T2. Os subterminais 2A a 2F se ligam a pé, e para o 2G há ônibus gratuito. Fique de olho: a partir de 16/03/2027, os terminais mudam de nome (2E vira T5, 2F vira T6 e 2G vira T7), e bilhetes comprados agora para voos depois dessa data podem trazer o nome novo.

Segundo o Paris Aéroport, não há ônibus direto entre CDG e Orly. O aeroporto indica dois caminhos em transporte público: RER B até Antony e Orlyval até Orly, ou RER B até Châtelet-les-Halles e linha 14 direto a Orly. Nas duas opções, conte com cerca de 1h15 de trajeto (a RATP fala em 60 a 90 minutos). O Ticket Paris Région <> Aéroports, de €14 (tarifa cheia), vale para o RER B em CDG e para a chegada a Orly pela linha 14 ou pelo Orlyval. Dentro de Orly, o Orlyval liga Orly 1, 2, 3 a Orly 4 em cerca de 2 minutos, de graça.

Já Beauvais fica a 89 km de Paris por estrada. O ônibus oficial Aerobus A01 liga o aeroporto a Porte Maillot em “a partir de 1h15”, conforme o trânsito, por €17,90 só ida comprado on-line (€18 no local). Saindo de Paris, o aeroporto recomenda pegar o ônibus 3h30 antes da decolagem. A página oficial não mostra ligação direta de Beauvais com CDG ou Orly.

Londres: Heathrow, Gatwick e Stansted

Pela página oficial do aeroporto de Heathrow, o ônibus direto até Gatwick leva 70 minutos (National Express e FlixBus) ou 75 minutos (The Airline). Até Stansted, o ônibus direto da National Express leva 80 minutos.

De trem, é preciso baldear no centro de Londres: por exemplo, Elizabeth line até Farringdon (35 minutos) e Thameslink até Gatwick (40 minutos).

Atenção à imigração: para trocar de aeroporto em Londres, você sai da área restrita de Heathrow e passa pelo controle de fronteira do Reino Unido. Segundo o governo britânico, quem passa pelo controle de fronteira num aeroporto do Reino Unido antes de seguir viagem precisa de ETA (autorização eletrônica de viagem), que hoje custa £20. O Brasil não está na lista de nacionalidades que precisam de visto de visitante, mas confira a sua situação no site oficial gov.uk antes de comprar o bilhete.

Roma: Fiumicino e Ciampino

Entre Fiumicino e Ciampino, conte com a retirada da mala e o deslocamento por terra. A ADR, que administra os dois aeroportos, publica táxi com tarifa fixa de €55 entre Fiumicino e Ciampino, nos dois sentidos e com todos os suplementos incluídos. O táxi oficial é branco, com a placa TAXI no teto.

Nas páginas de ônibus da ADR que consultamos, não aparece linha direta entre os dois aeroportos: as linhas de cada um vão até Roma Termini.

Milão: Malpensa, Linate e Bergamo

A SEA, operadora de Linate, publica táxi com tarifa fixa de €128 de Linate a Malpensa. De ônibus, o Malpensa Shuttle faz duas viagens por dia de Malpensa a Linate, às 12h15 e às 17h10; a das 12h15 chega a Linate por volta das 13h55, cerca de 1h40 de trajeto. Os horários podem mudar, então confira no site do aeroporto antes de viajar.

O aeroporto de Bergamo lista o Orio Shuttle, que liga Bergamo a Malpensa (T2–T1). Para horários e preço, confira no site da Orio Shuttle.

Istambul: aeroporto de Istambul e Sabiha Gökçen

O segundo aeroporto da cidade fica no lado asiático, a 50 km de Taksim. Trocar do aeroporto de Istambul para o Sabiha Gökçen exige passar pela imigração turca e atravessar a cidade. O brasileiro não precisa de visto na Turquia para até 90 dias.

Bruxelas: Zaventem e Charleroi

Nas páginas da Flibco e do aeroporto de Charleroi, não aparece ligação direta com Zaventem: o caminho é passar pelo centro. Do aeroporto de Zaventem sai trem direto até Bruxelles-Midi, a cada 10 minutos, segundo o aeroporto, e o bilhete já inclui a sobretaxa do aeroporto, de €6,90. Mais sobre o aeroporto principal em Bruxelas-Zaventem.

De Bruxelles-Midi, o shuttle Flibco liga a estação a Charleroi em 55 a 60 minutos, a partir de €14,99 (outras páginas da própria Flibco falam em €19), e o bilhete vale para qualquer ônibus do dia. Não há voo direto do Brasil a Charleroi, e em voo Schengen não há imigração por lá.

Imigração na conexão: em qual aeroporto você passa pelo controle Schengen

Vindo do Brasil, você passa pelo controle de fronteira no primeiro aeroporto do Espaço Schengen da viagem, como Paris-CDG ou o aeroporto de Lisboa, onde a entrada já tem registro no EES. O voo seguinte, dentro do Schengen, não tem imigração. Se tiver dúvida sobre como funciona o espaço, explicamos tudo no post sobre o Tratado de Schengen.

Conexão entre dois voos de fora do Schengen não exige controle de passaporte. Em Istambul, que fica fora do Schengen, a Turkish Airlines informa que, com bilhete único, o passageiro vai direto ao portão ou ao balcão de trânsito, sem imigração turca. A imigração Schengen fica para o primeiro aeroporto Schengen depois.

Vale lembrar: o EES (Sistema de Entrada/Saída) começou a operar aos poucos em 12/10/2025 e está em operação plena desde 10/04/2026. O carimbo manual no passaporte foi substituído pelo registro digital, e a biometria da primeira entrada pode alongar a fila. Não confunda o EES com o ETIAS, que é outro sistema.

Mala extraviada ou conexão perdida: quais são seus direitos e como o seguro viagem ajuda

Com os voos na mesma reserva, a conexão perdida pode render compensação de €250 a €600 pelas regras da UE, e a mala extraviada é indenizada pela companhia até o limite da Convenção de Montreal. Com bilhetes separados, não há compensação pela conexão perdida. Para a mala, o seguro viagem entra como reforço; a cobertura de perda de conexão depende do plano.

Conexão perdida

As regras de direitos do passageiro da União Europeia valem para voos dentro da UE, voos que partem da UE e voos que chegam à UE vindos de fora só se operados por companhia europeia. Ou seja, um voo Brasil–Europa operado por companhia brasileira não entra; operado por companhia europeia, entra.

Se você perder a conexão e chegar ao destino final com mais de 3 horas de atraso, há compensação, desde que os voos estejam na mesma reserva e o atraso não decorra de circunstâncias extraordinárias. Os valores são:

Distância do vooAtraso na chegadaCompensação
Até 1.500 km3 h ou mais€250
1.500 a 3.500 km (ou mais de 1.500 km dentro da UE)3 h ou mais€400
Mais de 3.500 kmDe 3 h a menos de 4 h€300
Mais de 3.500 km4 h ou mais€600

O valor pode cair 50% se a companhia oferecer reacomodação e o atraso for menor. Também não há compensação se a conexão for perdida por demora no controle de segurança ou por não respeitar o horário de embarque.

O bilhete único conta mesmo quando é emitido por agência com companhias sem acordo entre si: em 2022 (caso C-436/21), a Justiça europeia considerou “voo de conexão” uma viagem Stuttgart–Zurique–Filadélfia–Kansas City, com Swiss e American num único bilhete com preço total único.

Com bilhetes separados, o cenário muda: segundo o resumo oficial da jurisprudência do TJUE, a companhia não é obrigada a pagar compensação quando o atraso do primeiro voo faz você perder o segundo.

Há novidades a caminho. O Regulamento (UE) 2026/2202, publicado no Jornal Oficial da UE em 02/10/2026, melhora a proteção em viagens com conexão: a companhia do voo anterior passa a responder pela reacomodação e pela assistência, e o vendedor deve informar antes da compra se a viagem é um contrato único. As novas regras passam a ser aplicadas a partir de 23/10/2027; até lá, valem as atuais.

Mala extraviada, danificada ou atrasada

Na UE, a reclamação deve ser feita por escrito à companhia em até 7 dias (extravio ou dano) ou em até 21 dias depois de receber a mala atrasada. Não há formulário padrão.

O limite de indenização da Convenção de Montreal é de 1.519 DES (Direitos Especiais de Saque) por passageiro, não por mala, desde 28/12/2024. Ao câmbio usado pela ICAO em outubro de 2024, isso dava cerca de US$ 2.000. É um teto, e não um valor automático: você precisa comprovar o que perdeu. Até o check-in, também é possível pagar à companhia por um limite maior.

Como o seguro viagem ajuda

A companhia aérea é a primeira responsável pela mala, e o seguro entra como reforço. Segundo a Seguros Promo, as coberturas de bagagem mais comuns são:

  • atraso na entrega, com reembolso de itens de emergência depois de um prazo da apólice, geralmente entre 6 e 12 horas;
  • extravio definitivo, com limites para bagagem despachada que costumam ficar entre US$ 1.200 e US$ 2.500;
  • danos e roubo.

A cobertura pode ser complementar (paga a diferença do que a companhia pagou) ou suplementar (soma ao que a companhia pagou). E atenção: segundo a Seguros Promo, para acionar o seguro é obrigatório fazer o PIR (Property Irregularity Report) ainda no aeroporto.

Como a Seguros Promo compara planos de várias seguradoras, as coberturas de bagagem, cancelamento, atraso e perda de conexão variam de plano para plano: confira nas condições gerais o que o seu inclui. Explicamos tudo no guia de seguro viagem para a Europa com cobertura de bagagem.

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Os preços e planos podem sofrer alterações.

Bagagem nas low cost europeias: o que muda no segundo voo

No segundo voo com uma low cost europeia em bilhete separado, a mala não segue: você retira e despacha de novo. Mesmo os produtos de conexão de Wizz Air e easyJet funcionam em self-transfer, ou seja, sem transferência da bagagem.

  • Wizz Air: o Wizz Link, lançado em 12/02/2026 com a Dohop, vende conexões nos hubs da companhia. A bagagem não segue para o voo seguinte: você retira a mala, passa pela alfândega e faz check-in de novo, o que exige escala mais longa. Dá para adicionar a proteção ConnectSure, que reacomoda o passageiro se um atraso fizer perder o voo seguinte.
  • easyJet: o serviço de conexões também funciona com a Dohop, com a proteção ConnectSure. A própria easyJet diz que os tempos mínimos de conexão servem para dar tempo de retirar a mala para o próximo voo.
  • Ryanair: em 2017, lançou voos de conexão por Roma-Fiumicino com um único código de reserva e mala despachada até o destino final, depois estendidos a Milão-Bergamo. Não conseguimos confirmar se o produto existe hoje nem quais rotas atende.
  • Vueling, Transavia e Volotea: não encontramos informação oficial sobre produto de conexão ou despacho até o fim com companhias de longo curso.

Em Lisboa, Ryanair, Transavia, Volotea, Vueling, Wizz Air, Eurowings e Norwegian saem do T2, que é só de partidas e funciona das 03h30 às 00h30. Quem chega do Brasil no T1 usa o ônibus gratuito, que passa a cada 12 minutos, faz o trajeto em cerca de 3 minutos e não circula entre 01h30 e 03h30.

Como a franquia de bagagem muda de companhia para companhia, confira no bilhete da low cost se a mala despachada está incluída antes de chegar ao balcão.

Conexão longa ou pernoite: vale a pena dormir perto do aeroporto?

Com bilhete separado e um voo intercontinental que pode atrasar, dormir uma noite no hub costuma ser uma boa pedida. Você chega sem pressa e embarca no dia seguinte sem medo de perder a low cost. De quebra, ganha um dia extra em uma cidade europeia!

Se os voos estiverem no mesmo bilhete, fique de olho na mala: para a IATA, há conexão quando o voo seguinte sai em até 12 horas depois da chegada do primeiro, no mesmo dia ou no dia seguinte. Uma parada mais longa pode virar stopover, e aí a mala tende a ser etiquetada só até ali, conforme a política de cada companhia.

Em Paris, o Sheraton fica dentro do T2 do Charles de Gaulle. Se o hub for outro, separamos as melhores opções de hotéis em Lisboa, hotéis em Madri e hotéis em Frankfurt.

Se a sua conexão é em Lisboa e você quer dormir pertinho do embarque, veja todas as opções de hotéis perto do aeroporto de Lisboa.

Veja mais dicas para voar à Europa

As dicas ainda não acabaram! Para fechar o planejamento da sua conexão, reunimos aqui o que mais ajuda nessa etapa.

Seguro viagem

Mala extraviada é exatamente o tipo de imprevisto em que um bom seguro faz diferença. Se quiser proteção também para a conexão, confira nas condições gerais se o plano escolhido cobre perda de conexão.

Vale lembrar: na chegada ao Espaço Schengen, a imigração pode pedir comprovante de seguro e de meios para a estadia. A cobertura de €30.000, exigida no visto Schengen, é a referência que recomendamos. Na Seguros Promo, o cupom DICASDEVIAGEM5 ou DICASDEVIAGEM15 garante desconto na contratação.

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Chip ou eSIM

Com internet desde o desembarque, você acompanha o status do voo, fala com a companhia sobre a mala e chama transporte entre aeroportos sem preocupações. Veja qual é o melhor chip internacional para a Europa.

Na America Chip, você garante o chip ou eSIM antes do embarque, sem depender do roaming da operadora brasileira. Use o cupom DICASDEVIAGEM e garanta seu desconto.

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Passagem aérea

Sempre que der, prefira comprar os trechos no mesmo bilhete: é isso que garante a mala até o fim e, quando as regras da UE se aplicam, o direito à compensação se a conexão for perdida. Para comparar rotas e companhias, confira também o nosso guia de companhias aéreas que voam para a Europa.

Dúvidas frequentes

Voando por companhias da mesma aliança, a mala vai despachada até o destino final?

Vai, se os voos estiverem no mesmo bilhete. Em bilhetes separados, a IATA proíbe o despacho até o fim, salvo acordo específico entre as companhias, mesmo dentro da mesma aliança. Com dois bilhetes, planeje a conexão como se fosse retirar a mala e despachar de novo.

O que acontece com a bagagem se eu comprar dois bilhetes separados com conexão na Europa?

Na regra geral, a mala vai só até o fim do primeiro bilhete. Você retira na esteira, passa pela imigração Schengen (se for o primeiro aeroporto Schengen), faz novo check-in e despacha de novo. Se o primeiro voo atrasar e você perder o segundo, a companhia não é obrigada a pagar compensação.

Quanto tempo de conexão devo deixar com bilhete separado?

Não encontramos número oficial para conexão com bilhete separado. Os tempos mínimos publicados, como os 60 minutos da Lufthansa em Frankfurt, valem para bilhete único. Some imigração, espera da mala, prazo de despacho da segunda companhia, segurança e eventual troca de terminal ou de aeroporto.

Se eu vou do Brasil a Paris com conexão em Lisboa, onde passo pela imigração?

Em Lisboa, que é o primeiro aeroporto Schengen da viagem. Lá você passa pela imigração, com registro no EES, e pela segurança antes do voo seguinte. O trecho de Lisboa a Paris não tem imigração.

Qual o prazo para reclamar de mala extraviada na Europa?

Na União Europeia, a reclamação deve ser feita por escrito à companhia em até 7 dias, em caso de extravio ou dano, ou em até 21 dias depois de receber a mala atrasada. Faça também o PIR ainda no aeroporto: segundo a Seguros Promo, ele é obrigatório para acionar o seguro viagem.

Tenho direito a compensação se perder a conexão com bilhetes separados?

Não. Pelo resumo oficial da jurisprudência do Tribunal de Justiça da UE, com bilhetes separados a companhia não é obrigada a pagar compensação quando o atraso do primeiro voo faz perder o segundo. A compensação de €250 a €600 vale para voos na mesma reserva e dentro das regras da UE.

Ficou com alguma dúvida sobre a sua conexão? Fale para nós nos comentários! Ficaremos felizes em responder 🙂

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